Algum tempo atrás, descobri que existe uma caixa de medalhas bem antiga, na Casa da Memória. São medalhas esportivas e a maioria mostra datas da primeira metade do século passado. O fato de não ter maiores informações sobre ela, instigava minha curiosidade. Deixei-a bem guardada, esperando um momento oportuno para abri-la (pois não tinha a chave), e descobrir a quem pertenceu. O tempo passou e um certo dia, olhando as fotografias, encontrei esta, que imediatamente relacionei à caixa misteriosa. Seria esse belo jovem, o dono das medalhas? Um mistério se formava. Agindo como uma investigadora, comecei minha busca por mais informações. As fontes históricas são como pistas para o historiador que as segue, em busca de respostas. Muitas vezes, ele acaba agindo como um “detetive”. A prática da historiografia é comparada à uma análise indiciária, ou seja, rastros, índices, signos, que revertem para algum acontecimento histórico. A relação entre História e Paradigma Indiciário foi explicitada pelo historiador italiano Carlo Ginzburg* e mostra uma importante reflexão dessa área.

Filho de José Leôncio Bueno e Maria Sebastiana Bueno, esse jovem atleta da fotografia, nasceu em uma fazenda ervateira no município de São Mateus do Sul, em 15 de novembro de 1905. Quando sua mãe ficou viúva, ela casou-se com Arnoldo Prohmann. João Bueno Prohmann adotou oficialmente o sobrenome do padrasto. Foi jogador de futebol e com apenas 15 anos, já fazia parte do Universal Futebol Clube de Curitiba, participando de várias atividades físicas. É descrito fisicamente (relato histórico de 1981) , como sendo muito forte, vigoroso, robusto. A fotografia mostra um pouco do seu tipo físico.

O jovem João, ingressou no Exército, onde cursou a Escola de Educação Física e obteve as divisas de 3° Sargento de Artilharia. Ao mesmo tempo, ingressava na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde formou-se em Engenharia Civil. Teve uma carreira brilhante nos esportes e no Exército. Enquanto acadêmico e militar, dedicou-se inteiramente ao atletismo destacando-se e conquistando medalhas em várias modalidades esportivas como: Voleibol, Basquetebol, Polo Aquático, Natação, Saltos Ornamentais, Corridas de fundo, Arco e Flecha, Arremesso de peso, Lançamento de Disco e Dardo, Pugilismo e Tiro ao Alvo. Ingressou na escola de oficiais e passando por várias graduações, foi promovido como coronel e reformado como general. Na fotografia em preto e branco, sem data e autoria, aparece uma dedicatória quase ilegível: “À minha querida tia ofereço este retrato como lembrança e em sinal… (…) ilegível (…) sempre lembrada pelo seu sobrinho Jango. 21-10-28” . Essa fotografia foi tirada no Rio de Janeiro, em 1928. Consta ainda impressa na foto: “Foto Carioca Rua Carioca 69”.

Aos 50 anos de idade, o então major Prohmann, competia no tiro ao alvo com carabina, o que o consagrou como um dos melhores atiradores do país. Concluiu a Escola de Intendência do Exército, passando a compor o quadro de oficiais. Na fotografia, que é um retrato, ele posa de meio perfil com uma camisa (uniforme?), cheia de medalhas. Nessa data ele tinha 23 anos, e já era um destaque pelo número de medalhas que aparecem presas à camisa. Também aparece as iniciais do seu nome. Visitou São Mateus do Sul algumas vezes, mas não voltou mais a residir em nosso município. Faleceu no hospital do Exército, no Rio de Janeiro, em 1978. No Centro Esportivo Olívio Wolff do Amaral, existe um lago denominado General João Bueno Prohmann”. No verso da fotografia também tem uma inscrição: “João Bueno Prohmann o maior atleta Militar”. A caixa de medalhas agora já possui um histórico, pertenceu à João Bueno Prohmann. Mistério solucionado!

Referências

Caminski, Francisco Augusto. Sinopse biográfica do eminente são-mateuense General João Bueno Prohmann. Acervo Casa da Memória Padre Bauer.
GUINZBURG, Carlo. Sinais: Raízes de um paradigma indiciário. In: Mitos, emblemas e sinais: morfologia e história. Trad. Frederico Carotti.São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Jornal Gazeta Informativa. 18 de setembro de 2015. Meio ambiente.

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