Perfil

Nas ondas do rádio, escrevendo sua história!

Alô, alô amigo ouvinte: sintonize na frequência e vêm comigo nos embalos de minha história. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Humildade, camaradagem, simplicidade, sonhador, lutador, estas palavras definem singelamente o locutor Edinei da Cruz Kviatkowski, de apenas 25 anos, um jovem são-mateuense que é amante das transmissões de rádio e apaixonado pela cidade onde vive.

O quadro perfil do jornal Gazeta Informativa busca histórias de cidadãos comuns que de certa forma tem e dão sua contribuição para a formação e desenvolvimento de nossa sociedade, e a cada contato com estes entrevistados, vamos além de apenas transcrever os relatos de vida aos leitores, entramos a fundo nas histórias e nos emocionamos, e desta forma buscamos transparecer da melhor forma possível para os leitores se encantarem como nós, servindo como fonte de inspiração e reconhecimento. Na edição desta semana vamos conhecer este jovem que não mediu esforços para conquistar seus sonhos até aqui e comprometer-se a não fazer por menos daqui em diante.

Filho de Eugênio Kviatkowski (servente de pedreiro, de 59 anos) e Sirlei Aparecida da Cruz Kviatkowski (diarista, 53 anos), responsáveis pela formação cidadã de Edinei, dignos e honrados pelo exemplo de filho, que mesmo nas dificuldades jamais pouparam esforços para além de sustentar a casa, serem exemplos de pais que lutam e sonham juntos, ainda mais com filhos gêmeos. Sim, gêmeos! “Tenho irmão gêmeo desde que nasci, você acredita?” (risos). Fato desconhecido por muitos ouvintes do então radialista da rádio Novo Milênio. Edinei e Ednilson são gêmeos bivitelinos (que não são necessariamente idênticos), nascidos em 1992 e separados por longos 4 minutos de um nascimento para o outro, minutos estes que talvez tenham sido os responsáveis pelas inúmeras diferenças entre os irmãos. “Nossos gostos são completamente diferentes” garante Edinei.

Quem tem irmão gêmeo, minimamente pode entender o quão singular é a vida da dupla, e Edinei relata como foi bom crescer junto de seu irmão, mesmo nas adversidades. Quando seus pais os vestiam com roupas iguais e ambos tinham que receber os mesmos presentes para evitar brigas, “tínhamos de nos vestir igual, eu gostava mas meu irmão não gostava muito não, os brinquedos e roupas tinham de ser iguais”. E o melhor de ter um irmão gêmeo, além de confundir as pessoas, é poder sempre contar com seu par, mesmo sendo para copiar as tarefas, “sempre estudamos juntos e meu irmão copiava minhas tarefas, sempre fui caseiro, uma criança que ficava em casa estudando e meu irmão brincando de bola e bicicleta com os amigos, no final da tarde quando ele chegava em casa, copiava minhas tarefas que passei o dia fazendo”, conta.

Sua história na rádio Novo Milênio iniciou em 2006, como operador de som quando tinha apenas 14 anos, um convite que partiu do grande amigo Gamaliel Gomes de Lima, com a ajuda de Vilson Galeazzi e Zelia Galeazzi, que foram um dos fundadores da Novo Milênio. E quem o ensinou, pacientemente a operar todo o equipamento foi seu parceiro Sérgio Niesponginski, hoje diretor da rádio comunitária. Aos 15 anos formalizou seu primeiro emprego através do Programa de Aprendizagem e Convivência no Trabalho (PACTO), projeto oferecido na época pela instituição Adolescentro.

Mas a particularidade do jovem locutor nasceu anos antes, ainda enquanto criança, quando com uma laranja anexada a um pedaço de pau e uma canopla feita de papel e pintada com a logo de sua rádio, entrevistava todas as pessoas que chegavam em sua casa, por muitas vezes constrangendo os pais com perguntas às visitas, “qual é seu nome, sua idade, onde você mora?”, “sou o repórter Edinei”. Aos 8 anos, ganhou seu primeiro walkman (radinho a pilha com fone) e lhe surgiu a curiosidade de como era possível alguém a quilômetros de distância falar e chegar ali naquela caixinha, “sempre fui muito curioso e então aquela dúvida me aguçou e fui pesquisar na biblioteca, me deparei com termos complicados para uma criança naquela época, ondas eletromagnéticas, Mega Hertz (MHZ)”, aí nasceu sua aptidão em desmontar e montar produtos eletrônicos para entender seu funcionamento. “Com 11 anos montei uma antena de televisão com alguns fios e materiais que encontrei em minha casa e funcionou. Meu pai ficou louco achando que eu poderia estragar a TV.”

A partir disso, surgiu o seu interesse por rádios, “rádio é uma coisa legal” pensava aquela criança que residia na Vila Buaski e ficava o dia todo em casa, enquanto seus pais e sua irmã trabalhavam, e seu irmão brincava na rua, “eu tinha meu estúdio, um ‘toca discos’ era minha mesa de som, um ferro com um alto falante era meu microfone e um rádio, modelo antigo em forma de bolinha era meu toca CD, os quais eu roubava da minha irmã quando ela ia trabalhar”, assim amadureceu um sonho na expectativa daquela criança que diariamente, mesmo com sua voz fina decorrente da mudança de fase, normal para sua idade, brincava inocentemente com seu estúdio de rádio, onde ele mesmo com seus equipamentos improvisados gravava os comerciais, “eu pegava um calendário que tinha várias empresas e gravava como se fossem meus patrocinadores”, “num rádio eu tocava as músicas e em outro eu gravava as vinhetas de grandes rádios como a Fronteira (hoje Transamérica) e Pantera (atualmente Band), e quando entrava a vinheta destas rádios eu parava e gravava as minhas vinhetas – Rádio Frequência de Edinei Cruz, eu adaptava tudo na fita cassete”.

Ouvinte árduo da Rádio Mundi FM dos locutores, Tavinho Luck, Sandro Alex (hoje deputado federal) e Marcelo Rangel (hoje prefeito de Ponta Grossa) desde 2006, Edinei se inspirava no programa Padrão de Qualidade apresentado por eles, “foram referência pois sempre gostei do alto astral que eles passavam na rádio e neles me inspiro até hoje, procuro transmitir alegria, passar a emoção, espero algum dia poder conhecê-los!”.

Sempre incentivado na luta diária de seus pais, Edinei sonha em ter sua própria rádio ou trabalhar em uma grande rede de rádios. Inspirado em sua família e em sua frase motivadora: “Como eu quero estar daqui a 10 anos?”, o sonhador almeja ter sua família, mas enaltece que tem muito a amadurecer, “tenho apenas 25 anos e tenho muito a aprender”.

De um lado, o sonho, de outro o objetivo e em comum a garra! Caminhando com seus próprios pés e visando sempre o bem comum, Edinei demonstra que é de fato um super radialista e um super cidadão são-mateuense.

Os sonhos podem estar logo ali, lhe esperando e os objetivos, Deus é o encarregado de prover a seu favor, pois você merece rapaz.

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