Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

O homem voador de São Mateus do Sul

Desde criança Cleomar Bettanin é apaixonado por voos e altura. Em 2010 ele adquiriu seu paramotor e desde então, sobrevoa São Mateus do Sul e municípios vizinhos. Outro hobby de Bettanin é a paixão por carros antigos. Sendo um dos fundadores do Clube Amigos do Carro Antigo de São Mateus do Sul, hoje ele possui uma TL de 1973 e um Dodge Charge Americano de 1969. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

É um pássaro? É um avião? É algum ataque? Espera aí! É apenas o homem voador de São Mateus do Sul!
Se você reside no município, ou em algum lugar da região que já foi palco para os voos e aterrizagens de Cleomar Bettanin, deve saber de quem estamos falando. Na edição de perfil dessa semana você conhecerá a vida do homem voador que corta os céus são-mateuenses desde 2010, com voos em um paramotor.

Natural de Pinhalzinho (SC), Bettanin passou a infância e boa parte da adolescência trabalhando na lavoura com seus pais. De vida simples, mas que lhe trouxe muito aprendizado, o catarinense leva até hoje a paixão pelo cotidiano no campo. “Com a falta de tecnologia na época, brincar pelos matos com os primos era uma das coisas que mais fazíamos nos finais de semana”, comenta.

Sem largar as raízes, hoje Bettanin é proprietário de um sítio na comunidade de Pimenteira, interior de São Mateus do Sul. “Lá tenho espaço para plantar erva-mate e meus pomares.”

Buscando estudos fora de sua cidade natal, hoje Bettanin trabalha embarcado nas plataformas da Petrobras e atua como técnico em instrumentação industrial. “Fico 14 dias em alto mar, e folgo 21 dias.”

Residindo em muitas cidades por conta do emprego, através de um concurso, ele e a esposa acabaram conhecendo São Mateus do Sul em 1997. “Hoje eu falo: já estou com os pés fincados nessa terra”, brinca.

Casado e pai de dois filhos, Bettanin conta que a tranquilidade do município é essencial para a criação das crianças. “Teve uma época que eu gostava muito de pedalar, e cheguei a conhecer todo o interior de São Mateus do Sul”, conta.

Carros antigos

Sendo um dos fundadores do Clube Amigos do Carro Antigo de São Mateus do Sul, Cleomar iniciou a admiração por máquinas antigas com 12 anos, depois de observar a capacidade de um TL em um arrancadão.

O arrancadão é um tipo de competição automobilística que demonstra a capacidade de um carro nas arrancadas. “Ninguém dava nada na capacidade daquela TL, e no final das contas ela ganhou a competição em nossa cidade”, relembra.

Desde então, a paixão por veículos antigos começou a aflorar, e hoje uma TL de 1973 e um Dodge Charge Americano de 1969 ocupam o espaço de sua garagem. “Não só carros antigos, mas eu admiro a antiguidade como um todo”, afirma.

Bettanin e seu paramotor

“Desde de pequeno fui apaixonado por voos e altura. Eu desenhava um helicóptero nos cantinhos de cada página do meu caderno”, relembra Bettanin. Ele comenta que nunca se imaginou com condições financeiras para adquirir um equipamento para voo.

Com o passar dos anos, a vontade de voar se intensificou mais, e Bettanin começou a pesquisar equipamentos que possibilitassem esse contato direto. “Sempre quis ter um parapente, que é um dos equipamentos mais seguros para voo. Mas como aqui em São Mateus não há morros para a decolagem, esse meio limitava um pouco a logística.”

Após pesquisas, ele acabou conhecendo o paramotor, que é uma mistura de parapente com motor, que sustenta toda estrutura nos ares, sem precisar necessariamente de um ambiente alto para as decolagens. “Sem falar da praticidade na maneira de guardar todo equipamento”, admite.

Esse é o motor utilizado no paramotor, principal responsável pela sustentação do equipamento nos ares.

Realizando um curso de 40 horas em Araçatuba, interior de São Paulo, Cleomar comenta que a preparação traz uma perspectiva para pouso e localização. “Já cheguei a voar 1.800 metros. Hoje voo normalmente há 300 metros de altura”, diz.

(Foto: Acervo Pessoal)

Estudando a mecânica do vento, Bettanin reforça que o conhecimento sobre clima e as peças do paramotor são essências para a segurança na hora do voo. “Sempre checo todos os parafusos do meu equipamento para evitar qualquer problema”, reforça. O parapente pesa aproximadamente 25 quilos e chega à 45 km/h.

Instigado sobre os comentários que já ouviu em São Mateus do Sul quando realiza os voos, Bettanin relembra rindo: “existem pessoas que querem dar um ‘pelotaço’, outras que me chamam de maluco e até pensaram que eu trazia droga.”

Apesar do lado cômico, Cleomar afirma que muitas pessoas o agradecem por registrar em algumas fotos São Mateus do Sul de outra perspectiva. “Tem alguns detalhes que você só percebe voando. A visão é diferente quando vemos tudo do alto”, afirma.

O comprometimento e o sentimento único de liberdade fazem com que o paramotor se torne uma maneira de encontro com si mesmo. “Estou em um lugar que poucas pessoas têm contato, e cada ação que eu tomo é minha responsabilidade.”

Essa foto de São Mateus do Sul foi registrada por Bettanin em um de seus voos pelo município. (Foto: Acervo Pessoal)

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
Compartilhe esta reportagem...Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Print this page


Comentários: