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O gênero do amor é a igualdade

Da esquerda para a direita, Leandro Charneski Pereira Ribeiro e Léo Pereira Ribeiro, casal que busca no comprometimento de união e cumplicidade transformar o pensamento de julgamento precoce de muitas pessoas. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Há quem diga que o amor é o responsável pelo sentido de nossa vida, e como ele não se manifesta de maneira representativa como um objeto que podemos tocar e observar, a forma abstrata e o jeito simples, porém sempre presente, faz com que este sentimento tenha a habilidade de romper barreiras, fronteiras e preconceitos.

Cada um possui a capacidade de escolher a forma como o amor irá se encaixar de acordo com sua necessidade de felicidade, é algo natural, fraterno e puro, que não necessita de padronização quando o foco principal é a troca de carinho, e não a maldade.

Fortalecendo estes quesitos 24 horas por dia no decorrer dos anos de relacionamento, Léo Pereira Ribeiro e Leandro Charneski Pereira Ribeiro são a forma expressiva de que o amor não se limita apenas em designações de gênero, mas sim, na forma humana de amar e principalmente, respeitar.

No perfil desta semana você acompanhará a história e a relação diária do primeiro casal de homens a se casarem em São Mateus do Sul, e poderá compreender como é lidar com o carinho e também com o pré-julgamento encontrado cotidianamente.

O processo de aceitação

Ambos nascidos em São Mateus do Sul, um na cidade, outro no interior, Léo e Leandro relembram que uma das principais dificuldades durante a infância e adolescência foi lidar com as chacotas e brincadeiras por eles serem simplesmente quem eram. “Na época de escola eu não entendia o porquê que as crianças da minha idade viam a minha maneira de ser tão diferente, tão feia e tão engraçada. Comecei o meu processo de aceitação com 16 anos, mesmo ouvindo que o meu comportamento era interpretado de maneira errada”, relembra Léo.

Léo comenta que desde criança não conseguia compreender o que se passava com ele e porque o jeito, a voz e sua maneira de ser incomodava tanta gente. “As pessoas não escolhem ser x ou y, elas escolhem ser elas mesmo”, defende.

Já para Leandro, o processo de aceitamento aconteceu de maneira parecida com a de Léo. “Na verdade, a gente nasce sabendo o que é realmente, não é algo que você descobre ao longo da vida. O mais difícil para mim foi tentar esconder algo que você percebe que muitas pessoas abominam na exclusão, agressão e humilhação”, diz Leandro.

Além da aceitação pessoal, a familiar é um dos principais receios quando o assunto é assumir a homossexualidade, “quando um pai e uma mãe realmente amam seus filhos eles irão amar aquele ser humano independente do que aquela criança fizer de sua vida”, diz Léo.

Felizmente a aceitação da família tanto do Léo quanto a do Leandro foram bastante positivas, “esse ponto que achamos interessante, pois no meio LGBT (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), muitos não são aceitos pelos pais e são expulsos de casa pela orientação sexual, mas nós tivemos a sorte de ter uma aceitação familiar tranquila”, informam.

Como se conheceram

Você acredita em amor à primeira vista? Pois saiba que esta relação de amor está durando 7 anos entre Léo e Leandro. Se conhecendo no Terminal Rodoviário Guilherme Kantor aqui no município, o casal fez a conhecida troca de olhares e percebeu que naquele momento surgia ali, uma relação de cumplicidade.

“Eu estava conversando com um ex-companheiro que estava tentando reatar comigo, e ali no mesmo momento o Leandro passou por mim e ficou me olhando. Depois fui até ele e a gente conversou. A partir daí começamos a ficar juntos”, lembra Léo.

Planejando uma forma de aproveitar todos os momentos ao lado do companheiro, em menos de um mês o casal estava morando junto. “As pessoas perguntam para gente como é trabalhar e conviver 24 horas por dia. Comparado com outros casais, o tempo que a gente passou juntos nesses 7 anos dá para contar uns 50 anos de carga horária”, brinca Léo.

“Nós somos muito amigos, e as vezes podemos até não ter assunto quando estamos sozinhos em casa nos finais de semana, mas o fato de olhar para o lado e saber que a pessoa que você ama está ali, para mim já é o suficiente”, admite Léo.

Parceiros para visitar cachoeiras nas horas vagas e comer as famosas “gordices” acompanhados de um bom filme, série ou desenho animado, Léo e Leandro são pessoas que buscam sempre a proximidade e conexão com a natureza, e se sentem realizados com os pequenos gestos de carinho que recebem no decorrer dos dias de trabalho.

E por falar em trabalho, o casal é dono de um salão de beleza que traz consigo não só a beleza estética, mas sim a humana. Lá eles aprendem com histórias e testemunhos de vida das clientes à serem ainda mais altruístas e respeitarem a igualdade entre todas as pessoas, da mesma maneira que querem ser respeitados.

“As pessoas acham que a nossa relação é bastante diferente, mas nós trabalhamos como qualquer pessoa, vamos ao mercado, à lojas e em padarias. Temos a nossa casa para cuidar, limpar e a nossa rotina diária. Também temos nossas discussões como qualquer outro tipo de casal. Tratam muito como se a nossa relação fosse algo anormal, mas estamos aqui para mostrar que é igual como qualquer outra”, encerram.

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