Histórias de Terra e Céu

Nascimento e Morte das Estrelas

Fiquei alguns dias falando das “histórias da Terra” e já fui cobrado para abordar também aqui as “Histórias do Céu”. O leitor Luiz Stefanski, apaixonado por astronomia, me pediu para que falasse sobre o nascimento e a morte das estrelas. Embarque comigo nesta história!

Quando fazemos as palestras sobre astronomia nas comunidades mais carentes, envolvendo inclusive adultos que nunca tiveram oportunidade de aprender sobre os astros (e às vezes nunca pisaram numa escola), é muito legal ver as descobertas do tipo “Quer dizer que o Sol é uma estrela???” ou “Deus do céu, você tá dizendo que o Sol vai morrer um dia???”. Sim… O sol é uma estrela, e as estrelas nascem e morrem!

A vida das estrelas começa numa grande nuvem de gás e poeira, uma nebulosa (como a da imagem que ilustra esta coluna). Com o passar do tempo, as colisões de átomos nestas nuvens moleculares fazem com que a temperatura atinja milhões de graus. A nuvem vai se colapsando, como se todos os pontos encolhessem em direção ao centro, aumentando drasticamente a pressão e a densidade. Como essa nuvem é basicamente formada por hidrogênio, nestas condições extremas os átomos de hidrogênio se juntam, formando átomos de Hélio, liberando simultaneamente luz e calor. Essa é a primeira vez que a estrela brilha. Esse é o seu nascimento. É essa luz que vamos enxergar ao olhar para o céu.

Se você achar um local bem escuro para observar a noite, irá descobrir que existem estrelas de cores diferentes. Sim!!! E isso tem relação com a “idade” delas. As estrelas em geral nascem azuis. Com o passar dos anos vãoi ficando brancas, depois, na metade da vida, ficam amareladas, como o nosso Sol (que já tem 4,5 bilhões de anos). Por fim, as estrelas ficam alaranjadas e depois vermelhas, quando começam a agonizar.

Mas o “como” a estrela irá morrer dependerá do tamanho dela. Se ela for parecida com o sol, irá expandir as camadas externas virando uma gigante vermelha. E, na sequência, quando a estrela cessar as reações no núcleo, o mesmo se esfriará, e a camada externa será ejetada, surgindo uma nebulosa planetária e o núcleo se transformará em uma anã branca. Mas se a estrela for muito maior do que o sol, seu núcleo produzirá elementos ainda mais pesados, até um momento em que toda a camada externa despencará sobre o seu centro, gerando uma explosão, que criará uma “supernova”, uma estrela capaz de brilhar mais do que toda a galáxia. Esta supernova ainda se tornará uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

No futuro nosso Sol irá morrer, expandindo-se até a órbita de Marte, e devorando nossa Terra neste processo. Mas não se preocupe, amigo leitor, que isso ocorrerá daqui a cinco bilhões de anos. Antes disso, provavelmente, nós mesmos já teremos destruído o nosso lindo planeta.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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