Histórias de Terra e Céu

O dia em que roubaram a Água Branca de São Mateus do Sul

No final de agosto participamos mais uma vez da festa polonesa na linda igreja centenária da Água Branca. É visível o orgulho que os São-mateuenses têm daquele ponto turístico, mas poucos sabem que uma manobra política tentou roubar a Água Branca de São Mateus do Sul. Embarque comigo nesta história!

Até 1908 tanto São Mateus quanto a Água Branca eram colônias pertencentes ao município de São João do Triunfo. Quando a lei 763, de 02 de abril de 1908, criou o município de São Mateus, ela inseriu a fronteira com São João do Triunfo como sendo o “rio da Água Branca, desde sua foz no rio Iguaçu até a barra do arroio Lageado, acima da ponte na Estrada Geral”. Isso significava que a comunidade da Água Branca também passava a compor o território são-mateuense, o que era muito justo, visto que toda a ligação comercial e social daquela colônia era com São Mateus. Mas isso não agradou a classe política de Triunfo.

Na verdade, as lideranças de São João do Triunfo não haviam digerido nem a emancipação de São Mateus… Em 1906 um projeto de lei já havia tentado emancipar o município e justamente a força política triunfense havia barrado, alegando prejuízos à localidade. E agora, ao perderem São Mateus, os políticos de Triunfo não desejavam que a Água Branca fosse embora também. Após algumas tentativas infrutíferas de recuperar a Água Branca, os líderes da cidade vizinha resolveram jogar sujo: no início de 1913 fizeram circular entre os moradores da colônia polaca um abaixo-assinado, falando que seria para promover melhorias na estrada e na localidade. O problema é que os moradores da Água Branca não liam em português e, sem saber, assinaram em massa um abaixo-assinado que pedia a anexação da comunidade à cidade de Triunfo.

Quando os moradores descobriram que haviam sido ludibriados, o assunto já tramitava em Curitiba, e a mudança era dada como certa.  mediatamente os colonos da Água Branca se mobilizaram e lotaram a reunião da Câmara de Vereadores de São Mateus. O presidente da Câmara, Henrique Burmester, registrou assim o evento, que foi publicado no dia 11 de abril de 1913, no jornal A República, de Curitiba: “A Câmara Municipal, reunida hoje, presente grande número de moradores da colônia Água Branca, protesta energicamente contra a anexação da Água Branca ao município do Triunfo”. No manifesto, Burmester também cita que “os colonos, alaqueados em sua boa fé, deitaram assinaturas no abaixo assinado”.

Para recuperar a Água Branca, São Mateus atuou em três frentes. Na primeira, os vereadores pressionaram o governo do estado. Na segunda, o chefe do Partido Republicando local, Jorge Mader, também emitiu um manifesto de todo o diretório, direcionado à imprensa e ao governador. Por fim, a comunidade da Água Branca fez um novo abaixo assinado, desta vez mostrando o desejo de permanecer em São Mateus. Na queda de braço que se formou entre São Mateus e Triunfo, a vitória foi são-mateuense. A Água Branca seria eternamente nossa!!!

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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