Antônio Tomasczewski é ferreiro aposentado e há 54 anos montou seu ferro-velho em São Mateus do Sul. Em seu acervo de sucatas antigas, Antônio guarda chaleiras, cincerros, macacos hidráulicos e demais objetos. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Apesar de contar com muitas dificuldades atualmente, os ferros-velhos ainda são empreendimentos importantes para controlar o fluxo e descarte de ferros e materiais similares de maneira adequada. Outro ponto positivo desses locais são o reaproveitamento de peças, que muitas vezes são procuradas por outras pessoas para a utilização em outros fins.

Estando em São Mateus do Sul há 54 anos, o ferro-velho de Antônio Tomasczewski – mais conhecido como “Antônio Ferreiro” –, conta com a classificação de ferros e sucatas, juntamente com a história de amigos que foram se formando todos esses anos. “Às vezes vem gente aqui só para olhar o que tem e depois vão embora, sem levar nada”, conta Antônio, que trabalhou como ferreiro desde muito jovem, incentivado pelo pai. A curiosidade de muitas pessoas também fez parte da curiosidade da equipe da Gazeta Informativa, que passou uma tarde conhecendo a história de um dos mais antigos ferros-velhos de São Mateus do Sul.

Nascido na comunidade de Água Branca, Tomasczewski conta que decidiu montar o ferro-velho quando mudou-se para a cidade, pensando na limpeza do município. “Um outro motivo que me levou a montar foi a minha oficina de ferreiro, que ficava ao lado do terreno onde hoje encontra-se o ferro-velho. Eu via que ninguém juntava sucata aqui na cidade e decidi montar meu próprio negócio”, diz.

A partir daí, mais e mais pessoas passaram a conhecer o espaço destinado para esse tipo de material, que arrecada todos os dias uma grande quantidade de resíduos sólidos. Se aposentando como ferreiro, o amor pela profissão nunca ficou de lado, e atualmente Antônio é responsável pelo ferro-velho. “Hoje as coisas mudaram e o valor pela sucata está muito desvalorizado. Os preços de venda caem toda a semana”, ressalta. O serviço de um ferro-velho se caracteriza pela limpeza nos entulhos de sucata, onde a pessoa leva até o local os resíduos que depois são vendidos e prensados para descarte final. “Todas as sucatas que saem daqui vão para o Rio Grande do Sul”, explica. Em todos esses anos de serviço, Antônio comenta que a lucratividade com esse tipo de serviço nunca foi muito recompensada.

 

Alguns materiais que foram deixados no ferro-velho fazem parte da ornamentação do local, onde em baixo de um pézinho de pinheiro, as cadeiras de dentistas dos anos 60 se misturam a bancos de ônibus e são ponto de encontro dos amigos do ferreiro aposentado. “Tem época que nesse espaço enche de gente para tomar chimarrão”, enfatiza.

Como um bom proprietário de ferro-velho, Tomasczewski guarda na garagem de sua casa algumas peças de sucata para seu acervo próprio. “Muitas pessoas chegam aqui atrás de materiais antigos como chaleiras e ferros de passar roupa. Aqui dentro eu separo algumas peças”, diz. Ali podemos encontrar cincerros, macacos hidráulicos, machados e até um barco de pesca, pois afinal: “Nunca se sabe quando alguém irá precisar.”

Mesmo com a falta de incentivo público para a venda de ferros-velhos, Antônio diz que pretende continuar com o empreendimento até quando a vida lhe permitir. “Abri também a Casa do Ferreiro, que hoje quem gerencia é meu filho”, comenta. Mesmo com os obstáculos enfrentados atualmente, o setor de ferro-velho desfruta de histórias e tradições que passam de pai para filho como forma de manter a rotatividade do negócio e perpetuar histórias de luta e trabalho.

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