Especial

O Gaúcho, seu caminhão e a estrada

Vilson Pereira trabalha há 22 anos como caminhoneiro e estava manifestando seus direitos junto dos outros caminhoneiros na paralisação em São Mateus do Sul. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

O Brasil inteiro e o exterior acompanharam no final do mês de maio toda paralisação dos caminhoneiros em território nacional. Noticiários eram focados nas reinvindicações e suas possíveis consequências no cotidiano de todos os brasileiros.

Junto dessas mobilizações e da magnitude que elas alcançaram, também pudemos conhecer a história de vida pessoal e profissional de alguns caminhoneiros que fizeram das estradas brasileiras a sua casa durante os dias de paralisação nacional.

Em São Mateus do Sul, dezenas de profissionais do ramo fixaram e compartilharam suas reinvindicações com os moradores do município. Dividindo histórias e trazendo para perto da população o cotidiano de seu trabalho, Vilson Pereira, mais conhecido como Gaúcho, abriu a porta de seu caminhão para a equipe da Gazeta Informativa no último dia de paralisação e contou sobre a sua vida e a paixão pela estrada.

Natural de Canoas, Rio Grande do Sul, Gaúcho transporta em seu caminhão xisto produzido pela Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), de São Mateus do Sul para o resto do país. Trabalhando “no trecho”, há 22 anos, Vilson relembra que desde muito pequeno olhava admirado os caminhões pelas estradas.

“Meu padrasto era caminhoneiro e desde meus 7 anos fui criando uma paixão por essa vida. Eu contava os dias para minhas férias da escola para viajar junto com ele”, informa.

Quando completou 18 anos e 1 dia, sua carteira de motorista já estava sendo feita. Aos 21 anos, as viagens de caminhão pelas estradas brasileiras já faziam parte do seu cotidiano. “Com toda a certeza o que mais dói é a saudade da família e de casa quando estamos em viagem trabalhando”, admite.

Casado e pai de um menino de 6 anos, Gaúcho comenta que durante os dias de paralisação a preocupação de sua família era intensa. “Minha mãe me ligava perguntando se aqui tinha violência e se eu estava passando alguma necessidade”, diz.

Muito pelo contrário, Gaúcho afirma que em São Mateus do Sul encontrou o apoio de muitos colegas de trabalho, que juntos, formaram um laço de irmandade nos dias que aqui passaram.

Nessas décadas de estrada muitas histórias marcaram a sua vida profissional. “Você constrói um vínculo de amizade muito grande que levará para o resto da vida. Gosto muito de tirar fotos de paisagens, e a recompensa em todos esses quilômetros rodados são as vistas que encontramos”, afirma.

Questionado sobre o desfecho da paralisação, Vilson traz à tona a seguinte questão: “quero que as pessoas entendam que todos esses dias de manifestação foram pensados no bem de toda uma nação. Se aqui estava faltando gasolina e algum tipo de mantimento, para minha família no Rio Grande do Sul também estava. Infelizmente vou embora triste, mas com a certeza de que vou permanecer nessa profissão até quando Deus permitir, lutando bravamente para levar o melhor para todos”, encerra.

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