Cleomara, Daniela e Elza: nomes de mulheres fortes que nasceram com o propósito de ensinar para nós o verdadeiro sentindo da força feminina. Cleomara, Daniela e Elza viveram aqui em São Mateus do Sul e frequentavam os mesmos lugares que eu, você, seus filhos e companheiros. Cleomara, Daniela e Elza que mesmo sem querer, foram responsáveis por gerar dentro de mim um sentimento de luta, apoio e compreensão.

Cleomara Aparecida Sorotenic Pereira foi morta pelo ex-companheiro em frente ao Posto Castrovel em fevereiro de 2016. Daniela Kuba, há pouco mais de um ano foi vítima da mesma fatalidade dentro de sua própria casa. Elza Ribeiro Micharski faleceu no último domingo (5) pelos mesmos motivos. Elas despertaram dentro de mim que essa brutalidade precisa cessar em nossa cidade – e no mundo todo.

O feminicídio – que passou a ser tratado como sentença criminal desde o dia 9 de março de 2015 –, vitimou as são-mateuenses. De acordo com Eleonora Menicucci, que já foi responsável pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, o feminicídio trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte. Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências.

A violência contra a mulher inicia antes de acabar nas fatalidades que poderiam ser evitadas. Tudo começa no aumento do tom de voz, passando para palavras pesadas, que depois se transformam em ameaças, abusos, agressões, pressão psicológica e até mortes. Lógico que com isso tudo vem o medo e a vergonha de contar para algum familiar ou amigo o que de fato acontece. Infelizmente – o nosso município ainda é precário e não conta com uma Delegacia da Mulher, que dedicaria todos os trabalhos psicológicos e de confidência, sem julgamentos prévios. Não estou aqui para desanimar nenhuma mulher em relação à isso. Estou aqui para dizer que como mulher lutarei para que a realidade de nossa cidade mude. Conto com o apoio de mais pessoas que queiram colaborar com a luta. Quando uma mulher morre vítima de feminicídio, morre um pedaço de cada uma de nós.

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