(Imagem Ilustrativa)

Na década de 1970, eu assistia na televisão uma série norte-americana, cujo nome emprestei para o título da Coluna desta semana.

Steve Austin, o personagem principal, um ex-astronauta que sofreu um acidente aéreo, recebeu alguns implantes, que o transformaram num ciborgue: um braço, uma perna e um olho. Na ficção, conseguia realizar façanhas, como correr a 90 Km/h, saltar muitos metros, erguer rochas e tinha uma visão que contava com um zoom de vinte vezes e enxergava no escuro. Os jovens de hoje em dia diriam que ele era fraquinho, pois mesmo eles, já conseguem proezas com o auxílio da tecnologia, com um custo infinitas vezes menores que os seis milhões de dólares (atualizando os valores, com base numa inflação de mais de quarenta anos chegaríamos a aproximadamente US$ 37 milhões) emprestados a personagem de Lee Majores.

Também durante a década de 1970 surgiu Jamie Sommers, a Mulher Biônica, interpretada por Lindsay Wagner. Jamie possuía implantes similares a Steve, com uma super audição.

Fiquei imaginando como seriam um homem, ou mulher, biônicos, hoje em dia. Na maioria dos casos, não precisariam de implantes ou próteses, mas simplesmente do uso de alguns acessórios.

Óculos para visão noturna: fácil, fácil. E se além disso os óculos substituíssem um implante coclear e fizesse você voltar a ouvir, através de vibrações nos ossos do crânio. Ou ainda lhe permitissem simular um mapa da região e lhe guiassem, mostrando o caminho e os obstáculos à frente.

Você também poderia abrir a gaveta e pegar um outro par de óculos e, à distância, operar a sua planta industrial, pilotar o seu avião ou conduzir um veículo. Para desestressar, pegaria esses mesmos óculos e se mudaria para um universo paralelo, se colocando dentro do seu game favorito.

E se algo enxergasse por você? Você poderia optar por câmeras camufladas ou miniaturizadas que poderiam observar tudo. Um movimento imprevisto, um objeto retirado do lugar, uma regra desobedecida, tudo poderia estar conectado, em tempo real, com seu smartphone ou outro dispositivo, enviando um alerta e transmitindo as imagens.

Seus olhos ficaram cansados? Que tal experimentar alguns fones de ouvidos? Ouvir música com a mais alta fidelidade e sem fio, conectar-se a aparelhos eletrônicos, são básicos. Com ele você poderia conversar com pessoas falantes de vários idiomas e ter tradução simultânea, por exemplo.

Ah! Você queria saltar um muro de seis metros de altura e ver o que acontece do outro lado? Basta escolher o drone adequado. Se você quer apenas imagens ou sons, um drone leve e simples pode ser usado. Você quer entregar uma encomenda? Há alguns que suportam bastante peso. Mas se o que você quer é explodir o local, nas guerras atuais há muitos danos registrados, causados por drones sofisticados.

Exoesqueletos estão sendo desenvolvidos para devolver movimentos às pessoas. Alguns pensam na tecnologia também para desenvolver super soldados.

Mas o seu principal acessório, que o transforma num ser tecnológico e com habilidades especiais, continua sendo o seu aparelho de telefone celular.

Então, com uns seis mil dólares compraríamos mais tecnologia que o nosso amigo biônico de seis (ou trinta e sete) milhões de dólares da década de 1970.

Mas tudo tem seu preço não aparente. Uma supervisão ou super audição também implicam em supervisionamento e monitoramento de terceiros, já que estamos mais conectados. Cada vez mais somos espionados em nossas ações. Aquilo que vemos, ouvimos, falamos ou sentimos pode estar sendo compartilhado, independente da nossa vontade. Em breve poderão conhecer até nossos pensamentos. Melhor, já conhecem, quando fazemos pesquisa em algum site de buscas.

Adnelson Borges de Campos
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