Prismas

Nossa opção pelo rodoviarismo

Imagem Ilustrativa

Com certeza a maioria de vocês já enfrentou o desafio, a aventura de usar algumas de nossas rodovias. Basta passar alguns instantes no trevo próximo do Posto Triângulo para perceber o movimento intenso de caminhões e pequenos veículos e a importância dessas estradas para a economia local, regional e nacional.

É claro que as condições atuais são melhores que as da década de 1950, por exemplo, mas a estrutura rodoviária e as condições de trafegabilidade deveriam ser melhores.

Embora o rodoviarismo viesse sendo discutido desde o início do Século XX, foi no Governo JK (1956-1961), com a definição do Plano de Metas, que fizemos a opção pelo modelo rodoviário. Selamos ali o destino de nossas ferrovias, abandonando-as. Seria lógico, então, investir em rodovias. O fizemos durante alguns anos. Mas se pararmos para avaliar, vamos perceber que as rodovias federais construídas, por exemplo, são basicamente as mesmas implantadas durante as décadas de 1960-1970, projetadas para o trânsito daquele momento do País. Mesmo assim, com manutenção deficiente, com pouca fiscalização, o que desgasta ainda mais nossas pistas.

Mas se obras de infraestrutura são essenciais para o desenvolvimento econômico e se sem desenvolvimento econômico não há maior geração de renda e consequente melhoria da qualidade de vida da população, por que não investimos nessa infraestrutura?

Talvez seja porque não temos em nosso país, em nossos estados, estruturas formadas para garantir a visão de futuro, um plano estratégico. Quem sabe as decisões tomadas sejam apenas políticas, não técnicas. É lógico que há bons exemplos, como as rodovias estaduais em São Paulo.

Certa vez voei ao lado de um técnico do Ministério do Planejamento (nome à época) e ele confessou que se frustrava com o seu trabalho. Preparavam estudos baseados em viabilidade técnica e econômica, com vistas a geração de riquezas e de atendimento das necessidades da população, porém, as decisões, importantes para o país e que impactariam significativamente os cofres públicos ao longo de anos, eram tomadas não em reuniões sérias e pautadas em fatos e dados, mas em cafezinhos ou reuniões em bares e restaurantes entre “aliados políticos”, para não usar o termo empregado pelo meu companheiro momentâneo de viagem.

Enquanto governos se pautarem pela fisiologia, para garantir a permanência no poder e não pelo verdadeiro interesse público, já que os governantes têm mais defendido os interesses privados que garantiram suas abastadas campanhas eleitorais, as soluções para o país continuarão acontecendo por soluços e o Brasil, um país com um grande potencial econômico permanecerá defasado em relação aos melhores países do mundo.

Tomemos como exemplo a União Europeia. Países como Portugal e Espanha tiveram que passar por investimentos em estrutura de base para tentar se equiparar aos demais países, para uniformidade no bloco. É claro que somos diferentes, um país continental com muitas desigualdades, mas precisamos começar a desfazê-las. Talvez tenhamos que recomeçar.

Quando você constrói a sua casa, é preciso um bom alicerce, sob penas de surgirem rachaduras ou até um desabamento. De nada adianta os serviços de um bom pintor, de um excelente azulejista ou do trabalho de um exímio colocador de papel de parede se a casa começar a ruir. Se isto acontece, é preciso que você volte e refaça a sua base, reforce seus alicerces, para depois retomar o seu acabamento. Isto também vale para um país também que deseja crescer.

Até que uma nova política governamental séria se instale, continuaremos a arriscar nossas vidas em rodovias esburacadas, mal sinalizadas e com tráfego cada vez mais intenso. Além disso, pagaremos mais pelas mercadorias que nelas circulam.

Adnelson Borges de Campos
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