Profissões

Nutricionista: o profissional que investiga e controla a relação do homem com o alimento para preservar sua saúde

Atuando há quase 12 anos, Daniela Noga busca a melhora da qualidade de vida das pessoas que buscam seu atendimento. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Uma das áreas do ramo da saúde que vem crescendo gradativamente ano a ano e ganhando espaço no mercado de trabalho é a nutrição. Embora possua uma grande procura e aumento da concorrência, a carreira oferece uma amplitude na sua atuação, de forma diversificada, que tem se tornado bastante popular no Brasil, especialmente junto a quem busca um estilo de vida de acordo com os novos tempos: alimentação consciente, livre de pesticidas, menos industrializada, mais saudável e que se encaixe na correria da vida moderna.

Daniela Noga, 42 anos, atuando há quase 12 anos como nutricionista em São Mateus do Sul, é formada pela Unidade de Ensino Superior Vale do Iguaçu (Uniguaçu) em União da Vitória, tendo frequentado o curso entre os anos de 2002 e 2006. Hoje ela é considerada uma das principais profissionais que atuam da região.

De acordo com a profissional, a nutrição se divide basicamente em três áreas, sendo a escolar, prestando serviços em escolas e Centros de Educação Infantil (CMEIS); em Unidades de Cozinha Industrial (UAN) e em clínicas de atendimento. “A nutrição escolar sempre teve seu espaço, em esfera municipal e estadual. A UAN é uma necessidade para as empresas que servem refeições e com o passar do tempo, percebi que mesmo não sendo obrigatório para panificadoras e restaurantes, alguns desses locais optaram por contratar um profissional, para melhorar a qualidade dos seus produtos. No meu caso, trabalho na Padaria do Iujo faz 11 anos”, comenta Daniela.

Daniela relata que sua maior conquista foi a nutrição clínica, que se subdividiu, se especializou e trouxe para as pessoas conhecimentos inovadores como a nutrigenômica, que é a área da Nutrição que utiliza ferramentas moleculares para pesquisar, acessar e entender as diversas respostas obtidas por meio de uma determinada dieta aplicada aos pacientes. O objetivo da nutrigenômica é entender como os componentes de uma dieta específica (compostos bioativos) podem afetar a expressão de genes, aumentando ou suprimindo o seu potencial. “As pessoas ficaram numa melhor qualidade de vida e a nutrição é um dos pilares básicos, com isso a profissão deu um UP”, explicita.

O Nutricionista pode atuar em oito áreas, além de atuar na nutrição clínica que tem por função prestar assistência na dieta dos indivíduos e promover a saúde; indústria de alimentos; nutrição esportiva; saúde coletiva; escolas; marketing na área de alimentação e nutrição; gastronomia e ensino. O Nutricionista investiga e controla a relação do homem com o alimento para preservar sua saúde. Planeja, administra e coordena programas de alimentação e nutrição em empresas, escolas, hospitais, hotéis, restaurantes comerciais, além de definir cardápios, sugerindo pratos variados e equilibrados, que supram as necessidades nutricionais dos clientes, pacientes ou hóspedes.

Enquanto uma profissional da área da saúde, Daniela afirma poder colaborar com a melhora da qualidade de vida das pessoas, sendo a nutricionista indispensável para a promoção de hábitos alimentares saudáveis que proporcionem uma boa saúde, promovendo a segurança alimentar, e sendo de muita importância no controle de doenças crônicas não transmissíveis, como por exemplo, diabetes e hipertensão. Além de, na nutrição esportiva, poder melhorar o rendimento de atletas.

Segundo Daniela, o maior desafio diário a frente dessa profissão, é a sua valorização, não só financeiram
ente, mas no conceito da profissão. A nutrição é uma ciência, e hoje ainda é atribuída a ela um conceito errôneo, como por exemplo, cozinheira. “Muitas pessoas possuem uma visão pré-fabricada construída com auxílio da mídia e uma grande dose de senso comum a respeito do trabalho do nutricionista. Dia sim, dia não, alguém me pede uma dieta, e lá vou eu desconstruir toda uma concepção engessada sobre alimentação: que dietas restritivas não funcionam. Aí, sempre tem um que diz: funciona, sim! Porque a prima-da-irmã-da-minha-amiga fez e emagreceu 25kg! Ela manteve? Não. Isso não é funcionar! Nenhum alimento engorda ou emagrece sozinho, não existem alimentos milagrosos, etc.”, relata a profissional. O papel desafiador é realizar principalmente educação em saúde e empodeirar os pacientes para produzir o cuidado, também responsabilizando o paciente pelo seu tratamento.

Quanto as perspectivas profissionais a nutricionista comenta que a formação de padrões alimentares pouco saudáveis vem repercutindo sobre o estado nutricional. O crescimento das doenças crônicas não transmissíveis e as mudanças demográficas, que exigem o rearranjo das políticas públicas; a coexistência de obesidade e insegurança alimentar e nutricional afetando crianças e adultos. Tal panorama só reforça a necessidade do nutricionista, tanto como indivíduo, como empregado ou cidadão. “É nessas áreas que o nutricionista vai agir, criando assim, ótimas perspectivas para o profissional. Hoje como a profissão é multifacetada, existe uma absorção rápida do nutricionista no mercado”, afirma.

Ao questionada sobre a valorização financeira, a profissional confessa que não há, tanto como deveria, “o profissional de UAN (cozinha industrial) é o menos valorizado, tamanha sua responsabilidade. Mas acredito que com a importância da profissão em crescimento, a satisfação financeira será consequência. Mas o nutricionista tem que aprender a empreender, pois a profissão é ramificada, e assim ele pode aumentar muitos seus ganhos.”

Dentre várias profissionais da área, Daniela se destaca por considerar-se acessível. “Estou o tempo todo interagindo com meus pacientes nas redes sociais, ou mesmo quando encontro eles nos lugares públicos. Também não gosto de radicalizar, tento montar um planejamento nutricional, perto da realidade e rotinas dos meus pacientes. Estamos falando em hábitos, e isso é uma das coisas mais difíceis de trabalhar, mas devagar, sempre é possível.”

E baseada nesse perfil, o reconhecimento é crescente, tanto pela comunidade, como pela classe médica, “é muito mais que um reconhecimento, é amizade, cumplicidade”, ressalta Daniela, que deixa seu recado, “acreditem que a nutrição é mais que 50% da sua saúde, por isso cuidem da sua alimentação: equilíbrio é tudo. Aumentem a importância do que comem, façam escolhas certas. A vida que se ganha quando se tem hábitos saudáveis de alimentação, não tem com que comparar. Aos futuros profissionais, encarem a profissão com amor ao próximo, dominem a ciência, mas vejam o indivíduo. Tenham amigos, não pacientes. E estudem, busquem e questionem sempre! O diferencial na nutrição é justamente você entender a individualidade de cada um.”

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