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Município conquista selo de identificação geográfica

Foto: Gazeta Informativa

No dia 11 de outubro, São Mateus do Sul obteve o registro de identificação geográfica da era-mate, o que garante o reconhecimento da erva-mate são-mateuense como característica apenas da nossa região, o que poderá trazer inúmeros benefícios tanto aos que são diretamente envolvidos com a cultura da erva-mate como para as demais parcelas da população. A partir desta data, contam-se 60 dias para manifestação de terceiros em relação ao pedido, permitindo então que o produto seja reconhecido como diferencial no mercado.

Ronaldo Toppel Filho, presidente da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus (IG-Mathe), destaca toda a luta em busca do selo, cuja “ideia partiu do SEBRAE, que fez uma pesquisa em todo o Paraná para descobrir quais produtos poderiam ser potenciais recebedores do selo de indicação geográfica no estado, que tivessem alguma caracterização histórica que, aliada à uma particularidade técnica se transforme em uma IG. A pesquisa teve início com 50 produtos, que com o avançar das fases da pesquisa caíram para 30. Entre todos esses produtos, o que teve mais destaque foi a erva de São Mateus”.

Ronaldo afirma que “há outros produtos que estão ainda em busca de identificação geográfica, que no caso são: a cachaça de Morretes, o mel de Ortigueira, a goiaba de Carlópolis, entre outros. Ao todo são dez produtos que recebem total suporte do SEBRAE para a conquista da IG”.

Em 2013, o SEBRAE entrou em contato com ervateiras da região para que começassem a se movimentar em busca do selo. No mesmo período começaram a ser proferidas palestras em Curitiba com o intuito de explicar o que é e como funcionaria o sistema para que os municípios conquistem a IG.

“Em dezembro de 2014, fizemos uma reunião na qual fundou-se a IG-Mathe, e qualquer pessoa pode se filiar, não apenas a população de São Mateus do Sul, mas qualquer ‘amigo da erva-mate’ pode se filiar. Desde então eu passei a ser o presidente da associação, que passará a ser a detentora da IG. Esse título é de toda a comunidade, mas quem fará a gerência desse selo é a associação”, diz Ronaldo.

Toda a parte técnica e burocrática do processo já foi aprovada no dia 11/10, que teve cerca de 1.600 páginas, com todo o contexto histórico da erva-mate em nosso município, com publicações com datação de mais de cem anos atrás onde já se fala especificamente da erva de São Mateus do Sul.

No processo, além das características históricas, são necessários também conceitos técnicos do produto em questão, como o clima, o solo, a umidade, a insolação, altitude, a genética da planta e, além disso tudo, a interação da erva com o material nativo. “A erva de IG precisa ter essencialmente todas essas características, sem poder entrar em contato com espécies de vegetação que não são nativas daqui. Se compararmos a erva atual com a de cem anos atrás, buscamos chegar nas características mais próximas das que tínhamos naquela época, a qual vem aliada com uma qualidade muito grande.

Vale lembrar que a erva só receberá o selo se for colhida nos meses de inverno, pois assim era feito pelos pioneiros”, ressalta Ronaldo, que “para o trabalhador produzir para a IG, ele precisa ter boas práticas agrícolas. Esse é um trabalho que foi desenvolvido do zero também com o apoio do SEBRAE. A princípio, no projeto piloto, capacitamos dez produtores a fazer todo o rastreamento do erval, onde qualquer atividade realizada nele deve ser anotada em um caderno de campo, seguindo toda a legislação, deve-se estar sempre dentro da legalidade”. Ronaldo ainda cita o exemplo do uso de herbicida, que “não é liberado para a erva-mate, portanto em um erval de IG não pode haver herbicida”. Ressalta ainda que para que o erval produza para o IG não pode haver trabalho infantil, pois isso confronta a lei, o que não é admitido pela associação.

Perspectiva econômica

Quando questionado sobre o contexto atual do mercado ervateira atual em São Mateus do Sul, Ronaldo explanou que “o mercado sempre tem altos e baixos, mas uma característica que sempre reparamos é que mesmo quando o preço está mais baixo – como está agora – a erva da nossa região é sempre mais valorizada do que a de outros lugares, ou seja, já conseguimos assim ter um diferencial de qualidade e de preço na erva que vendemos e queremos potencializar isso”.

Ao falar sobre a pesquisa feita pelo SEBRAE, Ronaldo lembra que “o Paraná todo acredita que a nossa erva é a melhor do mundo e por vezes nós mesmos não nos damos conta de que a nossa erva é diferenciada. Portanto, além de todo o trabalho técnico, é importante que haja a identificação das pessoas com nosso produto. Sabemos que a situação política e econômica nacional está complicada, mas temos a oportunidade com isso de desenvolver o turismo, desenvolver as pequenas propriedades, pois acredito que em mais de 90% das pequenas propriedades rurais de São Mateus haja o cultivo da erva-mate, então ela se tornará mais valorizada para todo mundo”.

Atualmente 95% da erva-mate é destinada à produção do chimarrão, portanto os 5% restantes dividem-se em várias áreas, como a fabricação de cervejas, refrigerantes, serve como matéria para a indústria de cosméticos e suplementos alimentares a partir da erva mate, entre outros vários campos. Fernando vê isso como uma vasta área a ser explorada para otimizar a produção realizada no município.

Novas possibilidades

Com a conquista da IG, abre-se um leque de novas perspectivas para o desenvolvimento do município, sobre elas “temos que tomar cuidado para não pularmos etapas, temos que garantir um desenvolvimento sustentável”, afirma o presidente Ronaldo. “Para termos uma ideia, o Vale dos Vinhedos [IG mais conhecida no Brasil], foi a primeira IG do país. Quando foi conquistada eles tinham um número de aproximadamente 40 mil visitantes por ano, hoje esse número é de 400 mil ao ano. Por isso ressalto que essa conquista não é restrita aos que trabalham diretamente com a produção e venda da erva, mas envolve toda a população”.

A associação pretende não apenas trabalhar na questão econômica, mas ampliar isso, ajudando na criação de uma identidade entre são-mateuenses e a erva mate, como o Chimarródromo, criado a partir de uma associação entre o Conselho do Jovem Empresário (Conjove) e a Prefeitura Municipal. Outro projeto que está em andamento ressaltado por Ronaldo é a Rota do Mate, onde as pessoas – residentes e turistas – podem ter a oportunidade de conhecer os ervais e comunidades que receberam apoio de desenvolvimento da Petrobras, onde é feito um chá colonial no percurso do passeio. Além de conhecer o processo de produção da erva-mate, o passeio também oferece a oportunidade de conhecer melhor a história do município, como as construções centenárias e o Marco dos Tropeiros.

A partir do dia 10 de dezembro o município estará apto a receber o selo, pois o processo de já está avançado até mesmo com produtos pré-elaborados. “Precisamos cada vez mais ressaltar as boas atividades em nossa terra. Antes a cidade só era citada na televisão quando acontecia algo ruim, hoje estamos conseguindo reverter esse quadro”, finaliza o presidente da associação.

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