Histórias de Terra e Céu

O garoto de São Mateus do Sul que virou herói nacional

Na semana passada a turma do exército (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva – CPOR) do meu irmão, lá no Rio Grande do Sul, completou 30 anos. Ao ver o convite para o encontro de confraternização, descobri que o nome da turma era “Max Wolff”. Fiquei surpreso. Sabia que ele era um antigo morador de São Mateus do Sul e que tinha lutado na Segunda Guerra, e depois homenageado com nome de rua na cidade, mas qual a importância que ele teria para que até o exército gaúcho chegasse a homenageá-lo? Fui pesquisar a vida dele e descobri que o garoto de São Mateus havia sido reconhecido até pelos Estados Unidos! Embarque comigo nesta história!

Max Wolff Filho nasceu em Rio Negro, dia 29 de julho de 1911. Seu pai trabalhava numa empresa de vapores, mas o grande polo da navegação na época era uma cidadezinha às margens do Iguaçu, chamada São Mateus. Quando a empresa se transferiu para nossa cidade, o garoto Max e sua família vieram juntos. Com 11 anos o pequeno guerreiro já alternava os períodos na escola com trabalhos na fábrica de moagem de café e no escritório de navegação (atividades na qual acompanhava o pai). Por ser muito inquieto, quando concluía os trabalhos corria para o porto, e ajudava os marinheiros a carregar os vapores com erva-mate.

Mas o grande sonho de Max Wolff Filho era a vida militar. Amava escutar as histórias do avô que havia lutado no Cerco da Lapa. Seu pai também havia sido alferes em Rio Negro, e se tornou subdelegado em São Mateus. Foi por causa deste sonho que Max foi para Curitiba e ingressou no exército. Na década de 30 atuou na Polícia Militar, no Rio de Janeiro. E quando o Brasil resolveu enviar soldados para a Segunda Guerra Mundial, Max Wolff Filho se apresentou como voluntário.

Embarcou no dia 20 de setembro de 1944 e rapidamente conquistou fama nos campos de batalha. Todos se impressionavam com sua bravura, assumindo as missões mais perigosas. Na metade de dezembro de 1944, uma tropa aliada foi surpreendida pelos alemães. Dezenas de soldados ficaram feridos e as forças médicas não conseguiam resgatá-los devido ao intenso fogo nazista. Max Wolff convenceu seus homens a enfrentarem o nevoeiro e os tiros dos inimigos, e só descansou quando resgatou o último ferido. Três meses depois um novo ato de bravura foi registrado pelos superiores, quando os nazistas destruíram as linhas de comunicação, e Max Wolff liderou uma ofensiva sobre eles, sustentando fogo enquanto as linhas eram recuperadas.

Ainda durante a guerra, o governo dos Estados Unidos agraciou Max com a Bronze Star, medalha de reconhecimento por sua bravura. Era apenas uma das medalhas e homenagens que ele receberia. Em fevereiro de 1945 Max Wolff participaria da tomada de Monte Castelo, o maior feito do exército brasileiro na Guerra. Dois meses depois ele já estava em uma nova missão, fazendo reconhecimento da chamada “Terra de Ninguém”, em Maserno, também na Itália. Ao tentar cruzar uma cerca de espinhos preparada pelos alemães, Max foi avistado pelo exército nazista e uma rajada de metralhadora rasgou seu peito. Seu corpo levou dois dias para ser resgatado, e foi enterrado em um cemitério para pracinhas brasileiros, lá mesmo na Itália.

Ao morrer, Max deixou uma filha de dez anos. Também deixou a história de um amor mal resolvido: Max era apaixonado pela esposa, mas ela havia lhe abandonado, e muitos de seus colegas associavam sua bravura a uma atitude suicida por ter perdido o amor de sua vida. Falando sobre isso, teria dito a um companheiro de batalhas: “Vim à guerra à procura da morte… Depois que me vi abandonado pela mulher que amava, a vida perdeu todo o interesse para mim”.

Seja por um amor suicida ou por uma bravura espetacular, o certo é que o garoto de São Mateus ajudou os aliados a vencerem a Segunda Guerra Mundial e se tornou um herói, reconhecido até fora do país.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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