Artigo de Opinião

Não são as ruas que precisam ser acessíveis primeiro, mas sim as pessoas!

Falar de acessibilidade quando não se tem nenhum problema que dificulte sua locomoção ou comunicação com as pessoas na teoria parece fácil, mas na prática é algo completamente diferente.

Um dia desses vi uma mãe com um carrinho de bebê conversando com outra mãe que também estava na mesma situação, e falavam sobre como elas dão valor para uma rampa de acesso depois que tiveram filhos. Uma das principais reclamações ditas pelas mulheres é a dificuldade que elas têm de empurrar o carrinho pelas calçadas esburacadas, e brincando sobre quando conseguem uma rampa, disseram que o obstáculo para fazer uma manobra é pior que uma prova no Detran para tirar a carteira de motorista.

Mas como é realidade na maioria dos casos, os bebês crescem, e o carrinho que por eles eram usados, são deixados de lado. Infelizmente esse ciclo de crescer, aprender a caminhar e aposentar esse meio de locomoção não é realidade na vida de pessoas que têm dificuldades para caminhar, e necessitam de uma cadeira de rodas ou bengalas para continuar a sua vida com um pouco mais de “facilidade” e a possível “acessibilidade” que é tão esperada.

De acordo com o significado de acessibilidade umas das prioridades é o “fornecimento de condições às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, para a utilização com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços públicos ou coletivos”.

Mas essa teoria vai muito além, e não somos acessíveis quando saímos com pressa e “atropelamos” as pessoas que estão a nossa frente, não somos acessíveis quando reclamamos que o senhor que está atravessando a rua na frente do carro está muito devagar, não somos acessíveis quando pensamos em construir alguma edificação e esquecemos da igualdade de ir e vir e não valorizamos a acessibilidade das pessoas que têm a dificuldade que eu não tenho, esquecemos que deixar o carro “apenas 10 minutinhos” na vaga restrita pode dificultar a vida de alguém que realmente precisa daquele lugar.

Precisamos compreender que a acessibilidade não engloba apenas cadeirantes, mas sim, idosos, pessoas com deficiências visuais, com problemas de peso, mães empurrando seus filhos no carrinho, seja como for, precisamos ter a noção de que a dificuldade um dia pode se fazer presente em nossas vidas.

Se você tem a vontade de chegar ao seu destino da melhor maneira possível, pode ter certeza que não és o único.

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