(Imagem Ilustrativa)

Nós o conhecemos como o santo casamenteiro. E encontrar uma de suas medalhinhas nos tradicionais bolos de Santo Antônio é motivo de alegria para quem está procurando a sua cara metade. Mas, não será esse lado desse ilustre servo de Deus que irei abordar, cuja história nos narra tantos prodígios que parecem não caberem dentro de sua curta vida. Faleceu aos 36 anos de idade, no dia 13 de junho de 1231, na cidade de Pádua, Itália.

À época de Antônio, muitas eram as heresias que surgiam contra a fé cristã, em sua maioria de origem maniqueísta. Essas ideias propunham uma aparente diferenciação entre o Bem e o Mal, pregando que o bem é o criador dos espíritos e o mal o criador da matéria. Não teríamos assim um único Deus, mas dois e, portanto, segundo essa ótica, toda matéria é má. Imagino ser quase impossível viver nesse mundo acreditando em algo assim, afinal, até mesmo nossos corpos seriam maus. Embora essa doutrina pareça distinguir o mal do bem, na verdade, faz uma boa salada. Para a fé cristã, toda a criação é infinitamente boa, obra de um Deus amoroso, e o mal, por sua vez, entrou no mundo pela pequenez humana através do pecado original. Ou seja, vencer o mal está em nossas mãos e essa era a verdade que nosso santo defendia.

Certa vez na cidade de Tolosa, na França, Antônio foi levado a provar a presença de Cristo na hóstia consagrada. Um homem muito influente na cidade e defensor das causas de origem maniqueísta, ousou dizer a Antônio: “Prova-me, por um milagre público, que Jesus Cristo está realmente presente na Eucaristia. Eu juro que renunciarei logo as minhas doutrinas, para me submeter humildemente às que pregais.” O santo aceitou humildemente o desafio. O homem continuou: “Eu possuo uma mula, por três dias a deixarei presa na estrebaria, sem lhe dar nenhum alimento. Decorrido esse tempo, a levarei para a praça diante de todo o povo reunido e lhe oferecerei de comer. Por vosso lado, vós trareis a hóstia consagrada e irás apresentar à minha mula. Se, a despeito da fome de que estará devorada, ela se desviar do feno e da aveia que eu lhe oferecer, para ir se prostrar ante o vosso Sacramento, eu ficarei convencido e declarar-me-ei católico”. Ao chegar o dia, o homem caminhou com sua mula à praça pública, seguido por vários adeptos de suas ideias. Antônio também se dirigiu ao local com o ostensório nas mãos, seguido por muitos fiéis. Chegando junto à mula, o santo falou: “Em nome de teu Criador, que eu trago realmente nas mãos, apesar da minha indignidade; eu te digo, ó animal privado de razão, e te ordeno que venhas imediatamente com humildade prestar-lhe a reverência que lhe deves, a fim de que diante deste sinal, todos reconheçam que toda criatura se deve submeter a seu Criador, que o sacerdócio toca todos os dias no altar”. Enquanto isso, a comida era oferecida pelo seu dono, mas docilmente, a mula foi se prostrar no solo em frente ao ostensório com os dois joelhos e assim ficou, imóvel. O homem que criou aquele desafio também caiu de joelhos. Por essa defesa e tantas outras, Santo Antônio, que era um grande orador, ficou conhecido como o Martelo dos Hereges.

Hoje, fala-se muito em um “mal nem tão mau” e um “bem nem tão bom”. Sob esse pensamento, vive-se a vida segundo aquilo que se considera bom para si, não existindo uma linha moral para ser respeitada. Em outros momentos, sentimos que os valores recebidos de nossos pais estão se invertendo: o que era bom tornou-se ruim e vice-versa. Como Santo Antônio, precisamos mergulhar no conhecimento para distinguir o que é o bem e o que é o mal e, assim, não sermos adeptos de ideias vazias e traiçoeiras.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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