De vez em quando a vida nos dá um presente inesperado, mesmo sendo algo simples que muitos nem consideram como um presente, mas que no meu caso é, e de valor inestimável.

Falando nisso, há alguns dias entre tantas mensagens para adicionar como amigo no Facebook, recebi duas que me surpreenderam mesmo, numa delas um moça do interior de São Paulo e em outra um rapaz do Mato Grosso do Sul. Normalmente verifico quem são e se for conhecido ou ao mesmo tiver um tanto de amigos em comum, eu acabo aceitando, mas desde que tenha a página há um certo tempo.

Por acaso as duas mensagens chegaram com um dia de diferença, mas o que me chamou a atenção foi praticamente a mesma pergunta, “Por acaso você foi professor em Paranavaí”. Lá em Paranavaí foi onde comecei a dar aulas de Educação Artística, por que tinha vontade mesmo de lecionar, confesso que achava que seria muito legal ser visto como professor, já havia dado aulas particulares, palestras, mas nunca tomado conta de uma turma com uma disciplina para aplicar. Não tenho formação pedagógica, mas creio que dava conta do recado, apendendo muito com outros professores de formação. Mas foi paixão a primeira vista, quando entrei na sala de aula, me recordo como se fosse hoje, era numa 5ª série. Eu com um jaleco branco, de gravata (tinha o costume de usar, outra hora comento), com um par de esquadros e um compasso grande de madeira, e uma bolsa a tiracolo. Lembrei-me do filme “Ao Mestre com Carinho”, era por causa dele que eu estava naquela situação. Os alunos conversavam baixinho quando entrei e eles me olharam com ar de curiosidade, e a primeira pergunta foi feita pela Elisa, “O senhor é professor do que?”, já gostei do “Senhor” . A minha resposta foi “Desenho geométrico” e que foi retrucada com, “Mas não era Educação Artística?”. Expliquei que o nome era esse, mas o ensino na verdade era de desenho geométrico, mas que eles iriam gostar. Depois das apresentações, de muitos comentários, de matar muita curiosidade e de muitas risadas, acabou a minha primeira aula, e ao sair da sala, consegui escutar um comentário, “Gostei desse professor”, pronto a paixão tinha sido correspondida.

Ao responder no Facebook, que sim eu tinha dado aulas em Paranavaí, perguntei com muita curiosidade, se me conhecia, ou tinha sido meu aluno, e a resposta foi que se eu era o “Professor de Gravata” então tinha sido sim meu aluno. Praticamente o mesmo ocorreu com ela. Conversamos muito, e ainda bem que lembravam muito mais coisas do que apenas a gravata. Mas a minha maior surpresa veio quando me falaram, e que surpresa… Ambos eram arquitetos e colocaram a “culpa” em mim. Fiquei maravilhado com isso e muito pensativo depois, em imaginar o quanto a gente pode influenciar a vida de alguém mesmo não querendo, mesmo não sabendo.

Nunca escondi a admiração de tenho pelos professores, e sempre falei que ser professor não é uma profissão qualquer, que é necessário ter um dom e gostar, ser realmente apaixonado por isso. Sou eternamente grato por todas as oportunidades que tive de estar numa sala de aula, onde mais aprendi do que ensinei, tenho certeza disso.

Se eles apenas tivessem lembrado da minha pessoa, eu já ficaria contente, se eles se dessem ao trabalho de me achar tanto tempo depois, me sentiria muitíssimo gratificado, mas além de tudo isso, se tornarem arquitetos porque por um ano fui professor deles na 7ª série e outro na 8ª série (nem quis fazer conta sobre isso), mas se vão uns 30 anos, e me têm na memória, é quase como chegar ao Paraíso, e agradeço a Deus por isso.

Hugo Lopes Júnior
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