Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

O constante aprendizado de quem contribui e faz a história

Hilda Jocele Digner Dalcomuni atua há 18 anos como historiadora, e atualmente trabalha na Casa da Memória Padre Bauer, em São Mateus do Sul. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Em mais uma matéria especial que conta sobre as inúmeras profissões existentes, a Gazeta Informativa traz nessa edição uma carreira que possui forte ligação com a vida e o cotidiano de muitas pessoas.

Quem não lembra das primeiras aulas de História que traziam à tona as pinturas rupestres e o surgimento da humanidade? Ou daquele tema que conduzia os motivos que desencadearam as grandes guerras mundiais? Há quem assegure com propriedade que os estudos de fósseis locais também possuem uma gama de valor histórico em relação aos animais que viviam em uma determinada região.

Mitologias, passados genealógicos, história mundial e local, culturas e modos de vida no ontem e do hoje traçam as principais ramificações dessa profissão, que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado de trabalho para aqueles que estão sempre em busca de descobrimento.

Todas estas referências que aguçam a curiosidade humana são as principais essências de um historiador. Segundo Lucien Febvre, historiador francês de grande renome, “a história é a filha do seu tempo”, e de maneira explicativa ele defende que, “quando o historiador reúne fontes primárias, ou seja, pistas, vestígios sobre um fato ou sociedade do passado que deseja estudar, ele jamais poderá recuperar exatamente aquilo que aconteceu. Além disso, a forma como os historiadores olham o passado é bem influenciado pelo presente – pelos seus valores, pela sua cultura e pela forma de pensar de seu próprio tempo”.

Graduada e licenciada em História há 18 anos pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a são-mateuense Hilda Jocele Digner Dalcomuni, também realizou uma especialização de História e Múltiplas Abordagens, e está encerrando sua outra especialização em História Arte e Cultura. Trabalhando grande parte da sua vida como professora em colégios e escolas municipais e estaduais, a pesquisadora atualmente dedica seu tempo de trabalho para a Casa da Memória Padre Bauer, de São Mateus do Sul. A historiadora também é membro do Instituo Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul.

Em conversa com a equipe GI, Hilda trouxe à tona os princípios e como foi todo esse processo de graduação. Ela também nos conta como funciona seu trabalho na Casa da Memória, dedicado à pesquisa que ajuda na formação e conhecimento histórico do município. “Optei por história porque sempre gostei de fatos antigos, como fotografias, casas e conversar com as pessoas sobre o passado”, afirma.

A primeira formação de Hilda foi em magistério no ano de 1986, onde após a constituição de 1988, o professor passou a ter a obrigatoriedade de ter um ensino superior. “Lembro que a grande maioria das minhas colegas foram cursar letras, e eu optei por história justamente por ter uma certa afinidade com o tema”, diz.

Hilda conta que no primeiro ano do curso ela conheceu especialmente como era o trabalho realizado por um historiador e quais áreas de atuação o profissional trabalharia. “Eu me apaixonei completamente pelo curso quando conheci de verdade a importância da profissão e me identifiquei com a área”, garante.

A são-mateuense conta que aproveitou todas as oportunidades que o curso oferecia, desde seminários à visitas para conhecer de perto o profissional de História. “Eu não me arrependi em nenhum momento em ter iniciado o curso. Nunca fiquei na dúvida”, comenta.

A historiadora traz muitos livros e referências que aprendeu durante o curso, dentre eles a obra “Doze lições sobre a História”, que retratam noções que explicam como um bom pesquisador deve atuar no ramo profissional.

Este livro apresenta diversos pontos, dentre eles, assuntos que destacam que a história é uma prática social juntamente com uma disciplina científica. A História deve ser feita para o pública que o lê e escuta, variando o conhecimento entre técnicas de escrita e também oratória.

“O historiador não exige que as pessoas acreditem em sua palavra, sob o pretexto de ser um profissional conhecedor de seu ofício, mas fornece ao leitor a possibilidade de verificar suas afirmações, e cada afirmação seja acompanhada por provas e pela indicação das fontes e citações”, cita o livro.

A palavra chave de sucesso para um bom historiador é o cuidado com a veracidade dos fatos, que garantem que a informação histórica chegue da maneira mais concreta possível para o público interessado.

Um ponto importante destacado por Hilda é o reconhecimento de que o profissional da área não precisa saber de tudo, mas sim, ter a motivação e força de vontade para seguir no caminho da pesquisa e aprender cada vez mais.

“O que eu gosto é de realmente não saber tudo, porque isso me faz sempre buscar e ouvir. Quem deseja seguir esta área é muito importante ter essa consciência que estamos sempre aprendendo”, defende.

Quem faz licenciatura em história é historiador?

Há tempos que essa incógnita toma conta de debates sobre o assunto. A diferenciação entre bacharelado e licenciatura na maioria dos casos traz consigo a nomenclatura do profissional, e na questão do historiador não é diferente.

Em fevereiro deste ano, a proposta que regulamenta a profissão de historiador e estabelece os requisitos para seu exercício está pronta para votação no Plenário.

Entre as atribuições dos historiadores, o texto prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.

O profissional poderá ainda planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; e elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Segundo uma das mudanças, o exercício da profissão de historiador deixará de ser privativo dos historiadores para se tornar apenas “assegurado” a esses profissionais, eliminando a possibilidade de reserva de mercado.
“O teu trabalho falará por você”, encerra Hilda.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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