Alvino Skrepetz é natural de Mallet e atua como juiz de paz desde 1987 em São Mateus do Sul. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

O casamento é um importante passo para a construção da família. Além de optar pela benção de Deus, existem aqueles que se casam de acordo com a lei dos homens, e realizam os votos perante à um juiz de paz, que são pessoas leigas competentes para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar processos de habilitação, sem, contudo, ter caráter jurisdicional.

Indicado ao cargo por João Maria Picheth, e atuando desde o dia 7 de abril de 1987 através da nomeação do ex-governador Álvaro Dias, Alvino Skrepetz é o juiz de paz titular na comarca de São Mateus do Sul, e conta que foi responsável por muitas celebrações no município, dentre elas, a realização do primeiro casamento homoafetivo da cidade. A diversidade e principalmente a cumplicidade são sinônimos que resumem tanto a vida profissional quanto a pessoal de Alvino.

Alvino Skrepetz já trabalhou em diversos segmentos. Na imagem de 1988, mostra ele atuando como juiz de paz, no início de sua carreira.

Nascido no município de Mallet, onde passou a infância com os irmãos, teve uma vida tradicional para a época. “Meu pai sempre me contava que quando minha mãe entrou em trabalho de parto, ele saiu de carroça atrás de alguma parteira. Minha mãe ficou a madrugada toda com um lampião ao lado dela pois não tinha luz elétrica naquele tempo”, comenta Alvino.

Apesar das dificuldades e da vida sem muita fartura, o malletense aprendeu desde cedo a trabalhar na lavoura, ajudando a família no sustento da casa. Antes da maioridade, Alvino junto de alguns familiares, mudaram-se para Arapongas, onde o jovem trabalhou na lavoura de café e logo em seguida passou a atuar em uma olaria na cidade de Apucarana, município do centro-norte paranaense. Com o passar dos meses, ele recebeu a proposta para trabalhar como porteiro em um hotel, onde era responsável pela realização de diversos serviços. “Eu fazia de tudo: servia café, arrumava as mesas, encerava o chão, nossa, até de garçom me colocavam”, relembra.

Mesmo com os dias corridos no trabalho, Alvino queria estudar para mudar a sua realidade. Em 1964, ingressou no curso técnico de contabilidade, e essa formação garantiu um emprego na capital Curitiba, mais precisamente no bairro Campo Comprido. “Como eu trabalhava no hotel, acabei fazendo muitas amizades, e fui convidado para trabalhar como encarregado de escritório em uma empresa de eletrificação”, diz. O aperfeiçoamento no novo emprego fez com que o rapaz conhecesse as leis trabalhistas e aprendesse um pouco mais sobre a datilografia. “Recebi até uma proposta para trabalhar na África. Estava tudo certo para ir até lá, mas sentia que não era isso que me faria feliz”, afirma.

Aceitando um trabalho em uma empresa de obras, Alvino chegou em São Mateus do Sul para a construção de algumas residências na Vila Americana, e foi pelas ruas do município que conheceu Rosely Toporowicz, sua esposa e que divide uma relação de união até hoje, com 37 anos de casamento. “Conheci ela quando estávamos indo em uma festa. Ela dirigia um fusca azul”, conta Alvino, todo apaixonado ao lado da esposa. Essa linda união resultou em um filho e uma linda neta. Os avós orgulhosos deixam espalhadas pela casa quadros da pequenina que é o orgulho da casa.

Alvino já celebrou incontáveis casamentos em São Mateus do Sul. Em julho desse ano, a proprietária da Gazeta Informativa, Thaís Siqueira se casou, e o juiz de paz marcou presença nesse importante momento. (Foto: Julia Roehrig Fotografia)

Já em São Mateus do Sul, Alvino atuou como gerente administrativo no Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes (HMDPF), de 1983 à 1989. Também trabalhou como chefe do Terminal Rodoviário, no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), no segmento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) do município, na Secretaria Municipal de Agricultura e também com homologações na Associação Comercial. Aposentado dessas funções, atualmente Alvino realiza as celebrações de casamento civil. “Teve até um dia que um casal chegou no momento do casamento e se ajoelhou na minha frente”, comenta de um jeito descontraído.

Alvino tem guardado o nome do primeiro casamento feito por ele, e todas as documentações que comprovam a sua profissão que hoje é titular no município. “Não penso em deixar minha função de juiz de paz tão cedo. Quero celebrar a união de mais pessoas em São Mateus do Sul”, encerra.

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