Prédio centenário receberá uma rampa para dar acessibilidade. (Fotos: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

São Mateus do Sul vai ganhar o Museu da Erva Mathe, que será no prédio que é conhecido como Antigo Fórum e que abrigava até recentemente algumas secretarias ao lado do Paço Municipal.

O prédio que foi construído em 1922 para abrigar o Grupo Escolar São Matheus e que teve como uma de suas professoras, em 1932, Enedina Alves Marques (1932-1981), que viria a ser a primeira mulher a ter um curso superior no Paraná, a primeira engenheira civil de nosso estado e a primeira mulher negra a se graduar em engenharia civil no Brasil. O grupo escolar virou o Colégio São Mateus, que cedeu o espaço em 1952 para abrigar o Fórum de Justiça. Muitos júris e julgamentos foram realizados pela Justiça no prédio e também muitos casamentos, iniciando diversas famílias de nossa cidade.

Um prédio que possui muita história, sendo construído em forma de “U”, em volta do pátio em seu centro, um padrão para a época e, segundo informações de arquitetos especializados em restaurações, provavelmente um dos poucos exemplares do estilo ainda existente no Paraná. Até semanas atrás abrigava algumas secretarias municipais, que foram deslocadas para outros prédios para permitir os futuros trabalhos de restauros.

A entrada principal voltará a ser utilizada.

Necessidade de diversas obras para realizar o restauro do belo prédio.

Ilustração mostrando a fachada do Museu do Mathe.

No próximo ano, o prédio deverá ser ocupado pelo futuro Museu do Mathe e estará comemorando, juntamente com o Paço Municipal, seu centenário de construção, um momento ímpar na história de São Mateus do Sul.

O projeto está sendo elaborado pelo arquiteto e urbanista Ricardo Guth, da Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal. Além das obras de restauro do prédio, o projeto contemplará as instalações para receber o Museu do Mathe, esse belo destino ao centenário prédio. O museu, além da área conhecida do prédio, também terá a remodelação do espaço do subsolo, que abrigará salas de exposições, trabalhos e de reserva técnica do museu. Não apenas o prédio em si terá intervenção, mas todo seu entorno que receberá ações de arborização e paisagismo que valorizarão ainda mais todo o conjunto histórico arquitetônico ali contido, incluindo o Paço Municipal e a Praça do Carvalho.

O acervo que fará parte do futuro Museu do Mathe é o mesmo existente na Casa da Memória Padre Bauer, sendo integrado também o acervo que a Prefeitura Municipal recebeu e que pertencia ao antigo Museu da Erva Mate, que era da Ervateira Legendária da cidade da Lapa. Haverá salas para receber outras exposições itinerantes, ampliando as ações culturais em nossa cidade.

Todo esse processo que já está em curso não ficará apenas na restauração do prédio, contará também com o tombamento do prédio, que passará a ser patrimônio histórico do município, e quem sabe virá a ser patrimônio histórico estadual também. A importância histórica é evidente e seu tombamento se faz necessário para preservar os poucos prédios históricos existentes, visto que por falta de iniciativas já houve uma grande perda do patrimônio arquitetônico em nossa cidade, como a Casa dos Guimarães, que foi a nossa primeira construção em alvenaria e que resistiu até a alguns anos, quando foi demolida para dar lugar a um novo edifício, quando com ela se foi parte de identidade de nossa cidade.

O que é um tombamento?

A palavra tem origem portuguesa e significa fazer o registro de algum patrimônio em livros chamados tombo, que são específicos de órgãos do Estado. Assim, utilizamos a palavra no sentido de registrar algo de valor histórico para uma comunidade, protegendo-o por meio de lei. O tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público, seja ele municipal, estadual ou federal, existindo ainda a possibilidade de tombamento pela ONU para patrimônios de importância e interesse mundial.

Foto antiga do prédio que será o Museu do Mathe. (Foto: Prefeitura Municipal)

Esse tombamento e preservação podem ser para bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental para uma população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. O tombamento estabelece limites às vontades individuais que ameacem um bem de interesse público, com o objetivo de resguardar e garantir direitos e interesses do conjunto da sociedade.

A proteção do patrimônio ambiental urbano está diferentemente vinculada à melhoria da qualidade de vida da população, pois a preservação da memória e dos referenciais culturais é uma demanda social tão importante quanto qualquer outra a ser atendida pelo serviço público.

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