Educação e Cultura

Na roda de chimarrão

Dia 24 de abril foi comemorado o Dia do Chimarrão, então nada melhor que juntar os amigos para uma roda de chimarrão e muita conversa boa. (Fotos: Adeline S. Volochem)


A agropecuária Celeiro Shop, localizada na BR 476, em São Mateus do Sul, realizou dia 25 de abril, uma roda de chimarrão, onde reuniu várias pessoas que deliciaram-se com esta bebida, que é tradicional na região Sul do Brasil.

Além de clientes e moradores da região, estavam prestigiando a rodada de chimarrão, alguns proprietários de ervateiras locais, que apesar de serem concorrentes do estabelecimento, são grandes amigos.

A bióloga, mestre em Desenvolvimento Regional, Sabrina Sander, sócia proprietária do Celeiro Shop, fala um pouco sobre a empresa: “surgiu a ideia de abrir uma agropecuária com um cantinho que lembrasse a cultura e a tradição da nossa cidade, que é a erva-mate, então com isso nós fizemos um canto com mais de 50 tipos de erva-mate que nós comercializamos, tem desde erva-mate empacotada a erva-mate a granel, isso tudo para trazer a tradição pela nossa paixão pelo campo”, relata Sabrina.

A empresa também tem como sócio, Diogo Constanti, Gisleide Terres e Adriano Rodrigues.

O DIA DO CHIMARRÃO

Sobre o Dia do Chimarrão, Sabrina diz o seguinte: “Como também sou bem envolvida com a questão da erva-mate, até pela minha vida acadêmica, hoje São Mateus do Sul está se mobilizando para indicação geográfica da erva-mate. Surgiu então a ideia de estar fazendo alguns dias no ano uma rodada de chimarrão, como dia 24 é o Dia do Chimarrão, então resolvemos fazer dia 25 um encontro de amigos que lembrasse essa tradição e aproveitar o pinhão que está na época”, diz.

Conforme Sabrina, fazem 7 meses que a loja foi aberta, e já foram feitas várias rodadas de chimarrão no sábado, “às vezes alguns amigos vêm até a loja e tocam viola ou gaita, é muito divertido”, conta Sabrina.

O padre Silvano Surmacz também prestigiou esse encontro e comenta, “eu tomo chimarrão desde criança, o meu avô materno veio da Ucrânia e me criei juntamente com ele, que sempre tomava chimarrão, eu peguei esse hábito em família. Eu fico muito feliz em participar de um evento como este, que está sendo organizado pelo Celeiro em homenagem ao Dia do Chimarrão, fazendo assim com que essa cultura seja mais conhecida, sob tudo fazendo com que as pessoas ao redor do chimarrão grandeiem mais amigos. Todos na minha família tomam chimarrão menos o meu pai que não gosta de bebidas amargas.” Sobre São Mateus do Sul ser considerada a capital da erva-mate o padre Silvano diz: “Eu concordo plenamente que São Mateus do Sul é a capital da erva-mate, porque são dados que poucas pessoas conhecem, mas São Mateus do Sul é o maior produtor de erva-mate do Brasil”, finaliza.

SÃO MATEUS DO SUL E SUAS ERVATEIRAS

Luiz Fernando Toppel, proprietário da ervateira São Mateus, conta um pouco da sua história: “Quem fundou a empresa foi os meus pais, a mais de 40 anos, agora é só mercado interno, algum tempo atrás nós fazíamos exportação para o mercado externo, eu fabrico erva-mate São Mateus e o Chá Mate Indus. Nós estamos prestigiando o Celeiro que é uma empresa que divulga bastante às varias marcas de erva-mate, e como foi o dia do chimarrão, hoje dia (25) está promovendo uma mateada para reunir os amigos. A erva-mate é algo que tem que ser valorizado, é uma cultura que tem prospecção de futuro.”

Luiz Fernando conta que a paixão pelo chimarrão teve o incentivo da família. Ele dá sua opnião sobre a tradição de tomar chimarrão: “a gente sente dificuldade por que os mais jovens não tem muito esse hábito, outro pelo estilo de vida que nós temos hoje, antes era tudo mais simples, as pessoas ficavam mais em casa, hoje com essa vida atribulada todo mundo tem os seus afazeres e não tem muito tempo, o meu filho faz faculdade de agronomia, e por ser dessa área ele tomam chimarrão, mas é devido ao convívio dele com a cultura, outros jovens é mais difícil tomar chimarrão, você olha na avenida e não vê ninguém tomando chimarrão.”

Segundo informações de Luiz Fernando, a maior parte da erva-mate vendida no Rio Grande do Sul vem da nossa região, aqui há várias empresas que vendem para lá. “A nossa região é muito boa, a qualidade do nosso chimarrão é excelente. Nós estamos envolvidos em um projeto do IG (Indicação Geográfica) que estamos tentando fazer com que a nossa erva seja uma erva de qualidade com um selo, então nós estamos desenvolvendo um trabalho com a associação, vai ser uma coisa bem interessante, no futuro vai agregar bastante para a nossa cidade e para os produtores de erva-mate.

A ervateira Rei Verde tem a sua matriz em Erechim, no Rio Grande do Sul, Jairo Badalotti que trabalha há 13 anos como vendedor externo na ervateira conta mais sobre a ideia da Rei Verde vir se instalar em São Mateus do Sul: “A ideia de abrir a ervateira foi procurar ervais mais nativas, por que o Rio Grande do Sul possui muita erva-mate anexada com a lavoura fazendo a qualidade dela diminuir, e aqui em São Mateus do Sul nós descobrimos que a região tem bastante erva nativa anexada com pinheiro araucária, devido a essa qualidade a Rei Verde veio se instalar aqui, foi inaugurada no segundo semestre de 1999.”

Jairo é natural de Erechim, veio trabalhar na ervateira Rei Verde de São Mateus do Sul e sente-se em casa pela forte tradição da população do município tomar chimarrão. “Eu tive a influência de tomar chimarrão de casa, a partir dos 10 anos. O chimarrão não é mais daquela pessoa que veio do interior, hoje eu vejo que às pessoas da cidade também estão tomando bastante chimarrão, e cada vez mais novos, inclusive os meus filhos, tomam desde os 10 anos, o chimarrão está mais distribuído entre as classes. Sou gaúcho nascido em Erechim, aqui na região sul tem muita tradição gaúcha, se você falar em região sul os três estados parecem com o Rio Grande do Sul, e sobre o chimarrão as pessoas devem experimentar mais.”

Adão Staniszewski é dono da ervateira Taquaral: “abrimos a ervateira por que temos as plantas, e é uma forma de sobrevivência, há 20 anos nós mexemos com agricultura, daí então resolvemos abrir a fábrica da erva-mate, e fomos gostando e estamos há 20 anos fazendo chimarrão. A paixão pelo chimarrão é tradição de família! Acredito que hoje em dia se toma mais chimarrão porque se produz cada vez mais, temos tradições parecidas com às dos gaúchos, não é necessário ser gaúcho para gostar de chimarrão. A erva mate é muito importante para o desenvolvimento do município, e é uma fonte à mais de renda para a economia na parte agrícola”, conclui Adão.

Por Adeline S. Volochem

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