Os Caminhos do Desenvolvimento

O chimarrão nosso de cada dia

Reflita por um momento e responda: o que temos em nossa cidade que é destaque, que nos caracteriza e nos acompanha ao longo da história? O que sabemos fazer de melhor, de singular e de diferente? Ou ainda, o que nos enche de orgulho e de amor por essa terra? Muitas podem ser as respostas, mas talvez algumas se multipliquem com maior evidência. Algumas pessoas podem evidenciar características naturais como o Rio Iguaçu, as nossas geadas ou até mesmo os nossos pinheirais. Outras se recordem de características culturais e históricas, como o ciclo da navegação, dos tropeiros ou das belas tradições da imigração polonesa. E ainda há os setores que são destaques na nossa economia, como a agricultura e a exploração do xisto, por exemplo.

O que acabamos de fazer foi um breve diagnóstico e sem querer descobrimos algumas de nossas vocações. Diz-se também, que aquilo que nos distingue de forma positiva de outra localidade é uma vantagem comparativa local, mas que “a cereja do bolo” está em transformar essas vantagens em competitivas, ou seja, tirar proveito econômico dessas potencialidades. Delas podemos extrair atividades econômicas que sustentam diversos tipos de empreendimentos, dos existentes a outros novos e, por conseguinte, impulsionar o desenvolvimento local.

Foi exatamente esse o ensaio realizado há alguns anos atrás por um grupo de empresários local, o CONJOVE – Conselho de Jovens Empresários. Segundo o empresário Helinton Lugarini, o grupo queria ter algo como foco de trabalho principal e se perguntaram o que São Mateus do Sul tinha de diferente das outras cidades. “Surgiram basicamente três pontos: o povo polonês, o xisto e a erva mate, e pensando em sustentabilidade, prospecção de mercado, atividade ecologicamente correta e rentabilidade, ficou fácil de decidir em trabalhar com a erva-mate”, comenta. O grupo adaptou ações que pudessem ser feitas em nossa cidade a partir de uma pesquisa realizada em outros municípios, como o plantio de erva mate nas calçadas, Festival Gastronômico, Rota do Mate, Chimarródromo, livro da história de São Mateus do Sul, apoio a IG-Mathe (Identidade Geográfica conferida a produtos que são característicos do seu local de origem), entre diversas outras ações. Segundo Lugarini, “praticamente quatro anos depois, consideramos que cerca de 80% do que tínhamos proposto no projeto inicial já é uma realidade! Temos ainda muito a fazer, como um APL do setor ervateiro (Arranjo Produtivo Local) que é fundamental para que possamos produzir com qualidade e quantidade e atender as necessidades das indústrias”.

Não restam dúvidas de que a erva-mate nos identifica e que além do chimarrão nosso de cada dia, exista uma infinidade de produtos que estão sendo desenvolvidos a partir dela como matéria-prima, principalmente na alimentação. Sem contar as atividades econômicas que se ramificam do setor, com especial atenção ao desenvolvimento do turismo rural, que por si só agrega a economia uma imensa cadeia produtiva. A erva-mate sendo utilizada como um elemento de nossa identidade, irá nos diferenciar de outros municípios ao ser destacada pela sua excelência de qualidade desde o momento de seu plantio, beneficiamento, até chegar ao consumidor final. Porque afinal de contas, “aqui se produz a melhor erva-mate do mundo”!

Ingrid Ulbrich
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