(Imagem Ilustrativa)

Antes de mais nada, gostaria de registrar que respeito muito os profissionais do Circo. Na sua maioria, gente simples que ganha a vida com muito esforço e que continua porque gosta do que faz, se sente bem entretendo seu público e superando seus próprios limites.

Assistindo aos últimos acontecimentos no Brasil, fico me perguntando se a política do Pão e circo, usada pelos romanos para apaziguar os ânimos dos cidadãos de Roma que viviam na extrema pobreza, no primeiro século antes de Cristo, não continua sendo usada por nossos governantes.

No circo, entre grandes atrações, surgem os palhaços, de tempos em tempos para fazer rir e distrair o público enquanto o picadeiro é preparado para a próxima atração. Mas ninguém sabe o que exatamente acontece nos bastidores e qual será o impacto previsto para os espectadores.

No circo Nacional, temos os apresentadores, que trabalham em várias sessões durante o dia, para garantir acesso de todo o público as palhaçadas, mágicas e acrobacias apresentadas por nossos “representantes”. Se colocam do lado do público, mas fazem parte da grande rede de corrupção, digo, do grande elenco que desenvolve o espetáculo.

Atenção especial se dá na sessão do horário nobre, mas as sessões do TudoNews, também garantem um bando de marionetes e hienas à serviço dos donos do circo, fingindo criticar, mas defendendo os interesses daqueles que querem que tudo continue como está.

Pior, é que nós compramos os ingressos, pagamos caro e assistimos ao espetáculo, rimos antes, durante e depois das sessões, geramos memes e publicamos em nossas redes sociais e aplaudimos a nossa reação e daqueles que conosco dividem o espaço da arquibancada. Nos enganamos, rimos da nossa própria desgraça e aceitamos.

No espetáculo de hoje, lembramos o show do mágico que fez o dinheiro da saúde desaparecer e aparecer em sua própria cueca. Não gostaram do truque e o substituíram pelo filho, mágico suplente, que dizem ser o dono do dinheiro protegido pelo pai no fracassado ato.

Pelo jeito, vão insistir neste tipo de truque, já que o mágico, o filho do mágico e um dos mestres de cerimônias do Congresso, digo, do circo, são do mesmo Estado e estão preocupados em colocar nas prefeitura de seus currais eleitorais, melhor, de seus estados, os parentes mais próximos, como também tentam os administradores dos circos de nossa região.

Sim, as tradições do “circo” passam de pai para filho ou representam outras relações familiares ou associações suspeitas. No caso do mágico licenciado, dizem que ele mantinha uma relação estável com o atual gerente do circo.

Para aqueles circenses que fazem acrobacias, atos mais arriscados, há o corporativismo, melhor, a rede de proteção instalada, assim, se uma mão não segurar, ou houver um deslize, não tem perigo, todos estão lá para segurar a barra. Ainda receberão elogios pela rede tão bem montada.

Para quem é um pouco mais velho como eu, talvez lembre que além de se apresentarem na TV, os lutadores de telecatch ou luta-livre, se apresentavam no circo, se digladiando, sangrando. Torcíamos por eles, que na verdade eram atletas bem treinados e que não se machucavam como imaginávamos. Era tudo combinado, como também se repete neste circo Nacional.

Há quem trabalhe no circo há mais tempo e que nesta quarta-feira, mais uma vez teve sua residência ocupada por agentes da PF, na operação “Quinto Ato”. Mas não foi um quinto ato circense, foi pela quinta parcela de um jato executivo que comprou. Sim, o grande ator, depois de passar por um processo de Impedimento, ter bens confiscados, foi aclamado pelo público e voltou como Senador da República, digo como Pavão Misterioso. Seu patrimônio cresce na mesma proporção que novas acusações surgem e que seus bens são apreendidos.

Se o circo pegar fogo, não tem problema, os bombeiros estão de plantão. Hoje, no conforto de seus lares, em sessões virtuais. Mas os atos heroicos são sempre bem registrados, completando o espetáculo.

Só para lembrar, as sessões do circo continuam acontecendo diariamente e, nesta quarta-feira, o público recebe mais uma parcela do auxílio emergencial, digo, mais uma parte da sua cesta de cereais. O pão também está garantido, respeitável público!

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
São nossas semelhanças que fazem a diferença
A leitura e seus concorrentes
Vida em sociedades