Coletiva de imprensa com a secretária de Educação, Liliane Santana e professora Adélia Schedolsky.
(Fotos: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

Aconteceu no período da manhã desta quinta-feira, dia 11 de março, nas dependências da Secretaria de Educação, Esportes e Turismo, uma reunião com a secretária Liliane Santana junto da professora e assessora Adélia Schedolsky para falar sobre a linha de ação da secretaria frente a situação atual da pandemia.

No dia 10 de março, foi realizada a reunião da equipe de gerenciamento da pandemia, que toma as decisões referentes a educação no momento que enfrentamos. Essa equipe de gerenciamento é formada por professores, assistentes sociais, representantes da saúde, dos transportes, das escolas particulares, entre outros. Nessa reunião ficou decidido que as aulas em sistemas híbrido, ou seja, parte presencial e parte remoto não voltarão nesse momento. A comissão decidiu por manter até o dia 31 de maio o sistema a distância, por se tratar do fechamento do primeiro trimestre escolar. Isso tudo em função de vivenciarmos os piores momentos da pandemia, desde o seu início. Segundo a professora Liliane, “Não é o momento de voltar com as aulas para as crianças, expondo elas a riscos”. A princípio, no dia 21 de maio haverá outra reunião para tomar novas decisões de acordo com a situação futura.

“Nesse momento, a volta das aulas no sistema híbrido poderia ampliar ainda mais a crise de leitos e UTI’s que estamos tendo na nossa rede de saúde. Essa é a nossa realidade hoje e é necessária toda cautela”, comentou a professora Liliane, explicando a decisão.

Professoras Liliane Santana e Adélia Schedolsky, respondendo os questionamentos da imprensa sobre
a situação da educação frente a pandemia.

Quanto a contratação de novos professores, foi feita a devida explicação, dizendo se tratar de uma questão de lei. A atual gestão tentou a contratação dos professores necessários pelo concurso que foi realizado pela gestão anterior e estão em fila de espera, mas um decreto federal proíbe a contratação de profissionais para vagas que permaneceram sem professores (ou não foram preenchidas em qualquer função) no ano passado. O que está sendo feito é a contratação para substituir as vagas abertas por aposentadoria ou por exoneração, sendo apenas 19. A secretaria já solicitou ao Executivo que amplie a validade do concurso anterior por mais 2 anos, evitando ter que fazer um novo e deixando de fora os atuais professores que passaram e aguardam ser chamados.

Foi feito um agradecimento especial da Secretaria para todos os profissionais da educação, que frente a falta de professores estão se desdobrando para que nenhum aluno fique sem estudar. São diretores e coordenadores suprindo faltas, mas conseguindo entregar as propostas determinadas. Tem profissionais com jornadas de 12 horas que fazem semanalmente mais de 20 horas, sem pensar duas vezes na condição de ensino dos alunos.

Quanto aos kits de merenda, já foi realizada a entrega do primeiro para cadastrados no Bolsa Família e também pode ser estendido àquelas que estejam em situação complicada nesse momento. Lembramos que os kits não são cestas básicas completas, se referindo apenas a quantidade que as crianças consumiriam estando nas escolas, sendo ainda um bom reforço alimentar. São atualmente 36 escolas, entre Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e escolas propriamente ditas, que fazem parte do sistema municipal de educação. A coordenação está realizando a devida entrega dos kits, enquanto a de leite continua sendo realizada normalmente.

Quanto ao retorno as aulas presenciais, foi esclarecido que, apesar do possível retorno apenas um junho, as escolas estão preparadas para receber os alunos com distanciamento e com todos os requisitos de higienização, tais como máscaras, aventais para os professores, álcool em gel e demais necessários. Algumas situações ainda estão sendo estudadas, pois são novas, como o distanciamento das crianças de 0 a 3 anos. Uma licitação está ocorrendo para contratação da empresa que vai cuidar da limpeza, tendo serviços ampliados em relação a última que estava atendendo, com mais profissionais e com novos tipos de cuidados, frente a situação atual.

Quanto ao transporte dos alunos das escolas estaduais, em reunião conjunta com os 9 municípios da Associação dos Municípios Sul Paranaense (Amsulpar), ficou definido que não será realizado o transporte, pois apesar dos alunos serem do Estado a responsabilidade é de cada município. Segundo levantamento da Secretaria, cerca de 80% dos alunos matriculados no Estado utilizam o transporte escolar, mas as prefeituras não fornecerão esse serviço nesse momento.

Também ficou esclarecido sobre a aquisição, por parte da Prefeitura, do prédio do antigo Colégio Professora Arlete Neves Schramm na gestão passada. Já estão sendo realizados estudos de reforma e adaptação do prédio para que, num segundo momento, ocorram as obras necessárias para a plena utilização do estabelecimento. A princípio, a Escola Dr. Paulo Fortes deverá funcionar nesse local, saindo do sistema de dualidade com o Colégio São Mateus.

Num pequeno desabafo, a secretária Liliane comentou sobre o sentimento que as visões dos prédios escolares vazios trazem a ela e aos professores. Relembrou uma das visitas que fez a uma escola, onde ainda estavam as atividades dadas em março do ano passado, quando iniciou a pandemia, e sobre a aflição que isso trouxe. “Não fomos preparados para lidar com isso, com a morte. Aprendemos a lidar sempre com a vida, com olho no olho, com conversas, com os alunos, com tarefas, com atividades e, de repente, estamos lidando com mortes e com violência doméstica que alunos acabam sofrendo estando em casa. Em alguns casos, a escola era o refúgio contra a violência e estamos reaprendendo tudo isso”, comentou Liliane. Destacou também a parceria que as famílias estão realizando, ao participarem efetivamente desse novo momento da vida dos alunos, auxiliando nas tarefas e dando apoio, marcando presença, “Assim venceremos juntos, escolas e famílias” finalizou a professora Liliane.

Hugo Lopes Júnior
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