Agente da vigilância sanitária coletando larvas do mosquito. (Fotos: Éber Deina/Gazeta Informativa)

A dengue é uma doença que está constantemente na pauta de discussões sobre saúde pública. Segundo o Instituto Oswaldo Cruz, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, é originário do Egito e vem se espalhando pelas regiões tropicais e subtropicais do planeta desde o século 16. Durante o período colonial e das grandes navegações, os navios que traficavam escravos disseminaram o mosquito pela Europa e pela América.

Dados levantados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) mostram que a primeira epidemia de dengue registrada na América do Sul ocorreu no Peru, no início do século 19. Na mesma época aconteceram surtos pelo Caribe, Estados Unidos e Venezuela. No Brasil, as primeiras incidências registradas datam do final do século 19, em Curitiba, e do início do século 20, em Niterói, no Rio de Janeiro. Em 1955, o Brasil chegou a erradicar o mosquito, mas o relaxamento das medidas de controle reintroduziu o vetor no território. Atualmente ele é encontrado em todos os estados brasileiros.

O que é a dengue e como ela é transmitida?

Os arbovírus (vírus originados em artrópodes) são os causadores da dengue. Segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras ela se apresenta em quatro tipos diferentes, dos quais todos circulam pelo Brasil e se intercalam na ocorrência de epidemias. Além de transmitir a dengue, os mosquitos da espécie Aedes também são responsáveis pela transmissão de chikungunya, febre amarela e zika.

Apenas as fêmeas do Aedes aegypti são capazes de transmitir doenças, uma vez que somente ela se alimenta de sangue. Esse tipo de alimentação é essencial para que ocorra o amadurecimento do folículo ovariano e possibilita a reprodução da espécie. O mosquito macho não pica, pois alimenta-se apenas de néctar.

Em terrenos baldios a presença do mosquito é menor, mas a vigilância sanitária também realiza a fiscalização desses locais.

O ciclo de vida dos indivíduos depende muito da água. É comum que os ovos sejam depositados em locais próximos a ela, como nas paredes de recipientes. Eles podem permanecer ali por dois anos e continuarem viáveis. A eclosão dos ovos ocorre quando o nível da água aumenta e os mesmos entram em contato direto com ela, iniciando a fase larval. Existe uma relação próxima entre a temperatura e os regimes de chuva de cada região. Em locais onde as estações secas e chuvosas são bem definidas, comumente os picos acontecem no verão, mas durante o frio, com menor intensidade, o mosquito continua se proliferando também.

Quais são os principais sintomas?

Segundo a Organização Mundial da Saúde a suspeita de dengue ocorre quando há febre alta (40ºC) acompanhada por pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náusea, vômito, inchaço nas glândulas e erupções na pele. A duração dos sintomas é geralmente entre 2 e 7 dias.

Alguns fatores podem transformar a dengue em uma situação mais grave. O vazamento de plasma, o acúmulo de líquidos, dificuldades respiratórias, hemorragias graves e a insuficiência de órgãos são alguns exemplos. Nesses casos, o sinal de alerta ocorre entre 3 e 7 dias após a manifestação dos primeiros sintomas. A temperatura corporal fica abaixo de 38ºC e as principais características são intensa dor abdominal, vômito persistente, respiração rápida, sangramento na gengiva, fadiga, inquietação e sangue no vômito. É necessária assistência médica adequada para evitar complicações e risco de morte.

Como prevenir?

A dengue é uma doença de proliferação predominantemente doméstica. De acordo com o Secretário da Saúde do Estado, Beto Preto, 90% dos focos da dengue encontrados estão nos domicílios. A responsabilidade pela prevenção cabe tanto ao cidadão quanto ao poder público. As medidas listadas abaixo contribuem para que epidemias como a vivida atualmente não ocorram:

  • Não deixe água parada.
  • Mantenha a caixa d’água sempre fechada e limpa.
  • Lave e troque a água dos bebedouros e animais de estimação.
  • Mantenha o quintal sempre limpo.
  • Permita sempre o acesso do Agente de Controle de Zoonoses da Vigilância Sanitária.

A epidemia de dengue no Brasil e no Paraná

Os dados mais atualizados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que nas sete primeiras semanas de 2020 houve 181.670 casos de dengue no Brasil. Esse número ainda pode aumentar, pois leva em consideração apenas os casos registrados até o dia 15 de fevereiro. Nas cinco primeiras semanas do ano anterior, 2019, eram 105 mil. Esses números são preliminares e devem ser alterados conforme a situação continuar ocorrendo.

Entulhos acumulados em quintais são o lar perfeito para os ovos do mosquito da dengue.

O último boletim da dengue (17/03) divulgado pela Secretaria da Saúde do Paraná confirmou 12 novos óbitos ocasionados pela doença. São 49 mortes no período epidemiológico que teve início em agosto de 2019. No total são 65.524 casos confirmados e 30% dos municípios em estado de epidemia. Ainda segundo a Secretaria, 357 municípios apresentarem notificações da doença, 285 têm casos confirmados e 147 estão em estado de epidemia. No total são 157.472 notificações para a dengue. A Sesa se preocupa não apenas com o número de casos em nosso estado, mas também com a situação dos pacientes. No Paraná, entre os quatro tipos da doença, o que tem se manifestado com maior frequência é a dengue de tipo 2, mais grave do que a comum e podendo provocar hemorragias.

A dengue em São Mateus do Sul

De acordo com informações disponibilizadas pela Vigilância Sanitária de São Mateus do Sul, praticamente todos os bairros, com exceção da Colônia Iguaçu, apresentam focos de larvas do mosquito em abundância. Segundo Nádila Kotrich, agente que atua pela Vigilância, ainda não existem casos da doença confirmados no município. “Ocorreram dois casos, mas eles vieram importados para a cidade. Os pacientes já haviam sido diagnosticados com dengue em Foz do Iguaçu.”

Um dos desafios mais recorrentes na atuação da Vigilância Sanitária é o número de agentes (cinco) para cobrir aproximadamente 14 mil imóveis. Os agentes também enfrentam algumas dificuldades para realizar as vistorias domiciliares. “O dever com o cuidado para evitar a dengue é de todos os cidadãos, a Vigilância Sanitária fiscaliza e busca fazer um trabalho de conscientização da população dentro dessa ideia”, salienta Nádila.

Serviço

Em caso de denúncia acerca de locais nos quais possa haver presença de larvas do mosquito da dengue, a Vigilância Sanitária de São Mateus do Sul recomenda a utilização do serviço de ouvidoria do município (via telefone 156) ou através do endereço eletrônico da prefeitura saomateusdosul.pr.gov.br/portal/servicos/414/Fale-com-o-Ouvidor

A Vigilância Sanitária funciona no Centro de Saúde, na Rua 21 de Setembro, 355, atendendo das 8h às 12h e das 13h às 17h. O telefone para informações é (42) 3912-7078. Também localizada no mesmo endereço, atua o setor de Epidemiologia, cujo telefone para contato é (42) 3912-7074. O horário de funcionamento da Epidemiologia é das 8h às 12h e das 13h às 17h.

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