Histórias de Terra e Céu

Nobre porcelana sobre a seda azul

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Em toda a história da Humanidade, nenhum astro despertou tanta paixão no homem quanto a Lua. Ela inspirou poetas, embalou romances, virou tema de músicas etc… Talvez você se pergunte o motivo de toda esta paixão… Se os homens querem beleza, seria mais natural se apaixonarem por Saturno, com seus lindos anéis. Se os homens querem grandiosidade, seria esperado que amassem o gigante Júpiter. Se os homens querem brilho, seria mais compreensível que amassem o Sol. Acontece, amigo leitor, que o amor não está no brilho, nem na grandiosidade, nem na beleza… O amor se faz de proximidade, de fidelidade, e de sentir-se parte do outro… E nisso a Lua é imbatível, como vou lhe mostrar!

A Lua vence em “proximidade” por ser o astro que está mais perto da Terra. São apenas 384 mil quilômetros de distância (o que, em astronomia, não é nada!). É tão próxima que é o único objeto do céu que permite ver a olho nu características da superfície. Aquelas partes acinzentadas, por exemplo, são os famosos mares da lua. Receberam este nome porque as pessoas achavam que havia água neles (mas era apenas lava vulcânica!). E um destes mares, o Mar da Tranquilidade, foi o local do pouso da Apollo 11, nave que levou o homem a pisar pela primeira vez na Lua, em 20 de julho de 1969.

A Lua vence em “fidelidade”, pois está com a Terra há 4,5 bilhões de anos, tendo enfrentado com nosso planeta os momentos mais difíceis do Universo jovem, quando fomos bombardeados por pedregulhos espaciais, que deixaram na face do nosso satélite, marcas na forma de milhares de crateras.

A Lua também vence em “sentir-se parte do outro” por ter nascido de um “parto” da Terra. Sim, a hipótese mais aceita para a criação da Lua é a de que houve um gigantesco impacto quando nosso planeta mal havia se formado. Um objeto do tamanho de Marte (chamado Theia) colidiu com a Terra, projetando pedaços de nosso planeta para a órbita. Estes pedaços se aglutinaram e formaram a bela Lua que temos.

Teremos muitas outras conversas sobre a Lua, mas quero aproveitar para agradecer os leitores e amigos que me enviaram fotos da lua, atendendo ao apelo da semana passada. Recebi fotos tiradas nas cidades de São Mateus do Sul, Curitiba, Cachoeirinha, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Mas também vieram fotos do exterior, como as tiradas no deserto do Atacama (Chile), em Aruba e na Austrália. Irei usando-as conforme for falando da Lua em outras oportunidades, sempre citando os amigos que enviaram. Mas, para ilustrar esta primeira coluna na versão impressa da Gazeta Informativa, escolhi a foto que Jurg Peter e Lia Volpato me enviaram de Agra, na Índia. Nela identifiquei o Mar da Tranquilidade e o Mar das Crises (que é uma boa referência por ter o tamanho do Paraná).

Agora tenho que parar de escrever, pois preciso ir lá fora olhar a Lua ou, como diria Caetano Veloso, a “nobre porcelana sobre a seda azul”! No próximo bate-papo darei a dica sobre um curso de astronomia gratuito, e também contarei quem são os “donos” dos dias da semana!

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Astrônomo Amador
gersoncesarsouza@gmail.com

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