(Imagem Ilustrativa)

Ainda no finalzinho de 2021, deparei-me com uma tirinha nas redes sociais. Nela uma menina pergunta sobre o que o novo ano irá nos trazer e a resposta contém uma perspectiva otimista e bem humana, apesar de ser dita por um personagem de quatro patas: “365 oportunidades”. Se estávamos propensos a ler algo mirabolante ou, dependendo do nosso estado de espírito, palavras pessimistas, seremos surpreendidos pela simplicidade dessa resposta que apenas nos lembra do óbvio, que a cada novo dia, todos temos à disposição um novo recomeço.

É normal fixarmos metas para um ano que se inicia: acordar mais cedo, perder peso, largar um vício, iniciar uma atividade física. Mas, também é humano sermos vencidos em nossas resoluções saudáveis prometidas na virada, seja pela nossa rotina atribulada ou por alguma desculpa bem elaborada. A raiz dessa fraqueza, talvez, esteja no fato de termos definido apenas um ou mais objetivos, mas que estão descolados de um grande propósito que norteie a missão das nossas vidas. Como nas empresas bem geridas, em que a missão define o motivo da sua existência e os objetivos convergem para cumpri-la, também precisamos dar um grande sentido ao porquê de estarmos neste mundo e ao porquê de fazermos o que fazemos. Aquele propósito que tudo ilumina e que nos fará levantar da cama seja a hora que for para perseguirmos o grande ideal de nossas vidas, cientes que vivenciaremos não apenas alegrias, mas também dificuldades e tristezas, porém enfrentadas com mais serenidade.

Sem querer ser clichê quando somos assolados por tantas mensagens de motivação, vale refletir que conhecer o nosso propósito de vida nos ajuda a alcançar algo extraordinário, seja um sonho de infância ou um estilo de vida adotado. Nos ajuda a responder aquelas perguntas existenciais que todos já fizemos em algum momento da vida: “de onde viemos, o que somos e para onde vamos?”. Nas palavras de Jordán Bruno Genta, filósofo e sociólogo argentino, encontramos, por exemplo, o sentido da vida deste autor quando ele escreve que “a causa primeira e o fim último de cada pessoa humana é Deus; quer dizer que vem de Deus e vai para Deus, que é a sua meta definida e definitiva”. Para ele, toda a sua carreira de estudo, ensino e obras, estava pautada num grande propósito que transcende esta vida até a eternidade. Para uma professora, quem sabe, o seu grande propósito esteja em formar uma sábia geração e que irá, por sua vez, construir um país de valores claros, num tempo em que ela própria possa não testemunhar os frutos do seu trabalho e que, por isso mesmo, vai muito além do ensino das disciplinas. Ou ainda, para um enfermeiro, a sua missão seja arrancar sorrisos dos enfermos de quem cuida, para que a dor interna seja abrandada, algo muito além das tarefas diárias como refazer os curativos ou administrar medicamentos.

Haverá dias em que nem tudo irá acontecer como planejamos, seja porque os obstáculos surgem em nosso caminho, seja porque nós mesmos somos imperfeitos em nossa humanidade. Mas, como foi dito, ao longo de um ano serão 365 oportunidades para se tentar outra vez e mais outra, uma lembrança corajosa que nos leva a praticar a paciência e o perdão voltados a nós mesmos, enquanto reafirmamos nossa intenção de voltar ao caminho iluminado pela missão escolhida. De minha parte, compartilho ainda uma frase que pode ser um bom propósito de vida para nortear nossos dias: “Declare seus erros a Deus (Salmo 32, 5) e reafirme seu compromisso de recomeçar (Isaías 43, 19) porque Cristo faz novas todas as coisas (Apocalipse 21, 5)”.

Um Feliz 2022 cheio de oportunidades para todos nós, enquanto as efemérides da vida nos ajudam a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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