(Imagem Ilustrativa)

O processo de comunicação nunca foi, nem será um processo fácil. Quando na quinta série do ensino fundamental já me pareceu que não seria. Naquela época se definia que a célula básica do processo de comunicação era a “Cláusula”, com definição dada por Eurico Back e Geraldo Mattos, autores e professores da Universidade Católica do Paraná e UFPR. Segundo o conceito apresentado, “o emissor sente uma necessidade interna ou externa (impulso para agir), neste instante vem-lhe à mente uma série de ideias de como satisfazer a essa necessidade (atividade mental), então, procura os recursos para atingir o receptor (enunciado) – encerra-se aí a solicitação. Se, por sua vez, o emissor chegar ao receptor por meio de algum canal, o enunciado provoca nele um conjunto de ideias complementares às do emissor e o leva a determinadas reações (satisfação); fecha-se o circuito, culminando num ato de comunicação”.

Talvez concordem comigo que não é algo simples de se entender quando se está na quinta série ou hoje. Mais difícil ainda é fazer com que emissor e receptor se sintam satisfeitos com o processo, que tenham o mesmo entendimento sobre a mensagem. Embora os canais, os meios utilizados para o processo de comunicação tenham evoluído e sejam mais diversificados que em 1974, a enxurrada de informações e ruídos incorporados ao processo dificultam ainda mais. Pior é quando não só nos atrapalhamos com a gramática, mas com algo mais básico: o vocabulário.

Pois bem, cada vez que um fato novo toma conta do noticiário e dos demais canais de comunicação, uma séria de palavras, de terminologias ficam em evidência e nem sempre temos clareza ou certeza do que estamos falando, escrevendo ou interpretando.

Lembro de um consultor que nos auxiliou quando da implantação de sistemas de garantia de qualidade, que tinha a boa mania de explicar tudo segundo a origem das palavras, ou etimologia, do grego étumos (real, verdadeiro) + logos (estudo, descrição), ou seja, o estudo científico da origem e da história de palavras. O consultor Benatti, ou o “bem-nascido”, dizia que toda ação, programa, obra ou movimento organizado só tem sucesso com base em uma boa comunicação, feita de forma clara e objetiva. Com a escolha das palavras certas e bem compreendidas.

Com a doença trazida pelo novo coronavírus (hoje assisti um vídeo de quase meia hora onde uma professora de português explicava por que o vírus se chama coronavírus e não vírus corona) vários termos ficaram em evidência e precisamos bem compreendê-los. Comecemos pelo vilão, que se chama coronavírus (sem hífen). Ele também não pode ser chamado de “o Covid-19”, pois a Covid-19 é doença (“co” de corona, “vi” de vírus, “d” de disease, palavra inglesa que significa doença em português e “19”, ano em que surgiu). Também é deselegante e preconceituoso chama-lo de “vírus da China”. Cientificamente pode ser chamado de vírus SARS-CoV-2.

Também aprendemos diferenciar surto, endemia, epidemia e pandemia (será?). E se entendemos, cabe uma pergunta: Por que temos epidemiologistas e não pandemiologistas?

Descobrimos que existe comorbidade quando uma pessoa apresenta mais de uma doença, simultaneamente (ficando mais vulnerável no caso de contaminação), mas fica mais difícil de se entender quando descobrimos que ela pode ser patogênica, diagnóstica ou prognóstica.

Diferenciamos bloqueio total e quarentena (medidas obrigatórias) de isolamento social (quando se isola pessoas infectadas ou que possam ser mais fortemente afetadas pela doença) ou de distanciamento social (ato de civilidade, de caráter preventivo).

Sabemos que transmissão comunitária não é a repetição do sinal de uma emissora de rádio do bairro ou comunidade, daí a importância do bloqueio, da quarentena, do isolamento social e do distanciamento social enquanto não temos uma vacina ou remédio eficaz contra o vírus.

Para nossa sorte, OMS ou EPI não são novos impostos criado pelo Paulo Guedes, e para a nossa falta de sorte, a Covid-19 não é uma “gripezinha” e a imunidade de rebanho, que alguns esperam, é uma solução desastrosa e penosa para a população afetada pela pandemia.

Se não aprendemos a escrever corretamente “álcool em gel” e não “álcool gel” ou “alquingel”, ao menos compreendemos a importância do uso de água e sabão na prevenção de doenças.

Não pensem que este texto foi redigido com arrogância, por alguém que acha que conhece bem a nossa língua ou é especialista em relação a doença. O fiz justamente pela minha dificuldade de comunicação neste momento difícil para cada um de nós. Ainda posso ter cometido erros na grafia ou na interpretação dos termos, mas foi com o intuito de dividir um pouco do que aprendi.

Adnelson Borges de Campos
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