Histórias de Terra e Céu

O Nazismo e a Matriz – Parte I

Quem lê estas linhas semanalmente deve ter notado que gosto de coincidências. E na semana passada li uma postagem do meu amigo José Júlio falando de uma entrevista que fez com um morador da cidade, que afirmava que o nazista Mengele havia passado por São Mateus do Sul, quando a Matriz foi construída. Incrivelmente eu estava lendo um livro que trazia outra história ligando alguém que viveu o nazismo na pele, e a construção da Igreja Matriz. Embarque comigo nesta história!

José Júlio Azevedo é um cara apaixonado por história, religioso e poeta (talvez por isso eu me identifique tanto com ele!). Numa postagem recente ele relatou uma entrevista que fez com Afonso Kosinski, que trabalhou na construção do Banco Inco, prédio que existe até hoje na esquina da Barão do Rio Branco com a Dom Pedro II. O chefe da construção era o enérgico Alcebíades Fabrin, que na mesma época construía a Igreja Matriz São Mateus. Segundo Kosinski, na década de 50 Fabrin teria sido obrigado a aceitar na obra “um homem forte, alto, de com cerca de 1,90m, troncudo, dentuço e ruivão, penteado para trás, deixando ver as entrâncias calvas”.

O novo empregado era um pedreiro ruim, mas, ao contrário dos demais, aos quais Fabrin cobrava com energia, o “dentuço” construía sua parede torta sem ser questionado. Com o passar do tempo o “diabo” (conforme expressão do próprio Kosinski) foi se soltando, falando mal de negros e de brasileiros, e defendendo o Nazismo. Chegou a afirmar com orgulho: – Matamos milhões de judeus, raça ruim que não vale nada! A gente matava com gás ou queimava.

E toda a vez que o sino da Matriz tocava, o alemão falava: “A privada tá batendo o badalo”. Por fim, teria se identificado claramente: “Sou Josef Mengele”. Algum tempo depois, os mesmos homens que lhe trouxeram para a obra, levaram o alemão embora e, imediatamente, Fabrin mandou os pedreiros derrubarem a parede torta feita por Mengele.

Para os mais novos que leem estas linhas, Mengele era chamado de o “Anjo da Morte”, médico famoso por matar os judeus na Segunda Guerra Mundial, seja nas câmaras de gás ou em experimentos cruéis. Ele realmente fugiu para a América do Sul ao final do conflito, e há relatos de que entrou pelo Brasil, foi ao Paraguai, Argentina e Uruguai, voltando ao nosso país e morrendo em Bertioga (SP), em fevereiro de 1979. Dessa forma, não seria um absurdo a hipótese de que tenha passado por São Mateus em algum destes momentos de fuga (sempre perseguido pelo Serviço Secreto de Israel e ajudado por nazistas locais).

Segundo José Júlio, quando apresentou para Kosisnski uma foto de Mengele, ele foi enfático: “É esse mesmo, o dentuço, ele tinha esse espaço entre os dentes da frente!”. E ainda falou: “O diabo se escondeu aqui!”

Após Mengele deixar a cidade, outro personagem chegaria por aqui. Alguém que tinha sentido na pele os horrores que o nazismo praticava, e que estaria destinado a concluir e inaugurar a nova Igreja Matriz. Mas este é um assunto para a nossa próxima conversa!

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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