(Imagem Ilustrativa)

No último sábado (9), marcou-se a passagem dos trinta anos da queda do Muro de Berlim. Sempre que uma data redonda dessas ocorre paramos para pensar sobre o fato. Seria mais natural que nos mantivéssemos atentos aos movimentos do mundo ao nosso redor.

A queda do Muro foi um alívio, pois serviu como marco para o fim da Guerra Fria, uma trégua entre as diferenças de pensamento entre o Capitalismo e o Socialismo.

Quem sabe construamos muros para esconder nossas vergonhas. Quem sabe os edifiquemos por não saber como lidar com nossas diferenças de modo “civilizado”, pois é claro que possuímos muito mais igualdades do que divergências.

O muro de Berlim caiu, mas quantos outros foram erguidos? Segundo reportagem do Jornal O Estado de São Paulo intitulada “Um fantasma ronda o Leste Europeu”, somados, os muros divisores existentes no planeta “se estendem por cerca de 40.000 quilômetros, o equivalente à circunferência da Terra”. Outros continuam sendo construídos ou ampliados, como por exemplo a fronteira entre o México e os Estados Unidos.

Muros tentam se tonar obstáculos, mas estão longe de ser a solução para a pobreza, a migração e o terrorismo, por exemplo. Para resolver os problemas globais precisamos mais de atitude, de ações. Não há muros instransponíveis, não há barreiras contra a informação, não há obstáculos para os ataques virtuais, não há proteção contra as armas disponíveis num mundo cada vez mais avançado tecnologicamente. A melhor forma de proteção é a união, a ajuda mútua.

No site da ONU, no tópico “A ONU e os refugiados” há uma declaração de que “um mundo pacífico e próspero é aquele no qual as pessoas podem se sentir seguras e protegidas em suas casas, com suas famílias e em suas comunidades. É um mundo no qual elas podem se sentir confiantes em seu país, com sua cultura e na família das nações e dos povos do nosso planeta.”

Assim, mais inteligente do que isolar o migrante é ajudar para que ele tenha condições de viver na sua própria terra, na sua pátria, de forma digna, sem precisar se deslocar e buscar abrigo.

E não é só o problema da migração. Em nosso próprio país temos que encarar de frente o problema da desigualdade. Lembro de uma das minhas aulas de sociologia na faculdade, há mais de 35 anos, onde nossa professora nos alertava que aqueles mais privilegiados, com maior poder aquisitivo e que poderiam decidir ou influenciar na melhoria da qualidade de vida da população, tentavam isolar a pobreza na periferia e viver num mundo de faz de conta. Não buscavam soluções para diminuir a miséria, a violência. A mestra afirmava quem um dia, este pequeno grupo de privilegiados seria cercado, engolido por essa massa ávida por igualdade e justiça.

No Brasil, quem mora numa cidade grande sabe o quanto é constrangedor ter que ficar preso, atrás das grades e portas, tentando fugir da insegurança que assombra as ruas.

Falamos de muros físicos. Quando olho as manchetes de nossos jornais, quando leio os posts nas redes sociais, percebo que também temos muros virtuais, criados pela intolerância. Buscamos a separação, a divisão, a segregação. Talvez estes sejam ainda mais cruéis que os físicos.

Ainda falando de datas redondas, o radicalismo nos levou a um outro grande e nefasto movimento. Há oitenta anos, em 1º de setembro de 1939, iniciou-se a Segunda Grande Guerra, com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista. Os conflitos deixam espaços que podem ser ocupados pelo extremismo, tanto a direita quanto à esquerda.

Neste mundo feito de ciclos, corremos o risco de experimentar tudo isso novamente, pois os habitantes deste mundo não têm memória, ou preferem não ter. Por isso os velhos fantasmas rondam o Leste Europeu e outras partes do planeta.

Adnelson Borges de Campos
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