Com o aumento da separação inadequada dos resíduos, saiba o que pode ser reciclável. A Cooperativa de Materiais Recicláveis (Cosamar) recebe os materiais recicláveis de todo o município, mas a realidade dos materiais que chegam até o local não é como esperado. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Você separa o lixo comum do reciclável? Saiba que todo esse método pode colaborar tanto para o meio ambiente quanto para o sustento de dezenas de famílias são-mateuenses, que tiram da Cooperativa de Materiais Recicláveis (Cosamar) toda a sua renda mensal.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pela coleta de materiais comuns (resíduos orgânicos e não recicláveis) e a seletiva (resíduos sólidos que podem ser reciclados), com o passar dos anos os moradores do município estão deixando de separar corretamente todos esses materiais, decaindo o valor da produção da Cosamar. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a preservação ambiental começa com pequenas atitudes diárias, que fazem toda a diferença. Uma das mais importantes é a reciclagem do lixo.

Os benefícios da coleta seletiva são inúmeros, dentre eles: a reciclagem de materiais que muitas vezes são considerados descartáveis, a redução da extração de recursos naturais, minimização da poluição do solo, água e ar e a geração de emprego e renda por sua comercialização. Em todos os bairros de São Mateus do Sul, a coleta de materiais orgânicos acontece três vezes na semana, e a de materiais recicláveis ocorro cinco vezes na semana no centro comercial e uma vez na semana nos demais bairros. A Prefeitura Municipal possui uma parceria com a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), e todo resíduo orgânico do município é destinado para as minas já exploradas pela companhia. Os resíduos recicláveis são destinados a Cosamar, localizada no bairro Jardim São Joaquim.

A equipe da Gazeta Informativa foi até a Cosamar, e os colaboradores mencionaram que um dos principais problemas enfrentados por eles durante o trabalho manual é a mistura de fraldas descartáveis, papel higiênico e demais materiais dispostos indevidamente. Esse mesmo problema também acontece no momento da destinação dos orgânicos até a SIX, onde pode ser encontrado materiais como plástico e papel junto de restos de alimentos.

A coleta em São Mateus do Sul

De acordo com pesquisa realizada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) revelou que em 2016, 1.055 dos 5.570 municípios brasileiros possuíam sistema de coleta seletiva implementado, o que corresponde a uma cobertura de apenas 18%. “A população tem uma grande parcela de responsabilidade no sucesso da coleta seletiva, pois precisa fazer a separação na origem. A simples separação de materiais secos e úmidos em casa já basta, pois a triagem mais específica como das embalagens mistas é realizada na Cooperativa de reciclagem”, explica a Secretaria de Meio Ambiente.

Toda a área rural do município também tem a prestação de serviço de coleta seletiva uma vez por mês. Atualmente a população da área rural também consome e gera bastante material reciclável como embalagens plásticas.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente ressalta que está trabalhando em conjunto com a população para que o processo de separação de lixo realizado na origem, ou seja, dentro de nossas casas, seja mais eficiente. “Pedimos para que toda a população realize a separação do lixo úmido e lixo seco e que sejam cumpridas à risca as datas para retirada de cada tipo de resíduo (orgânicos e recicláveis) conforme cronograma divulgado, evitando que haja mistura dos mesmos. Juntos podemos melhorar cada dia mais!”

O que é reciclável?

Segundo o MMA, é reciclável todo o resíduo descartado que constitui interesse de transformação de partes ou o seu todo. Esses materiais poderão retornar à cadeia produtiva para virar o mesmo produto ou produtos diferentes dos originais, como por exemplo: folhas de papel, jornais, revistas, caixas de papelão, garrafas pet, recipientes de limpeza, latas de refrigerante e cerveja, canos, esquadrilhas, arame, todos os produtos eletroeletrônicos e seus componentes, embalagens em geral e outros.

Como reciclar adequadamente?

Não misture recicláveis com orgânicos (sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes). Coloque plásticos, vidros, metais e papéis em sacos separados. Lave as embalagens do tipo longa vida, latas, garrafas e frascos de vidro e plástico. Seque-os antes de depositar nos coletores.

Os papéis devem estar secos. Podem ser dobrados, mas não amassados. Embrulhe vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso (do tipo jornal) ou colocados em uma caixa para evitar acidentes. Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.

O que não vai para o lixo reciclável?

Papel-carbono, etiqueta adesiva, fita crepe, guardanapos, fotografias, filtro de cigarros, papéis sujos, papéis sanitários, copos de papel. Cabos de panela e tomadas. Clipes, grampos, esponjas de aço, canos. Espelhos, cristais, cerâmicas, porcelana. Pilhas e baterias de celular devem ser devolvidas aos fabricantes ou depositadas em coletores específicos.

E as embalagens mistas: feitas de plástico e metal, metal e vidro e papel e metal?

Nas compras, prefira embalagens mais simples. Mas, se não tiver opção, desmonte-a separando as partes de metal, plástico e vidro e deposite-as nos coletores apropriados. No caso de cartelas de comprimidos, é difícil desgrudar o plástico do papel metalizado, então descarte-as junto com os plásticos. Faça o mesmo com bandejas de isopor, que viram matéria-prima para blocos da construção civil.

Dica sobre os recicláveis

O são-mateuense Cláudio Polinski separa os materiais recicláveis em sua residência.

Papéis: todos os tipos são recicláveis, inclusive caixas do tipo longa-vida e de papelão. Não recicle papel com material orgânico, como caixas de pizza cheias de gordura, pontas de cigarro, fitas adesivas, fotografias, papéis sanitários e papel-carbono.

Plásticos: 90% do lixo produzido no mundo são à base de plástico. Por isso, esse material merece uma atenção especial. Recicle sacos de supermercados, garrafas de refrigerante (pet), tampinhas e até brinquedos quebrados.

Vidros: quando limpos e secos, todos são recicláveis, exceto lâmpadas, cristais, espelhos, vidros de automóveis ou temperados, cerâmica e porcelana.

Metais: além de todos os tipos de latas de alumínio, é possível reciclar tampinhas, pregos e parafusos. Atenção: clipes, grampos, canos e esponjas de aço devem ficar de fora.

Isopor: Ao contrário do que muita gente pensa, o isopor é reciclável. No entanto, esse processo não é economicamente viável. Por isso, é importante usar o isopor de diversas formas e evitar ao máximo o seu desperdício.

Quando tiver que jogar fora, coloque na lata de plásticos. Algumas empresas transformam em matéria-prima para blocos de construção civil.

Para Cláudio Polinski, de 72 anos, a separação do lixo já faz parte de sua rotina diária. “Sem falar que os restos de alimentos também podem ser reutilizados. Em nossa casa usamos algumas cascas de frutas e verduras como adubo na horta, que também colabora nessa atitude ambiental”, diz.
Ele leva apenas alguns minutos para a lavagem dos resíduos recicláveis e para a separação correta. “Precisamos entender que não gastamos tanto tempo para um bem que mudará toda uma realidade.”

Empresa com selo ambiental realiza parceria com entidades são-mateuenses para o descarte adequado dos resíduos

Lixeiras distribuídas pela Microxisto em entidades de São Mateus do Sul.

A Microxisto, responsável pela produção de fertilizantes com base no extrato do xisto, possui a certificação ambiental da ISO 14001, que traz como benefícios a formulação de uma política ambiental que favorece o equilíbrio entre a proteção ambiental e as necessidades socioeconômicas, fornecendo um mecanismo de gestão ambiental adequado.

Além de trabalhar diretamente com a preservação dos recursos ambientais com funcionários, a Microxisto também é parceira de entidades são-mateuenses nesse assunto. A empresa faz a doação de recipientes, identificados com as cores padrões dos resíduos, incentivando a educação ambiental e a separação adequada dos materiais.

De acordo com a equipe, esse trabalho iniciou através do projeto da Microxisto junto do Serviço Social da Indústria (SESI), e já foram distribuídas lixeiras para a Prefeitura Municipal, brigada militar, delegacia, feira livre do produtor e em todas as salas de aula do Colégio Estadual São Mateus. Além de ser uma empresa referência em São Mateus do Sul pela certificação ambiental, a Microxisto incentiva a produção sustentável em toda sua produção, que trabalha com reaproveitamento de água, economia de energia e a educação ambiental de toda a equipe.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
A conscientização vem de nós
IAP aplica mais de R$ 120 mil em multas por desmatamento em São Mateus do Sul
Avançam estudos técnicos para arborização urbana em São Mateus do Sul

Deixe seu comentário

*