Hermínia, Silvina, Amália, Lavínia, Margarida, Jadviga, Suzana, Elvira, Edmée, Maria, Jovina, Idalina, Amélia, Leonor, Olivina. Nomes antigos, não é mesmo? Não são apenas nomes, estas mulheres existiram de verdade e eram são-mateuenses. Em caligrafia miúda, desenhada e delicada, marcaram com seus nomes, um certo livro, importante para as ações governamentais do município. Certo é, que existiram como pessoas; apenas ficaram invisíveis nos documentos oficiais, onde o contexto histórico da época, era marcado pelo domínio masculino nas atividades públicas e principalmente políticas.

Com a presença de autoridades, banda musical e um certo número de pessoas, aconteceu em uma sala da Câmara Municipal de São Mateus do Sul um evento que ficou para a história do município. Era uma sexta feira, às 15 horas da tarde, do dia 14 de julho de 1911. Registrou-se pela primeira vez no livro de Atas da Câmara, o nome de uma mulher são-mateuense. Ela era professora e juntamente com outras mulheres, assinaram seus nomes, no referido livro. Era um ato solene, para inaugurar o retrato do senador Generoso Marques dos Santos (1844-1925).

O evento realizado em data histórica de 14 de julho (Tomada da Bastilha, 1789) foi enaltecido pelo orador que falou sobre a data e os feitos do homenageado, principalmente para São Mateus do Sul. Generoso Marques dos Santos foi patrono do município. Este foi um dos períodos no Brasil (1911), marcado pelo esforço das elites de se modernizarem, principalmente com inspirações francesas, talvez por este motivo a escolha da data para o evento. A relevância está no fato de que, até então, o primeiro livro de Ata da Câmara do município, só continha o nome de homens. A professora Isaura Torres da Cruz estava presente no evento com seus alunos. Ela foi a primeira mulher a assinar o livro e ser mencionada nele.

Encontrar registros históricos de mulheres, não é tarefa fácil. Mas esta fonte, com certeza, proporciona maior visibilidade histórica, para nossas mulheres são-mateuenses. Ainda assim, este foi um grupo seleto de mulheres, que possivelmente faziam parte da elite local e acompanhavam os maridos (uma parte, pelo menos). Podemos supor que a professora Isaura, naquele momento, pode assinar seu nome, muito mais em razão da profissão, do que por sua condição de mulher. Mas, já foi um começo. Afinal, “elas” sempre estiveram lá!

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