Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

O desafio de uma ‘Igreja em Saída’

Imagem Ilustrativa

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Desde o início de seu governo à frente da Igreja Católica, o papa Francisco vem propondo e fazendo algumas ‘reformas’ na evangelização, seja no ponto administrativo como no campo pastoral.

O papa não se limita em pedir, em solicitar que os outros façam essa evolução, essa mudança, mas ele mesmo, no seu modo de pensar e de agir, já demonstrou algumas necessidades que a Igreja tem para poder melhor evangelizar.

Seus comportamentos, seus relacionamentos com ‘o diferente’, suas intervenções cobrando mudança no pensamento de clérigos e de leigos demonstram o modelo de Igreja que deseja, que acredita ser a vontade do Senhor. Isto ele expressa em seu documento Exortação Apostólica Evangelii Gaudium § 28: “Isto supõe que esteja realmente em contato com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos”, diz o papa.

Contudo, uma mudança de mentalidade demora acontecer. Por isso devemos bater no peito nos acusando de ainda não conseguir com clareza, transparência e sinceridade viver esta ‘igreja em saída’ expressão e desejo do papa Francisco e do Senhor Jesus.

Nosso mundo nos interpela e nos condiciona para uma vida vivida para si, uma preocupação com o eu, uma garantia da própria vida. Deste modo, assistimos carências, falta de aproximação de nossa parte, mas nos mantemos imóveis, levando a vida ainda no mesmo modus vivendi.

A igreja em saída que nos interpela o papa, não se resume em uma pastoral, um projeto articulado de ação missionária, que também pode se fazer, mas, Igreja é toda pessoas que, assim como as pessoas de boa vontade, agem no mundo de forma a ver o outro, e em especial o mais necessitado como prioridade; esta é a missão pedida pelo papa a todo cristão e testemunhada para todos indistintamente.

Francisco quer nos dizer que nossas pequenas atitudes no dia a dia revelam a mudança que o mundo e a Igreja tanto precisa. Não se deixar escravizar pela mentalidade de cada um por si, por uma vida de concorrência e fechada em projetos particulares.

Tudo o que fazemos não é somente para nós, tem respaldo na vida do outro. Pense se existisse somente você, que sentido teria tanta preocupação e tanto esforço para conquistar as coisas? Se nosso trabalho, nossas ações, nossa vida está ligada ao outro necessariamente, é pensando no bem do outro que teremos mais alegria em nosso vida.

Estamos em um mesmo mundo; caminhamos para a mesma meta, não há porque se preocupar em chegar antes, ou garantir o primeiro lugar, pois o primeiro lugar é para todos.

Comecemos a mudar nossa mentalidade, comecemos a agir diferente, comecemos a olhar para quem está caminhando conosco e não está com as mesmas condições para chegar junto. “[…] o simples fato de ter nascido num lugar com menores recursos ou menor desenvolvimento não justifica que algumas pessoas vivam menos dignamente.” (Evangelii Gaudium, § 190).

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