(Imagem Ilustrativa)

Dois fatos me levaram a escrever o texto desta semana. O primeiro foi ter assistido ao filme Frankenstein de Mary Shelley. O segundo foi ter me deparado, mais uma vez, com um texto que conta uma história divulgada entre os índios norte-americanos Cherokees.

Todos, de alguma forma, tratam da natureza humana, da disputa entre o bem e o mal, o amor e o ódio.

No filme, ou no livro, o Dr. Frankenstein cria, dá vida, a um ser feio na aparência, “construído” a partir de partes de vários cadáveres. Fugindo dos homens, a criatura se esconde no depósito de lenha de uma cabana e pelas frestas observa uma família. Aprende a ler e desenvolve um sentimento de bondade, de amor em relação aos ocupantes da cabana, ajudando-os nas tarefas do campo, sem que saibam.

A não ser pelo avô, cego, que deixa a criatura se aproximar, os demais o rejeitam, como todos os outros humanos. A partir daí, o monstro desenvolve seu lado mal, prometendo se vingar de seu criador e dos homens, o que executa.

No conto Cherokee, com raiva, um neto questiona o avô de como se comportar quando se sofre uma injustiça. Na resposta, o avô afirma que “o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

O velho índio continuou: “Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta. Mas o outro lobo, este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

O neto perguntou-lhe qual dos dois lobos vence. O avô respondeu: “aquele que eu alimento!”.

Muito se discute se o homem nasce bom ou com predisposição para o mal.
Jean-Jacques Rousseau, filósofo que viveu no Século XVII, afirmou que “o homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe”. Já para o renascentista, Nicolau Maquiavel, “o homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom”.

Mais recentemente, outros especialistas defendem que o homem nasce neutro e os sistema social é quem o educa e realça seus instintos. Também há quem defenda que ele nasce, de certa forma, mal, pois sua natureza mais primitiva, onde predomina o instinto de busca da sobrevivência, precisa que ele reaja mais duramente diante de ameaças.

A vida é uma guerra, um exercício diário, contínuo, entre o bem e o mal. No fim do dia, várias batalhas são perdidas e vencidas, sem que percebamos.
Diante de tudo isso, eu fico, com a teoria do velho Cherokee. Então, você pode escolher qual lobo alimentar, fazer a opção pela bondade ou pela maldade, pelo amor ou pelo ódio. Também pode deixar que outros alimentem um dos lobos, quando escolhe o seu grupo de convívio, quando faz suas escolhas de amizades, quando escolhe quem o representa, por exemplo.

É tudo uma questão de adaptação, de resiliência e de escolha de como agir diante das dificuldades. Alguns chamam esta capacidade de inteligência emocional. Assim, você toma consciência de que existem esses dois lobos e desenvolve suas habilidades para, racionalmente, usar um ou outro diante da situação que enfrentará.

Pense: qual lobo você tem mais alimentado?

Adnelson Borges de Campos
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