Artigo de Opinião

Não seja um abutre!

Imagem Ilustrativa de como era realizada a técnica de Post Mortem.

Você já parou para pensar na importância do registro fotográfico? Hoje em dia estamos acostumados a fotografar com frequência momentos convenientes e que demonstrem o que estamos sentindo, observando e vivenciando. A praticidade em que smartphones capturam imagens, faz com que nos aproximemos cada vez mais da nossa memória fotográfica.

Mas antes a fotografia não era próxima dessa facilidade. A primeira foto registrada na história é do ano de 1826, e que precisou de 8 horas de exposição à luz para ganhar forma. Feita por Joseph Nicéphore Niépce, a imagem retratou a vista da janela de uma casa de campo em Niépce, na região de Borgonha, França.

Daí adiante, o homem observou a capacidade técnica e de demonstração de momentos que a foto remetia. A partir desse pensamento, o aperfeiçoamento em técnicas e equipamentos que retratassem cada vez mais a realidade do que estava sendo vivido foram sendo construídos.

Um dos ápices da fotografia mundial eram as imagens que retratavam as guerras. Fotos de campos após a batalha ainda ganham destaque na história da fotografia.

Uma curiosidade bastante peculiar é que antes, era bastante comum o profissional ser contratado para fotografar pessoas mortas como se elas ainda estivessem vivas. A Era Vitoriana, no século XIX, foi a época de destaque para esse tipo de fotografia. O objetivo do trabalho era homenagear e levar consigo a última imagem do ente querido falecido. Esse tipo de foto era chamada de Post-Mortem.

Para fazer o corpo ter aparência vívida, eram utilizadas várias técnicas. Dentre elas, a pintura de pálpebras após a impressão da foto e a utilização de maquiagem forte. Para fazer fotos em que o morto está em pé, eram utilizadas estacas de sustentação.

Os cenários eram bem elaborados, e na maioria das vezes, crianças eram retratadas como se estivessem adormecidas perto de seus brinquedos favoritos. Vale a pena destacar que a expectativa de vida no século XIX era bastante baixa, e em média, 57 de 100 crianças filhos de pais de classe média baixa, faleciam por diversos motivos de saúde.

Hoje, falar em foto de pessoas falecidas remete ao sentimento de dor e também receio. É mais fácil (e singelo) registrar a vida, do que trazer consigo a imagem de alguém que não está mais presente fisicamente no seu momento de despedida.

Acredito que toda essa evolução deve-se ao progresso do contato das pessoas com as formas de fotografar. Mas isso também não significa que fotos de pessoas mortas não sejam feitas, e isso é bastante diferente do Post-Mortem.

Na atualidade é “comum” e extremamente sensacionalista fotografias de acidentes e pessoas mortas pelo acontecido. Imagens de corpos desfigurados se espalham na mesma proporção em que os acidentes acontecem. E sabe o que é o mais desumano disso tudo? Que muitas vezes, esse tipo de imagem é a última lembrança que a família levará do ente querido. A família enlutada não escolhe, mas sim, é surpreendida com fotografias feitas por “abutres” que estão apenas atrás de repercussão.

O principal recado para essa semana é que as pessoas se coloquem no lugar daquelas que perderam o familiar/amigo por conta de uma tragédia. Não seja a percussora desse tipo de imagem, e principalmente, não seja o abutre que vive em busca de cadáveres.

Na imagem que ilustra esse artigo, temos a demonstração de como eram feitas o Post-Mortem, que simbolizava a última lembrança do ente querido.

 

Clique aqui e confira 35 imagens do Post-Mortem

 

Representação de como eram realizados o Post Mortem. (Imagem Ilustrativa)

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