Área plantada é menor e produção tem indicativo de queda para a safra atual. (Fotos: Afubra)

A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) centraliza informações e discussões sobre a cadeia produtiva do tabaco no Brasil. Com sede em Santa Cruz do Sul (RS) onde fica o miolo logístico e financeiro do fumo brasileiro, a entidade atua em questões como debate e divulgação de preços e na representatividade frente aos fumicultores do país, focando a região Sul.

A primeira estimativa para a safra de tabaco 2020/2021 é de 606.952 toneladas, somado Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Indicando a redução de 4% comparado à safra passada, que fechou em 633.021 toneladas. A área plantada é 6% menor: passando de 290.397 para 273.356 hectares, com expectativa de produtividade de 2.220 kg/ha, que pode sofrer alterações, dependendo do clima.

O presidente da Afubra, Benício Albano Werner, explica de que forma a entidade chega a estes números de estimativa. “Temos, em nosso Sistema Mútuo, o número de pés inscritos, por tipo de tabaco. A estes números, soma-se o percentual dos produtores que não estão inscritos no Sistema. O último percentual usado é o de produtores que plantam a mais ou a menos que o inscrito. Estes três fatores nos dão a área plantada”.

Negociação de preço

“Nossa equipe de campo terminou a pesquisa do custo de produção no dia 30 de novembro e agora está apurando os resultados. Somos criticados por não termos o preço do tabaco antes, talvez até no período da semeadura dos canteiros”, aponta o presidente. A partir destes dados em mão, nesta semana, uma reunião entre entidades representativas do meio rural, Afubra e empresas, negocia os valores.

Esta negociação só é realizada neste período porque leva em conta uma planilha de gastos para produzir o fumo. “Porém, optamos por não fazer no início do plantio da safra o custo de produção pois, o que mais impacta é a mão de obra (56%) e essa é usada, principalmente, no período da colheita, quando o valor dela é mais elevado. Por isso, só temos o custo de produção em dezembro”.

Benício Werner – 1° da esquerda para a direita – durante reunião online sobre o fumo no mundo,
com a Associação Internacional de Produtores.

Finalizado este cálculo, as Federações dos Sindicatos Rurais (Farsul, Faesc e Faep) e Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep), juntamente com a Afubra, debatem sobre o reajuste do preço do tabaco. Em seguida são marcadas reuniões com as empresas fumageiras. “Por causa da Covid-19 teremos que fazer a negociação virtualmente”, ressalta Benício Werner.

Mercado durante a pandemia

“A Euromonitor, que desenvolve este estudo de acompanhamento do consumo, vê uma insegurança nessa projeção de queda, pois a pandemia da Covid-19 não permite projetar um consumo de cigarros estatisticamente como em anos anteriores. Há uma estimativa de 3,7% de queda no consumo de cigarros a nível mundial”, explica o presidente da Afubra sobre o cenário de mercado.

Há o fator asiático, neste contexto, que mexe com a avaliação de mercado do tabaco no mundo. “Excluindo-se a China, o percentual de consumo cai para 5,6%. Então, o mercado chinês ainda segura o consumo, evitando uma maior queda”, acrescente. Estas informações demonstram que a postura mundial que adotar o país exerce relação de influencia na compra e valorização do produto brasileiro.

Mas, tendo o alerta sobre manter as áreas atuais. “De forma alguma podemos pensar em ampliar a produção, esperando uma demanda maior de mercado mundial de tabaco, pois todos os indicadores mostram queda no consumo de cigarros. E, como nosso produto tem um destino só, que é o consumo de cigarros, não podemos, de forma alguma, em aumento de área e de produção”, frisa Benício Werner.

Antecipação da compra

“Excepcionalmente, para a safra 2020/2021”, conforme a entidade, algumas empresas iniciaram a compra em dezembro. “A solicitação foi uma iniciativa da Afubra com o apoio das Federações. Também se destaca o empenho do deputado Emerson Bacil que, por meio da Assembleia Legislativa/PR, organizou uma videoconferência com as entidades representativas dos produtores”, afirma o presidente.

Benício Werner relata que nesta agenda organizada por Emerson Bacil, com participação da Afubra e Federações dos Sindicatos Rurais (Farsul, Faesc e Faep) e Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) e empresas, foi falado sobre os preços pagos ao produtor, não comercialização de excedentes de produção e cobrado o posicionamento das fumageiras.

O presidente da Afubra ressalta a participação do deputado paranaense nos debates promovidos nos estados catarinense e gaúcho, dentro desta mesma temática. “Também teve duas participações em reuniões organizadas pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, relata sobre o acompanhamento de Bacil nestas tratativas referentes ao comércio e preço do fumo.

De certa forma esta mobilização ajudou para antecipar a compra e as empresas iniciaram o recebimento do tabaco já em dezembro. “A JTI Processadora de Tabaco informou que, excepcionalmente para a safra 2020/2021, iniciou a compra do tabaco da variedade Virgínia no dia 1º de dezembro, nos três Estados do Sul do Brasil”, afirma Werner sobre a empresa que recebe o tabaco em São Mateus do Sul.

Além das empresas que anteciparam a abertura da compra, em que o agricultor tem o produto transportado a partir da propriedade e acompanha a negociação do preço na fumageira, outras dizem estar prontas em prestar assistência aos chamados produtores integrados, dentre das suas necessidades. O fumicultor assina contrato para garantir a venda conforme estimada frente à área plantada.

Fato que a Afubra comemora, por ter êxito nesta tratativa e antecipação do comércio. “Ficamos muito satisfeitos com as empresas que atenderam nosso pedido de iniciar a compra ainda em 2020 e orientamos os produtores que entrem em contato com seus orientadores para organizar as suas vendas e também o auxílio necessário nas questões financeiras”, finaliza o presidente Benício Werner.

Sidnei Muran

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