Peças adquiridas de segunda mão. Jaqueta R$ 4 no bazar do hospital. Camisa R$ 9 em brechó na Vila Americana. Saia R$ 14 em brechó na Vila Prohmann. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando cheguei em casa com as minhas primeiras peças de brechó minha avó fez uma cara que até hoje não consigo esquecer. Eram duas calças baggy (aquelas de cós bem alto), que paguei 7 reais em cada. “Eu usava essas calças no meu tempo de moça”, disse a minha mãe, reforçando que as calças lá dos anos 80 não poderiam ser usadas nos tempos de hoje. No começo, confesso que fiquei envergonhada de sair pelas ruas com as minhas “novas” roupas de brechó, pois tinha receio do que as pessoas iam falar. Acho que esse é um dos nossos principais problemas né? A insegurança. Comprei as calças para ir em uma festa temática, mas só fui realmente usá-las meio ano depois, quando aos poucos fui percebendo que não havia problema algum em vestir algo que me fazia bem.

No dia que entrei em um brechó pela primeira vez senti que aquele lugar guardava muita história. “Mas lá só tem roupa de pessoa que já morreu”, é um dos inúmeros comentários que você escuta por aí referenciando brechós e bazares. Mas o que pouca gente sabe é da quantidade de riqueza e peças diferentes que são possíveis encontrar nesses ambientes. Muitas das peças que eu tenho de brechó são de marcas que não fabricam mais roupas, e sabe qual é o melhor disso tudo? É tentar imaginar os lugares que elas já passaram. As roupas formam a identidade desde sua criação, e é através delas que muitas pessoas se expressam em grupos de amigos.

Às vezes o cheirinho de roupa guardada pode te deixar incomodado. No começo também é possível que você não encontre a peça ideal que está procurando, mas o segredo disso tudo é ir com tempo para procurar realmente algo que venha de encontro com seu próprio jeito de se vestir.

Sejam vestidos, calças, camisetas, blusas e sapatos, quando você encontra peças de segunda mão além de economizar no bolso (pois os valores são bem acessíveis), é possível colaborar ambientalmente com o reaproveitamento das roupas. Bazares e brechós não são lugares para miseráveis como muita gente pensa. Ali é o ambiente certo para você que gosta e quer procurar algo diferente para vestir, pensando no bem sustentável sem fugir da qualidade.

Os brechós e bazares estão crescendo cada vez mais justamente por essa demanda envolvendo a conscientização ambiental. Em uma pesquisa rápida, podemos encontrar alguns dados que demonstram o processo de fabricação de roupa e sua decomposição. Você sabia que para se obter poliéster são necessários, por ano, em torno de 70 milhões de barris de petróleo, além de ser um material que leva um tempo de decomposição de mais de 200 anos? Já a viscose, fibra constituída de celulose, ocasiona o desmatamento de 70 milhões de árvores por ano. Para amenizar esses impactos, muitos ativistas ambientais utilizam a moda sustentável, que visa a fabricação ecológica e a compra sustentável em brechós, como um hábito de vida.

Lógico, não estou aqui para te fazer comprar apenas em brechós. Estou aqui para levantar a bandeira para que você olhe os brechós e bazares com outros olhos, e dessa forma também colabore com a doação ou até mesmo na troca e venda de peças que não usa mais. Se a roupa não é mais útil para você, ela poderá ser a menina dos olhos para quem encontrá-la nos brechós.

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