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Mulheres também vão a Guerra

Virgínia Leite, enfermeira da FEB de 1944-1945. (Foto: Museu do Expedicionário.)

“Entre os hinos da raça entoados neste instante vibrantes da nossa história, em que o Corpo Expedicionário hasteia as bandeiras gloriosas da desafronta, rumo ao inimigo, lá´em Berlim, onde ele se encastela no delírio do crime e no desvario do ódio, da destruição e do obscurantismo, ergue a mulher brasileira a voz da sua revolta e do seu patriotismo, na afirmação solene de marchar lado a lado aos soldados de Caxias, tal como Ana Nery, nas batalhas do passado” Olímpia Camerino, 1944 (fonte: portal FEB).

Durante a pesquisa realizada sobre a participação de pracinhas são-mateuenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial, me deparei com a história de mais paranaenses que fizeram parte dessa história também. Entre eles, Virgínia Leite, a enfermeira de Irati. Ao todo, 73 mulheres enfermeiras se alistaram na Força Expedicionária Brasileira (FEB), e foram para os campos de batalha na Itália para socorrer e cuidar de soldados brasileiros feridos em ação e combate. Nesse sentido, o papel das mulheres brasileiras, “o esforço de guerra”, ou seja, o voluntariado, ao que muito possa parecer coadjuvante, na verdade foi deveras importante. Além de sua função estar atrelada a um aspecto muito nobre e substancial, essas mulheres receberam treinamento militar antes de embarcar para a Europa, e os riscos que correram em solo inimigo foi de mesmo nível que seus compatriotas.

Virgínia Leite nasceu em Irati em 1916, ela era professora e tinha 29 anos quando decidiu, ao ver a chamada sendo feita, ir para a Guerra junto com a Força Expedicionária Brasileira. Em suas declarações, Virgínia alegou que o motivo que a fez tomar essa decisão foi o fato de ficar muito comovida ao ver jovens brasileiros, entre eles paranaenses, irem para a Guerra. As notícias que chegavam no Brasil, mostravam um cenário de um confronto duro, pois o exército alemão era considerado uma máquina de matar. Ao se alistar, a professora, primeiro passou por um curso de enfermagem na Cruz Vermelha e embarcou de navio para a cidade de Nápoles junto as outras 72 brasileiras, entre elas, algumas paranaenses também, Maria Suarez, Acácia Cruz, Wanda Majewski, Edith Fanha, Hilda Ribeiro, Guilhermina Gomes.

Virgínia Leite, assim como as outras expedicionárias, passaram cerca de oito meses na guerra, entre 1944 e 1945 ano que encerrou o confronto. Quando retornou para o Brasil, Virgínia passou por um quadro depressivo, ainda ouvia o barulho dos aviões alemães que passavam acima do hospital onde trabalhava, quadro pós-traumático muito comum em pessoas que viveram em estado de guerra. Entre os campos de batalha e as tendas de enfermaria, Virgínia e as outras enfermeiras não socorreram somente soldados brasileiros, mas de outras nacionalidades também. Entre eles, italianos e até mesmo alemães. Pois, o trabalho que essas mulheres exerceram ultrapassou questões políticas e militares, era acima de tudo, um trabalho humanitário. Não há inimigo num hospital na guerra, soldado ferido, é soldado atendido! Virgínia Leite, a jovem e corajosa professora que foi para a guerra, morreu dia 5 de janeiro de 2012 aos 95 anos de idade. Sua história e retrato, assim como, de suas colegas, estão hoje no Museu do Expedicionário em Curitiba, junto a de outros pracinhas paranaenses. Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Enfermeiras da FEB. (Foto: Portal FEB)

 

Enfermeiras da FEB. (Foto: Portal FEB)

Jéssica Kotrik Reis Franco
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