Histórias de Terra e Céu

Novos Horizontes buzinando na zona de rebaixamento

Uma ilustração da nave New Horizons. (Foto: www.publico.pt)

Talvez o amigo que leia o título desta coluna imagine que irei falar de futebol, ou até citar clubes que andam “namorando” a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas não, amigo leitor, meu assunto segue sendo astronomia. Agora, imagine por um momento que você comprou um ingresso para um jogo da primeira divisão, viajou muitos quilômetros para assistir o seu time e, quando chega lá, descobre que ele está na segunda divisão (!?!?!?). Pois foi isso que aconteceu com uma nave espacial da NASA!

A New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 com um objetivo ousado: ser a primeira nave a encontrar o último dos planetas, o pequenino Plutão. Este astro sempre despertou nossa curiosidade. Plutão, na mitologia grega, era Hades, senhor do mundo dos mortos. E o pequeno planeta também habitava as profundezas do Sistema Solar. Mas todos os astrônomos sabiam que (assim como o mundo dos mortos) algo “não cheirava bem” em Plutão. Enquanto os planetas além de Marte eram gasosos, Plutão era sólido… Enquanto todos estes planetas eram gigantes, Plutão era incrivelmente pequeno (menor até do que a nossa Lua!!!). Mas a New Horizons não ligava para estas inconsistências e seguia sua viagem de mais de cinco bilhões de quilômetros em direção a Plutão.

Acontece que na metade da década passada os astrônomos começaram a ter problemas. As descobertas de outros corpos além de Plutão, todos rochosos e minúsculos, exigiam a definição: eles seriam planetas ou não? E se eles não fossem, Plutão também não seria um planeta? Afinal, o que definiria um planeta? Em 2006, astrônomos do mundo inteiro reunidos definiram que um planeta seria um astro que: (1) orbitasse uma estrela, (2) tivesse formato esférico e (3) agisse como objeto dominante na sua região do espaço. E o pobre do Plutão, que orbitava o Sol e tinha formato esférico, acabou sendo reprovado no último quesito: ele não dominava sua região do espaço, pois ao invés de suas luas girarem ao redor dele, ele girava junto com elas ao redor de um ponto intermediário no espaço. E foi assim que Plutão foi rebaixado: tornou-se “planeta anão”, uma nova categoria criada para abranger estes corpos celestes.

Os americanos ainda tentaram protestar contra o rebaixamento. Plutão havia sido descoberto por um americano, a nave que ia para lá era americana, e o nome do planetinha (“Pluto”, em inglês), era o nome do famoso cachorro do Mickey, paixão das crianças americanas. Fizeram camisas (“I Love Pluto”) e colocaram outdoors nas estradas com o título: “Se você ama Plutão, buzine!!!”. Mas as buzinas não sensibilizaram os astrônomos, e Plutão seguiu rebaixado.

Daqui a três semanas a New Horizons fará sua máxima aproximação do planetinha rochoso e suas cinco luas, mas nos últimos dias já começou a enviar interessantes fotos deste mundo distante. Certamente, vendo o planeta anão na mídia novamente, os apaixonados por Plutão voltarão a buzinar, torcendo para que ele retorne à “primeira divisão” dos planetas do Sistema Solar.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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