Histórias de Terra e Céu

O fascínio do invisível!

(Imagem: Instituto de Astronomia da UFRGS)

(Imagem: Instituto de Astronomia da UFRGS)

Quando realizo palestras nas escolas, sempre abordo as questões básicas, como movimento da Terra, composição do Sistema Solar e as estrelas e constelações. Não entro em temas como Big Bang, Teoria da Relatividade, expansão do Universo, pois demandariam um curso mais avançado. Mas mesmo assim, sempre que acabo as palestras e abro para perguntas, alguma criança levanta a mão e me coloca em apuros: “É verdade que existem buracos negros?”. O fascínio pelos buracos negros atinge todas as idades. Nesta semana o leitor Evandro Soares me mandou uma mensagem: “Gostaria de ler em suas colunas sobre buracos negros”. Pois então vamos atender ao pedido do amigo Evandro e de todos que são fascinados por este tema.

Quando Newton explorou os conceitos de gravidade, a humanidade descobriu que quanto mais massa um corpo tiver, maior a atração gravitacional que ele provocará. É por isso que a Lua gira em torno da Terra (que tem bem mais massa que ela), a Terra gira em torno do Sol, e todos juntos giramos em torno do centro da Via Láctea. Mas no século XVIII alguns cientistas fizeram a seguinte proposição: e se houvesse um objeto com tanta massa, que tivesse tal poder de atração capaz de absorver até a luz que ele próprio emitisse?

A ideia pareceu tão maluca que o próprio cientista Laplace, que havia defendido ela em um de seus livros, resolveu excluí-la de edições posteriores. O assunto ficou adormecido até Einstein, com sua teoria da relatividade, mostrar que a gravidade poderia deslocar a luz. Depois disso vários cientistas evoluíram com a ideia, chegando à proposição da existência desses buracos negros.

Mas o que seria tão poderoso para formar um buraco negro? Os cientistas comprovaram que as estrelas supermassivas, ao explodirem, geram uma supernova, quando a cada segundo, este tipo de estrela gera 100 vezes mais energia do que o nosso Sol gerará em toda a sua vida. Mas quando toda a energia é dispersada o que resta no centro da antiga estrela é o buraco negro, uma região do espaço que poderia atrair tudo o que passe por ali, inclusive a luz.

Mas se este objeto não emite luz, como pode ser visto? Assim como o vento, um buraco negro é visto pelos efeitos que causa. Por exemplo, já descobrimos nossa galáxia possui um buraco negro em seu centro com quatro milhões de vezes a massa do Sol. O movimento das estrelas na região dá uma boa ideia de onde o buraco se encontra e qual o “apetite” dele. Recentemente alguns astrônomos do Instituto Max Planck acompanharam este buraco “devorando” uma nebulosa. Mas podemos ficar tranquilos, pois estamos muito longe deste faminto e, antes que ele consiga nos devorar, provavelmente o Sol já terá explodido (ou teremos dado um jeito de destruir nosso planeta!).

Mas se você não consegue ver um buraco negro, não fique preocupado! No próximo bate-papo falarei sobre dois encontros celestes muito belos que ocorrerão no mês de junho.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Últimos posts por Gerson Cesar Souza (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
O Senhor dos Anéis é o deus do tempo!
O Mês dos Eclipses
Mendoncinha e a lei “inconstitucional” da erva-mate