Política e Cidadania

Novo prefeito de São Mateus do Sul avalia cenário econômico e faz projeções

Retomar o desenvolvimento: aliando experiência, parcerias e gestão. (Foto: Gazeta Informativa)

Retomar o desenvolvimento: aliando experiência, parcerias e gestão. (Fotos: Gazeta Informativa)

Luiz Adyr Gonçalves Pereira (PSDB), agora aos 62 anos, inicia seu 4º mandato à frente da prefeitura de São Mateus do Sul. Empossados no dia 1º de janeiro junto do vice, José Marciniak Stuski (PSD) – ambos nascidos em São Mateus do Sul – têm a missão de dar a resposta ao voto popular a eles confiado.

A perspectiva é de sustentar sua gestão na experiência. Uma resposta do porquê, e o diferencial, do eleitor dirigir o voto à sua chapa – emitida por Luiz Adyr antes da disputa – expressava o desejo de servir à comunidade onde nasceu e que optou ‘por viver para sempre’. Possibilidade lhe delegada, desde o início do mês.

O novo (e experiente) prefeito recebe pessoalmente os cidadãos são-mateuenses todas as manhãs de segunda à sexta-feira, para esclarecer dúvidas, dar encaminhamento às reivindicações da população e saber da situação do município a partir de seus moradores. A agenda só muda, em caso de viagem ou reunião externa.

Além disso, tem um amigo na presidência da Câmara, Nereu Edmundo Dal – Lago, que declarou ter retornado para a política à pedido do novo prefeito, até por ter trabalhado como secretário em gestão anterior. Claro, guardando a independência entre os poderes, mas num trabalho unido por São Mateus do Sul.

Transição de governo

Desde a proclamação da vitória, a equipe de Luiz Adyr passou a acompanhar a gestão anterior. “Os trabalhos de transição se desenvolveram normalmente, após reunião inicial minha com o ex-prefeito [Clóvis] Ledur. Nossa equipe trabalhou muito, com boa colaboração dos funcionários de carreira que atuam nas diversas Secretarias”, afirma.

Apesar da cordialidade declarada, o prefeito disse ter observado situação ruim. Estruturas físicas e equipamentos estragados, serviços deficitários, desde a limpeza pública até a conservação de estradas. Além disso, dívidas a serem quitadas e orçamento desequilibrado, entre receitas e despesas. “Muito diferente do que entregamos há quatro anos, quando as contas estavam rigorosamente em dia e deixamos saldos em caixa bastante significativos”, aponta.

Congratulações e ações

“Tenho recebido bastante solidariedade e votos de sucesso, que me animam e ajudam. Percebo que há conscientização dos são-mateuenses sobre a gravidade dos problemas que estamos enfrentando. Exceto em casos de viagens, reservo todas as manhãs para os contatos diretos com a população. Isso me mantém sintonizado com seus anseios e problemas, me ajudam a definir prioridades”, relata Luiz Adyr.

O prefeito entende que o passo inicial da gestão é planejar, aliado ao ato de realizar cortes e ‘congelar’ despesas. Isso visando eliminar um déficit de orçamento que gira na casa de R$ 4 a 5 milhões por ano. “Não será fácil, porque, das receitas correntes projetadas de R$ 97 a 98 milhões de reais, cerca de dois terços são comprometidos com despesas ‘engessadas’, como a conta de pessoal, o transporte escolar e a amortização de financiamentos passados, onde não se pode fazer reduções à curto prazo”, explica.

“Mas é indispensável alcançar o reequilíbrio e o retorno dos gastos aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, porque sem isso não poderemos sequer pleitear auxílios oficiais e financiamentos para novas obras”, acrescenta. Junto do ajuste, a estratégia de Luiz Adyr é estudar a recuperação dos britadores da Usina de Calxisto para estancar outro problema: estradas precárias no interior.

Também, agir para deixar as estruturas das escolas em dia, recompor os estoques de medicamentos da farmácia básica e materiais para uso em ambulatórios. Atualmente, segundo ele, ‘completamente desabastecidos’.

Ponto positivo

O que apresenta situação tranquila para a gestão é o Fundo de Previdência dos Servidores que mantém em torno de R$ 109 milhões em caixa. “No entanto, é certo que as aplicações financeiras dos últimos anos renderam bem menos do que poderiam, o que afetou o equilíbrio atuarial de longo prazo e está exigindo aportes adicionais da prefeitura, perto de R$ 2 milhões de reais este ano”, salienta Luiz Adyr.

“Temos que reavaliar a qualidade das aplicações, porque não é admissível que rendam menos do que as aplicações em títulos do governo federal, a opção mais segura do mercado. O aporte adicional, que significa mais uma sangria para os cofres da prefeitura, provavelmente poderia ter sido evitado”, lamenta.

Motor econômico

As diretrizes econômicas e o planejamento são os alicerces de toda gestão pública, bem como apoio à produção. O experiente prefeito é ciente dessa importância e tem uma leitura ampla da situação. “Apesar das dificuldades que estamos vivendo, é preciso analisar nosso município com uma visão mais ampla”, observa.

“Vamos lembrar que, nas últimas décadas, fomos o município que mais cresceu na região, tanto em termos econômicos quanto populacionais. Mesmo comparando com a média dos demais do interior do estado, somos destaque positivo”, afirma o prefeito. “Em qualidade de vida, estudo recente nos colocou em décimo-sétimo lugar entre os cerca de cinco mil municípios brasileiros de até 50 mil habitantes”.

Na visão de Luiz Adyr, ‘os ingredientes’ estão dispostos, e continua os mesmos. “Forças e potencialidades econômicas continuam presentes: território, insumos e matérias-primas, população trabalhadora na cidade e no interior, indústrias importantes, capacidade de assimilação de novas tecnologias e novas formas de produção. Uma agropecuária que já se aproxima de produzir meio bilhão de reais por ano, um setor de comércio e serviços dinâmico e competitivo, com lideranças modernas e atuantes”.

Mão no comando

A alavanca de reativação de todo esse processo, visando recuperação econômica e superação da crise, pode estar justamente nesse cenário todo exposto, somando de apoio político. “Nosso objetivo na prefeitura é fomentar o crescimento econômico em parceria com os setores produtivos e suas entidades (ACIA, CDL, NDE, Sindicatos…), aproveitando as potencialidades de todos os setores da economia, e buscando também os apoios externos necessários”, destaca o prefeito.

Um dos pontos-chave, para estimular esse processo e ajudar na infraestrutura, compete à gestão municipal, carente, também, de um fluxo financeiro positivo. “Também para isso, no entanto, será preciso que recuperemos a capacidade financeira da prefeitura. Para ficar num exemplo: sem investimentos na melhoria e conservação permanente das estradas do interior, não poderemos dar segurança aos produtores e obter aumento da produção rural”, ressalta.

Relacionamento e apoios

Luiz Adyr tende a buscar apoio da Câmara de Vereadores, sobre mantendo a independência, mas visando harmonia. “Num cenário de dificuldades, principalmente neste primeiro ano, vamos depender de apoio legislativo para enfrentar e resolver uma extensa agenda de problemas”, explica.

Contudo, o experiente mandatário é bem prudente e ciente da responsabilidade atribuída a ele, e parlamentares, pelos cidadãos. “É o que a sociedade que nos elegeu espera de nós, e estou certo de que nossos vereadores e vereadoras compartilham do desejo de fazer o melhor pelo município.”

As dificuldades financeiras podem até reduzir repasses e apoios da administração para entidades e representações, dentro da contenção de gastos planejada por Luiz Adyr e equipe. Mas, o intuito é continuar ajudando. Foco de debate, no GI, em 2016 o subsídio para transporte de acadêmicos, deve permanecer.

“Pretendemos manter auxílios não só à Associação dos Estudantes, mas a todas as entidades assistenciais que hoje recebem recursos da prefeitura, como Lar São Mateus, Adolescentro, APAE, Hospital”, exemplifica. Tudo negociado dentro da prudência econômica e financeira.

Em síntese, contato direto com a população, bem próxima do gabinete, atenção à saúde e educação, estradas de boa qualidade e apoio aos diversos setores da sociedade são as linhas centrais de trabalho da nova gestão. Somadas de planejamento e orçamento organizado, com bom relacionamento frente aos vereadores, são as projeções elencadas à administração municipal de São Mateus do Sul, iniciada em 1º de janeiro e que segue até 31 de dezembro de 2020.

Sidnei Muran

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