(Imagem Ilustrativa)

Algo nos motiva a escrever. Cada escritor tem seu estilo, seus métodos de produção, suas crenças. Alguns defendem que ninguém ensina a escrever, que o escritor já nasce feito, que a técnica prejudica a emoção. Eu acredito que não haja uma “receita de bolo” para a escrita, não há fórmula mágica. Porém, podemos desenvolver nossas habilidades para escrever um texto com mais qualidade.

Se não fosse possível aprender a escrever melhor, não passaríamos por um processo de alfabetização e nem precisaríamos frequentar as aulas de redação na escola.

É certo que muitos escritores são “autodidatas” e muitos desses obtém sucesso na carreira, porém a busca de referências, estudar o estilo de outros, é importante neste processo de aprendizado, de melhoria. Ninguém nasce sabendo. Todos podem e devem escrever, sem exceção. Alguns possuem mais talento para isso, mas o exercício da escrita é essencial, mesmo para os mais privilegiados.

Melhorar a escrita serve de base para nosso desenvolvimento na vida pessoal ou profissional. Também para a organização de pensamentos, de ideias e facilita a tomada de decisões.

Há alguns que não gostam do termo talento, mas vou usá-lo mesmo assim para descrever as habilidades que cada um recebeu naturalmente quando veio a este mundo. Para o escritor francês Antoine Albalat, “o talento não é mais do que uma aptidão que se desenvolve. Podemos duplicar e triplicar o que se tem”, este ensinamento está presente no Evangelho de Mateus e de Lucas, também. É uma crença desde que o homem é homem. Assim, podemos melhorar nossas habilidades, aperfeiçoar nossas técnicas, escrever textos de qualidade como troca pelo talento que nos foi entregue, pelas lições que aprendemos.

Stephen King, em “Sobre a Escrita, a arte em memórias”, diz que seu livro não é uma autobiografia, que é na verdade uma espécie de curriculum vitae, diz ele, “minha tentativa é de mostrar como se forma um escritor. Não como se faz um escritor; eu não acredito que escritores possam ser feitos, nem pelas circunstâncias nem por autodeterminação (embora já tenha acreditado nessas coisas). O equipamento vem na embalagem original.” Complementa: “Acredito que muitas pessoas têm pelo menos algum talento para escrever ou contar histórias, e esse talento pode ser fortalecido e afiado.”

Ainda segundo ele, “embora seja impossível transformar um escritor ruim em competente, e embora seja igualmente impossível transformar um escritor bom em um incrível, é sim possível, com muito trabalho duro, dedicação e conselhos oportunos, transformar um escritor meramente competente em um bom escritor”. Eu acredito que um curso de escrita criativa, por exemplo, seja capaz de despertar o interesse de escritores incríveis, até então adormecidos quanto ao seu talento.

Para Assis Brasil, a criação da linguagem literária assume proporção de verdadeira arquitetura, na qual os andaimes devem ser dados pela sensibilidade, originalidade, bom gosto e, principalmente pela sabedoria do texto, o qual precisa ser realizado com grau excepcional de técnica. Não mais a palavra ingênua e bela, mas aquela mais forte, a mais expressiva, a mais intencional.

Então, a qualidade do texto também depende de escolhas, de quais caminhos seguir. Assim, é possível, com o estudo, melhor conhecer essas possibilidades, esses caminhos e aí escolher.

Falaremos mais sobre isso numa próxima coluna. Eu continuo tentando desenvolver meus talentos. Não esconda o seu talento. Quem sabe eu possa ajudar você a fazer isso também, em relação a escrita.

“E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor.” (Mt 25: 16-18).

Adnelson Borges de Campos
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