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Antigamente, as mulheres tinham costumes diferentes dos de hoje, inclusive quando tinham seus filhos. O parto geralmente ocorria em casa, feito por uma parteira, principalmente na zona rural, pois era difícil levar a mulher até um médico ou trazê-lo até a casa da gestante. Quem nos explica esse hábito é Dona Odete, moradora há 70 anos, no Lajeadinho.

Dona Odete se casou aos 23 anos com seu Romeu. Tiveram seis filhos, todos de parto natural, em casa. A parteira que atendia as mulheres do lugar se chamava Dona Altiva. Após o bebê nascer, a mulher ficava em repouso por 40 dias se fosse menina e 41 se fosse menino. Esse período era conhecido por “resguardo ou dieta”.

No resguardo a mulher ficava restrita a algumas atividades físicas, poucos alimentos e certos costumes locais, como os relatados a seguir. Algumas mulheres não podiam varrer a casa, lavar a roupa, fazer pão caseiro ou serviços domésticos mais pesados. Geralmente outra companheira auxiliava a parturiente nesses dias, podendo ser sua mãe, sogra ou amiga de confiança.

A alimentação da nova mamãe tinha que ser leve e nutritiva. Era costume servir para ela canja de galinha, biscoitos e chá. A mãe ficava quatro dias no quarto escuro e o bebê, sete dias. O bebê não recebia visitas no sétimo dia, no décimo quarto e no vigésimo primeiro. Ele era alimentado com leite materno e alguns chazinhos de ervas medicinais conhecidas na região. Também era costume banhar o bebe com chá de erva doce para evitar brotoeja.

Em terra de erva-mate e chimarrão, a mãe só podia tomar um mate diferenciado. Era o chamado “mate doce”. Seus ingredientes eram: erva –mate torrada e grossa, açúcar, casca de laranja e hortelã. O toque final ficava por conta das brasas em cima do açúcar, que deixam um aroma perfumado no ambiente. Segundo dona Odete, o chamado “mate grande” era para ser tomado no final da dieta com ingredientes como abútua, pixilin, noz-moscada, erva-doce e erva cidreira, que serviriam, segundo a medicina popular para limpar o útero da mãe. Em alguns lugares esses ingredientes ainda eram tomados com pinga.

A superstição era uma crença muito respeitada no cuidado da mulher que acabou de ter um bebê. Durante dez dias a mãe não podia sair de casa para não tomar vento, pois poderia ter uma dor de cabeça que só terminaria na outra dieta, e também não podia lavar a cabeça durante esse período. Ainda era impedida de comer arroz e massas frescas para não ficar “barriguda”.

Não comer chocolate ou alimentos escuros para não dar cólica no bebê, aumentava a lista de costumes, segundo Dona Odete. Para o bebê dormir, bastava dar chá de alface como calmante. Era indicado ainda virar a roupa do bebê pelo avesso para que ele não trocasse o dia pela noite. Mesmo apresentando algumas variações entre as localidades, essas eram algumas tradições do nosso município. Muitas delas ainda são praticadas atualmente.

Referências

DALCOMUNI, DIGNER, Hilda Jocele. Hertzog Taiana. Escutando os saberes.in. Livros dos Saberes de São Mateus do Sul. INPCON: Instituto Neotropical, Org. Manuela Dreyer da Silva, Gledson Vigiano Bianconi. Curitiba, 2016.p.41,42.

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