Seja natural ou cesárea, as decisões das mulheres devem ser respeitadas. (Fotos: Acervo Pessoal)

No momento em que a mulher descobre que está grávida, a gestação se torna um dos momentos de mais dúvidas em sua vida, dentre elas, a hora do parto. Nos últimos tempos está sendo debatido entre mães, doulas e equipe médica o parto humanizado, que respeita e compreende a autonomia de decisão da mãe no momento do parto e garante uma melhor qualidade de vida para ela e o bebê.

Parto natural humanizado

Quando descobriu que estava grávida, a são-mateuense Michelli Furtado se aprofundou mais no assunto e como funcionava toda a questão do parto natural humanizado. “Quanto mais eu lia sobre o assunto na internet, mais eu me interessava e tinha a certeza de que era isso que eu queria”, relata. Conversando com mais mulheres que passaram por essa experiência, Michelli encontrava a coragem que tanto buscava. “As mães me incentivavam e eu achei a coisa mais linda, natural e fisiológica que existe, me emocionava em cada relato.”

Dentre os pontos que mais chamaram a atenção de Michelli para o tema foi o protagonismo da mulher e seu bebê no momento do parto. “Temos que entender que eles são os mais importantes”, diz. Durante a preparação, a são-mateuense buscou informações com especialistas, como equipe médica, pediátrica e todo o apoio de sua doula, Daiane Sander Kielb. “Posso dizer que a confiança em seu obstetra é essencial. Você precisa ter a certeza de que o seu médico não vai te levar para uma cesárea desnecessária e que vai te apoiar em suas decisões. A doula foi peça chave para amparar eu e meu marido em toda a preparação, pois o psicológico tem que estar bem consciente de todo o processo”, aconselha.

É importante a mulher conhecer todos os seus direitos, principalmente o de ter um acompanhante no momento das consultas na gestação, no parto e pós-parto. Michelli junto de sua doula projetaram um plano de parto, que constava todas as vontades da mãe e os cuidados com ela e principalmente com o bebê. O nascimento do pequeno Matteo aconteceu no dia 23 de janeiro no hospital e maternidade APMI de União da Vitória, e Michelli teve todo o aparato necessário para seguir os seus desejos.

“Meu corpo é preparado para todo esse processo, e esse pensamento foi o que me fez seguir com o parto natural até o fim, sem pedir por analgesia e muito menos pensar em pedir por cesárea”, compartilha. Mas ela afirma que estava consciente que se fosse necessária a interferência cirúrgica para que seu filho viesse com saúde, ela confiaria nas mãos do seu médico. “Seria sensacional se todos os hospitais abraçassem a ideia do humanizado, com uma estrutura adequada e médicos defensores desse procedimento.”

Cesárea humanizada

Há 3 anos, Gisele Moro iniciava tratamentos médicos para engravidar e realizar o sonho de ser mãe. Quando descobriu que estava grávida, ela também recorreu pelas redes sociais para buscar formas de parto que não fossem invasivas e que beneficiassem ela e o bebê. “Pesquisando e me informando sobre como funcionava a questão do parto humanizado, veio aquele sentimento de que sim: nós mulheres somos capazes!”

Nos primeiros meses de gestação, Gisele foi diagnosticada com pré-eclâmpsia. Após receber todo o aparato médico necessário, a situação se normalizou. “Marquei uma consulta com a doula, para dessa forma tirar todas as dúvidas se com o meu histórico eu poderia passar pelo parto natural humanizado”. Seu médico também a acompanhava e respeitava suas vontades.

Quando Gisele chegou na 40ª semana de gestação, ela não possuía nenhum sintoma que indicaria que sua filhinha estava para nascer de parto natural. “Tudo que eu tinha de fazer para o parto normal eu fiz, mas o meu corpo não caminhou para esse lado”, relata. Gisele possuía confiança nos profissionais que estavam do seu lado nesse momento, e recebeu toda a compreensão e apoio para o parto se tornar um momento inesquecível. O parto também foi no hospital APMI.

“O médico viu que eu estava desapontada por não conseguir um parto normal e conversou com sua equipe para humanizar, da melhor forma possível, a minha cesárea”, conta. Durante o parto Gisele não ficou amarrada e pôde acompanhar parte de sua cesárea com o pano que fica entre o procedimento e ela mais baixo. “Assim que a Clara nasceu, o médico colocou ela direto em meus braços. Pude sentir a minha filha e ficar o tempo todo do seu lado, esperando a placenta parar de pulsar”, relembra. É importante destacar que esse procedimento foi possível porque estava tudo bem com a saúde de Clara, que nasceu no dia 10 de dezembro de 2019.

Conversa com a doula

Daiane atua como doula desde 2013, e conta que o conceito de parto humanizado defende e respeita a individualidade das gestantes buscando adaptação, assistência, crença, cultura, valores e posições dessas mulheres. “É um parto com amor e respeito, em que a parturiente tem direito de escolher como quer parir. Esse parto pode ser cesariana ou natural”, afirma.

A doula relata que os benefícios são inúmeros, como no natural, a melhor e mais rápida recuperação e menor risco de infecções para a mulher, além de maior facilidade para o aleitamento. “Os benefícios de um parto humanizado seguem por toda uma vida. Ele aumenta o vínculo mamãe e bebê, reduz os riscos de depressão pós-parto, dá mais segurança para o bebê e saúde emocional de ambos”. A mulher tem o direito de ter um parto bem assistido, amparado, consolado e fortalecido. “Meu jeito de ser hoje, adulta, é um reflexo do momento que eu nasci.”

Momento de nascimento de Clara.

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