Histórias de Terra e Céu

Nazistas em São Mateus

Olá amigos! É muito legal poder retomar nossos bate-papos semanais em uma nova coluna, aqui na Gazeta Informativa. Você deve ter notado que agora ela se chama “Histórias de Terra e Céu”, pois vamos alternar conversas sobre astronomia, como já fazíamos anteriormente, e conversas sobre o passado de nossa cidade. E o tema de hoje é a presença de Nazistas em São Mateus do Sul. Embarque comigo nesta história!

Na semana passada meu amigo Sandro, ao passar em frente a uma pizzaria daqui, viu que alguém havia desenhado no piso uma suástica. Eu tenho que imaginar que quem fez isso não tem qualquer conhecimento de história e não se dá conta dos milhões de assassinatos efetuados em nome daquele símbolo.

Mas quando falamos de nazismo, precisamos reconhecer que muitas vezes a história é contada de forma incorreta, como se não passasse de uma insanidade de Hitler, que teria usado um forte aparato militar para transformar sua loucura numa guerra mundial. Mas a verdade é que multidões apoiaram as ideias ultranacionalistas. E mesmo aqui, no Brasil, uma grande quantidade de pessoas apoiava estas ideias. O jornal “A Nação”, de 19 de maio de 1940, falava de “concentrações, passeatas, acampamentos (…)” ocorridos no Sul do Brasil em apoio ao Nazismo. E se você pensa que eram apenas alemães, veja o que o jornal diz: “Nas manifestações nazistas, não vimos só alemães, mas muitos que aqui nasceram e foram educados”.

E aqui em São Mateus? Sim, aqui também há vários relatos de nazistas. Já ouvi histórias de pessoas que defendiam os ideais da raça pura, tendo até armas reservadas para o momento em que a Alemanha vencesse a guerra e chegasse aqui do outro lado do oceano. Já estive na Água Branca vendo o túmulo de um nazista, que está enterrado naquele cemitério. Mas como uma imagem vale por mil palavras, minha maior evidência da presença nazista aqui encontra-se na foto que ilustra esta coluna. Trata-se de uma confraternização de uma família de posse, no final da década de 30. Na foto integral é possível ver um carro, três carroças, homens de gravata e muita carne, regada a cervejas. Mas o detalhe espetacular é a suástica nazista que enfeita uma das carroças.

Olhar para este passado e entender que o Nazismo encantava muita gente “boa”, serve para ficarmos alerta quando vemos pessoas “de bem” defendendo ideias do tipo “tem que matar tudo!” (e neste “tudo” podem estar políticos, gays, negros, feministas etc…). E não se iluda: este fanatismo pode ser encontrado na direita dos “Bolsonaros” ou na esquerda dos “Stalins”.

Fecho com o depoimento do meu amigo Cláudio Oscar Freitas, de Palhoça/SC, que tinha doze anos quando os nazistas invadiram a Polônia, matando e destruindo, e lembra das rádios de Porto Alegre tocando músicas de Chopin, num protesto triste. Que a nossa cidade, criada por poloneses, cujos patrícios sofreram tanto nas mãos nazistas, nunca mais sirva de local para estes ideais, nem para o aparecimento destas suásticas.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Últimos posts por Gerson Cesar Souza (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Brigando no altar: UFC São João do Triunfo!
Quando a Astronomia fez o “sertão virar mar”…
O Universo na sua estante (ou na sua tela)!