(Fotos: Acervo Pessoal)

A celebração do Dia das Mães é uma tradição que se originou há muito tempo na sociedade. Ela teve origem na Grécia e na Roma Antiga, fazendo parte das celebrações primaveris. Nesse tipo de evento aconteciam cultos de adoração às divindades que representavam as mães, a exemplo da Deusa Reia (mãe de todos os deuses) ou de Cibele, a Deusa mãe romana.

No século XVII, a Inglaterra retomou a ideia de comemorar o Dia das Mães. Os ingleses optaram por celebrar a data no quarto domingo da Quaresma, denominando-o Mothering Day. Desde então, os operários locais passaram a ter esse dia livre, com o intuito de visitarem suas mães. No início do século XX, a data como conhecemos atualmente se popularizou nos Estados Unidos. Partindo dos esforços de Anna Jarvis (1864-1948) após a perda de sua mãe, uma ativista que realizava campanhas em prol de mães trabalhadoras e contra a mortalidade infantil, a celebração ganhou notoriedade.

A data foi oficializada nos EUA pelo presidente Woodrow Wilson (1856-1924), no ano de 1914. Apesar disso, Anna Jarvis ficou muito desapontada ao perceber que o evento havia se tornando demasiadamente comercial e o objetivo principal havia sido desvirtuado. A ideia de enaltecer o trabalho das mulheres e a maternidade não poderia ser marginalizada por uma visão essencialmente mercantil. “Não criei o Dia das Mães para obter lucro”, afirmou ela.

No Brasil, a data foi implementada em 1932, pelo presidente Getúlio Vargas e é comemorada anualmente no dia 10 de maio. Em matéria especial ao Dia das Mães, produzimos uma reportagem exclusiva onde contamos a rotina de trabalho e os desafios enfrentados por três mães e trabalhadoras do nosso município: Bianca Pietralla, Caroline Müller e Vivian Neves. A pandemia de coronavírus paralisou os serviços das creches municipais e a rotina de trabalho de várias mulheres também foi afetada, evidenciando a força diária de muitas cidadãs de São Mateus do Sul.

Bianca e Miguel

Bianca atua na área farmacêutica, um dos serviços essenciais ao funcionamento da sociedade. Ela é mãe de Miguel, que tem dois anos e cinco meses de idade. A relação do filho com a creche municipal foi destacada por ela. “Meu filho frequenta o CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) desde seu primeiro ano de vida. Ele gosta muito das professoras e do convívio com os colegas! Sempre se entusiasma muito quando falamos da creche. Eu confesso que num primeiro momento, de súbito precisei pensar o que faria em função do fechamento dos CMEI’s”, comentou ela.

Os desafios da atuação diária na área farmacêutica não impedem Bianca de derramar todo o seu amor pelo pequeno Miguel.

Os desafios da dedicação à rotina de trabalho e ao amor materno estão presentes no sentimento através do qual ela encara a rotina diária. “Nos primeiros 30 dias, minha irmã que tem um bebê de 10 meses conseguiu tirar férias e ficar com o Miguel durante meu horário de trabalho. Como trabalho em farmácia, preciso tomar todos os cuidados após o serviço e antes de poder abraçar meu filho. Estou sempre de máscara, cumprindo o distanciamento dos clientes e higienizando bem as mãos. Chegando em casa, eu ainda deixo as roupas para lavar, tomo banho e higienizo as máscaras, tudo para poder dar colo ao meu filho amado”, destacou Bianca.

Os próximos dias da pandemia também permanecem na preocupação de Bianca e das outras mães trabalhadoras do município. “Agora que passaram as férias da minha irmã, consegui adiantar as minhas na empresa em que trabalho. Vou ter 30 dias para cuidar do Miguel e da minha sobrinha. Quando esse tempo acabar, acredito que ainda não teremos as atividades dos CMEI’s funcionando normalmente. Até lá iremos ver com quem nossos pequenos irão ficar, mas preferencialmente com algum familiar ou pessoa de extrema confiança”, encerrou ela.

Caroline e Clarice

A rotina de trabalho de Caroline prosseguiu em meio à pandemia do Covid-19. Ela atua na área de serviços, numa gráfica de impressões e é mãe da pequena Clarice, que tem 4 anos de idade “Após a separação do meu ex-companheiro, parte da semana a Clarice passa comigo e outra parte com os familiares dele. Nos dias em que ela está comigo, meus pais me ajudam a cuidar dela enquanto trabalho. Essa situação gerou um afastamento um pouco maior, pois eles já são do grupo de risco em função da idade e preciso evitar de ir muitas vezes lá”, comentou Caroline.

Caroline tem passado menos tempo com a pequena Clarice, pois uma parte de sua rotina é vivenciada ao lado do pai e dos avós maternos, que estão a auxiliando nesse momento de quarentena.

O sentimento materno aliado à necessidade de trabalhar também se destacam nas palavras de Caroline. “Tenho sentido falta de me dedicar mais à minha filha, com essa situação gerada pela pandemia o tempo que posso passar com ela diminuiu em comparação aos dias normais. A Clarice está sentindo falta da convivência com seus colegas da creche, o que é muito importante nessa fase da vida que ela está passando. É um desafio manter uma rotina que concilie as atividades propostas pela creche e também outras que estimulem o raciocínio dela”, destacou Caroline.

Apesar das dificuldades impostas à sociedade pelo vírus, existe sempre um lado positivo. “Nesse momento da quarentena eu gostaria de poder passar mais tempo com a minha filha. Mesmo com a situação que se instalou, de certa forma é um privilégio poder desfrutar mais da companhia dos pais e dos familiares. As pessoas que têm essa oportunidade podem utilizar esse momento para dar mais valor a essas coisas tão importantes”, finalizou ela.

Vivian, Yurick e Yohan

Vivian é gerente de vendas em uma loja são-mateuense. Ela também é mãe dos pequenos Yurick (3 anos) e Yohan (5 meses). “Meu filho mais novo nasceu no início de dezembro de 2019. Quando a quarentena se iniciou em nosso município eu já estava de licença-maternidade e não saía muito. Antes de dar à luz ao Yohan eu já havia combinado com meu chefe que pegaria férias em abril, pois ele só teria direito a uma vaga nas creches municipais quando completasse quatro meses. Caso a vaga demorasse para surgir, eu iria contar com a ajuda da minha mãe para ficar com ele”, revelou Vivian.

Vivian irá vivenciar a rotina de trabalho presencial após o Dia das Mães e os pequenos Yurick e Yohan irão ficar com os avós, enquanto a pandemia do Covid-19 manter as creches municipais fechadas.

Com o fim das férias e dos meses de licença, o retorno às atividades presenciais é objeto de todo o cuidado de Vivian. “Agora no próximo dia 11 eu volto a trabalhar. Os meninos irão ficar com os avós maternos e paternos. Estou feliz em voltar ao trabalho, pois me reafirma como a mulher que sou, mas com o coração na mão em pensar que deixarei de acompanhar alguns traços do desenvolvimento deles. A certeza que eu tenho é que vou me esforçar ao máximo para que esse tempo e as descobertas que tivemos não desapareçam”, afirmou ela.

O amor entre as mães trabalhadoras e seus filhos teve seu significado destacado no período de quarentena. “Passar a quarentena com meus meninos fez eu me redescobrir como mãe. Precisei resgatar as mais diversas brincadeiras para entretê-los e elevamos muito nossos laços. Agora nós nos notamos nos mínimos detalhes. Apesar dos avôs deles já fazerem parte do grupo de risco, em função da necessidade estamos adotando todos os cuidados para que eles me auxiliem enquanto eu irei trabalhar”, encerrou Vivian.

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