(Imagem Ilustrativa)

Certa vez, me decepcionei com uma importante entidade que tem como objetivo o desenvolvimento do país. Talvez, fossem aquelas palavras ditas, de forma tão grosseira, apenas o pensamento individual do funcionário da vez. De qualquer forma, não me recordo mais do nome da pessoa, o que ficou foi apenas o nome da entidade ostentado no seu crachá. Quis apresentar informações obtidas através de pesquisas e dados de experiências acumuladas pela entidade do comércio, que por minha vez, eu estava representando. O meu interlocutor, com ares de sabedoria, me respondeu: “quem anda para trás é caranguejo!”. Coube a mim e a minha colega, fechar as nossas pastas e ouvir a reunião que tinha olhos no futuro. Um futuro que não sei se já chegou, após quase quinze anos passados desse fato.

Esse episódio contém duas realidades que considero tristes. Uma delas é a não valorização das pessoas que nos antecederam e de seus feitos. Um olhar de caranguejo para essa história, quem sabe, poderia nos ensinar a evitar erros já cometidos e a tomar decisões para direções mais elevadas. Foi exatamente esse, o motivo, que me levou a escolher a celebração das efemérides para nortear os temas dessa coluna. E a cada texto redigido, me surpreendo e comprovo essa teoria, de que um olhar lançado para o passado não nos atrasa, pelo contrário, nos avança à frente com passos mais seguros.

Outra triste realidade é a lei do mais forte sobre o mais fraco, ou, a lei de quem pensa que sabe mais. O Estado tem esse comportamento: ele sempre sabe mais sobre o que é melhor para cada um de nós. Como comerciante, por exemplo, não sou aquela que sabe tudo sobre o assunto, mas terei mais conhecimento da área do que um funcionário de carreira de um órgão do governo. Diz-se que na época de Luiz XIV, os comerciantes franceses responderam que nada precisavam do Estado para progredir, surgindo ali a expressão “laissez faire”, ou seja, “deixe acontecer”. A expressão completa seria “laissez faire, laissez aller, laissez passer, le monde va de lui-même”, ou “deixe fazer, deixe ir, deixe passar, o mundo vai por si mesmo”. Resumindo tudo: queriam o livre mercado.

No Brasil, um dos maiores propagadores do livre mercado foi José Maria da Silva Lisboa, o Visconde de Cairú, nascido na Bahia em 1756. Percebia a importância das relações comerciais, responsabilizando o sistema colonial da época pela manutenção da escravidão e de amarrar o nosso progresso. Cairú ocupou diversos cargos na política do Brasil, participando da abertura dos portos brasileiros ao comércio com outras nações, além de defender o fim da proibição da instalação de fábricas no país e de criticar os monopólios. Vislumbrou o bem que a liberdade ao mercado faria ao Brasil e contribuiu assim ao nosso desenvolvimento. Merecidamente, foi escolhido o Patrono do Comércio Brasileiro, e por isso, celebramos o Dia do Comerciante na data de seu nascimento, dia 16 de julho.

Ainda quanto ao caranguejo, nós, os comerciantes, somos bem parecidos com ele. Ele não anda apenas para trás, as suas dez patas também o levam para frente e para os lados, enquanto seus olhos fazem uma leitura do ambiente ao seu redor, pronto para encarar qualquer perigo. Muito similar com o dia a dia do comércio, quando se tem que lidar com várias situações, sem perder a visão do todo. Hoje, eu responderia ao funcionário da vez: sim, como o caranguejo, andamos para trás, para os lados e para frente, porque somos resilientes, com muito orgulho!

Parabéns colegas de profissão, recebam o meu cordial abraço! E que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Ingrid Ulbrich
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