Histórias de Terra e Céu

O Amor que leva à Morte

Em nossa conversa de semana passada falei de Max Wolff Filho, o garoto de São Mateus do Sul que virou herói de guerra. Mas, pelos retornos que recebi, o que mais impressionou meus amigos leitores foi a hipótese de que a bravura de Max Wolff fosse uma atitude quase suicida, pelo fato de ter sido abandonado pela esposa. Só que os casos em que o amor levou pessoas a atentar contra a própria vida não eram raros em São Mateus. Embarque comigo nesta história!

O apaixonado Wolff já tinha um histórico de tormentos bem antes da guerra. Tudo por conta de dois amores: a esposa e a vida militar. Ao ser rejeitado pelo exército no Rio de Janeiro, e ao descobrir que sua mulher queria lhe abandonar, Wolff entrou em parafuso e resolveu “esfriar” a cabeça com um banho de mar na Baía da Guanabara. Acabou voltando para casa seminu, algo estranho na década de 30. Quando passava em frente à Embaixada Italiana, na rua das Laranjeiras, o soldado que fazia a guarda chamou sua atenção pela falta de roupas. Wolff, lembrando da mulher e raivoso com os militares por terem lhe rejeitado, reagiu ao soldado, que prontamente puxou a pistola, mas, antes que conseguisse atirar, Max Wolff já rolava com ele pelo chão, retirando sua arma e baleando o soldado. O “peladão” são-mateuense acabou preso, sua mulher realmente foi embora, mas acabou conseguindo entrar para o exército, onde a desilusão se transformou em bravura e em morte durante a Segunda Guerra, como contei na semana passada.

Outro caso que encontrei nos jornais do início do século passado, envolvendo nossa cidade, era de um casal que retornava da capital em um vapor. Segundo relato dos marinheiros, houve uma grave discussão entre os dois, e o marido teria humilhado a mulher na frente de todos os passageiros. A pobre moça, já nas últimas curvas da embarcação antes de chegar ao porto de São Mateus, jogou-se ao rio. O esforço dos marinheiros e do próprio marido desesperado, saltando do vapor, não foi suficiente: a jovem (cujo nome, infelizmente, não é citado no jornal), morreu afogada. Mas muitos marinheiros e a boa parte da população jurava que era possível vê-la nas madrugadas, sempre às margens do Iguaçu, observando vapores e lanchas, e sumindo silenciosamente.

Mas antes que os leitores parem de ler essa coluna por medo de assombração, vou contar meu último caso. Alexandre Nadolny foi um dos principais patriarcas de São Mateus (prova disso é a quantidade gigante de Nadolnys que temos na cidade). Também foi um empresário de sucesso, com sua serraria e outros negócios. Seu quinto filho recebeu o mesmo nome do pai, e quando jovem também dividia a paixão entre a noiva e a vida militar. Com o início da Primeira Guerra Mundial, Alexandre Nadolny Filho fez parte das forças aliadas e, quando retornou, encontrou sua noiva casada com outro homem. Deprimido e revoltado, pediu para voltar para a guerra, onde acabou morrendo, conforme informações que recebi de meu amigo Marcos Navarro, que inclusive me enviou a foto que ilustra essa coluna (Alexandre Nadolny Filho, em 1912).

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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