(Imagem Ilustrativa)

A violência contra a mulher é histórica e cultural, sendo naturalizadas as desigualdades de gênero. Somado à falta de informação, muitas vezes a mulher não percebe a situação pela qual passa. Estão previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher na Lei Maria da Penha: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

  • Violência física: Entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher.
  • Violência psicológica: Considerada qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.
  • Violência moral: Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
  • Violência sexual: Trata-se de qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar da relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.
  • Violência patrimonial: Entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

Na realidade, vivemos ainda um panorama cultural de uma sociedade patriarcal que legitima, banaliza, promove e silencia diante da violência contra a mulher. Voltados para isso e com uma definição dividida entre masculino e feminino, tendo forte associação de um lado com dominação e poder e o outro como submisso, ainda há a reprodução de comportamentos dominantes dentro de relacionamentos, o que gera a violência doméstica. Mudar essa mentalidade e combater os estereótipos de gênero é uma maneira de enfrentar e não tolerar mais esse tipo de agressão.

Até metade do século passado, a mulher era vista como a dona do lar, que cuidava dos afazeres domésticos e aguardava seu marido com camas prontas e alimento quente, além, claro, do trabalho de gerar e cuidar dos filhos, não sendo capaz de atuar fora disso. Atualmente, vemos a mulher conquistando o seu espaço na vida social, ainda que em passos lentos, sendo possível verificar avanços no desenvolvimento de políticas públicas de saúde e criação de órgãos governamentais para a proteção dos direitos das mulheres.

O relacionamento abusivo ocorre, geralmente, entre parceiros ou ex-parceiros que têm ou tiveram uma relação íntima. Dessa forma, o agressor conhece os comportamentos, hábitos, sentimentos e pontos frágeis da vítima, o que facilita na hora da manipulação. Geralmente, é pautado pela violência psicológica, a qual é considerada ainda mais frequente e comum do que a física, sendo capaz de gerar consequências nas vítimas, como quadros de fobia, ansiedade, depressão e, até mesmo, a ideação suicida.

Esse abuso emocional que ocorre em relacionamentos abusivos provoca sérios danos mentais, abalando a capacidade de raciocínio da vítima, o que dificulta a compreensão da perigosa situação na qual se encontra. Através de manipulações, a companheira passa a agir de acordo com a vontade do agressor. Importante ressaltar que o convívio social e as relações intra e interpessoais, assim como familiares, também são afetadas.

Ninguém quer se reconhecer vítima ou agressor, pois isso envolve culpa, medo e vergonha. Porém, esse é o primeiro passo rumo a uma vida saudável: identificar se você está em um relacionamento tóxico. Se o seu parceiro ou parceira te monitora, faz com que se sinta constrangido, tenta mudar sua forma de ser ou agir, não compreende os seus sentimentos e se importa apenas consigo mesmo, são sinais para que preste mais atenção. Em relacionamentos abusivos, no geral, há uma pessoa manipuladora, capaz de fazer o outro achar que sempre está com pensamentos errados e inferiores, além de fazer com que pense que não merece mais ninguém e que jamais receberá o mesmo “amor”.

A redação entrou em contato com uma pessoa que viveu em um relacionamento abusivo e, por respeito, o sigilo será mantido quanto a identidade.

“Estive casada por quase 6 anos. O abuso começou com ciúmes que pareciam normais, mas chegou ao ponto de eu não poder sair para trabalhar. Quando me dei conta, estava apanhando dentro de casa com minha filha de apenas 2 anos e meio vendo tudo… eu tentei desabafar com uma pessoa mas recebi críticas que diziam que eu deveria ter feito algo e isso piorou ainda mais a maneira como me sentia em relação àquilo, teve uma segunda pessoa para quem confessei que nem mesmo acreditou em mim. Passou mais 6 meses para eu, finalmente, abrir os olhos para o que acontecia e perceber que não estava certo. Tive ajuda da minha mãe na separação e passei por um momento de insegurança e depressão. Eu chorava todos os dias, por qualquer motivo. Quando me arrumava, sentia que era errado e me olhar no espelho era horrível… eu perdi meu amor próprio. Foi difícil, doloroso e demorado, mas eu consegui sair dessa fase. Eu voltei a me amar e, ao perceber que consegui me livrar daquele relacionamento, o sentimento de liberdade foi incrível.”

Rosana Ehlke Vistuba, psicóloga do CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de São Mateus do Sul, ensina como ajudar alguém que está preso dentro de um relacionamento tóxico, enfatizando que é necessário ouvir sem julgamentos, fazendo com que a pessoa possa confiar em seus sentimentos, sem a acusar ou fazer com que se sinta culpada pelo que acontece. Além disso, é importante orientar essa pessoa na procura de ajuda profissional.

A psicóloga também nos ajuda a entender o que é um relacionamento saudável:

“O verdadeiro relacionamento fará você se sentir uma pessoa inteira, te ajudando a proteger os seus sonhos. Qualquer pessoa que não apoie sua arte, sua vida, não é digna de seu tempo e de seu amor. Estar com pessoas reais que nos aqueçam, apoiem e elogiam a nossa criatividade é o melhor sinal de um amor verdadeiro”

Se você se identificou com algum dos sinais citados como abusivos, procure ajuda! Seja de amigos, familiares ou profissionais da área. Encontrando alguém de sua confiança, não precisa sentir medo, pode se abrir e explicar a situação. Se você se sente preso ou presa, nosso município possui o CREAS, que pode te auxiliar nesse momento. O número para contato é 42 3912-7112, sendo WhatsApp também.

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