(Imagem Ilustrativa)

Cresci ouvindo meu pai dizer: “não tenha os olhos maior que barriga, jogar comida fora é pecado!” E acredito que isso tenha, de alguma maneira, me ensinado a evitar ao máximo jogar comida fora.

Atualmente mais de 30% do alimento produzido no mundo é desperdiçado. Do plantio e colheita, passando pelo péssimo transporte, até chegar à mesa das famílias, 1,3 bilhão de toneladas de comida tem o mesmo destino: o lixo. Enquanto isso, 800 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo, sendo que dessas, aproximadamente 3,5 milhões são brasileiras.

No Brasil, cerca de 15 milhões de toneladas de alimento são descartados por ano, essa quantidade de comida alimentaria toda a população brasileira – 210 milhões de pessoas – por quase 50 dias, de acordo com o Instituto Akatu.

A cultura do desperdício vem de muito tempo e já está culturalmente enraizada por uma série de motivos, como o fato de não termos passado por escassez em períodos de guerras e também por sermos um país muito grande e com muitos recursos.

“Melhor sobrar do que faltar”, sabe? Isso não está certo.

Enquanto quilos de comida são descartados diariamente em nossas casas, em restaurantes, padarias e outros estabelecimentos de AFL (alimentação fora do lar), não existem leis que falem sobre doação de alimentos para combater a fome e evitar o desperdício. A maioria dos estabelecimentos acaba descartando suas sobras, seguindo recomendações da ANVISA por receio de autuações aplicadas com base no código de defesa do consumidor para casos de intoxicação alimentar.

E o que eu tenho a ver com isso?

Enquanto consumidores, temos o dever de sermos agentes responsáveis pelo bom funcionamento da sociedade como um todo, e o consumo consciente de alimentos é sim nossa responsabilidade.

Além dos fatores de degradação do meio ambiente, que não vou aprofundar dessa vez aqui; parte da civilidade e do nosso dever moral é importar-se com o próximo e com a qualidade de vida de quem divide o planeta conosco, e sabemos que reduzir o desperdício é sim reduzir a fome.

Se tivéssemos a consciência tão grande quanto os olhos, que já costumam ser maiores que a barriga, poderíamos mudar drasticamente esse cenários que descarta toneladas de alimento bom para consumo e transformaríamos a realidade de milhões de pessoas que vivem seus dias sem esperanças de um prato de comida para vencer o dia.

A conscientização é o primeiro passo, mas deve ser seguido de atitudes e também de novos hábitos. Educar é fundamental para nos adequarmos a nova rotina.

Preciso comprar a quantidade de insumos que compro de costume, ou estou descartando parte disso? Cerca de 20% do que compramos no mercado é descartado pelo mau armazenamento ou mau uso.

Preciso servir uma quantidade exagerada de comida no prato ou posso diminuir a quantidade e se necessário, servir outras vezes?

Posso reutilizar sobras, cascas e aparas para reuso, destinando os excedentes para novos pratos e diminuindo consequentemente a minha pegada no planeta, reduzindo também a quantidade de lixo orgânico e o impacto ambiental que somente o meu próprio consumo é capaz de causar no mundo? Geramos cerca de 1 quilo de lixo por dia, entre restos, sobras e embalagens. Como posso reduzir esses números?

Se sou parte do mundo, também faço parte desses números e tenho sim a ver com tudo isso e as consequências disso.

Precisamos assumir nossos papeis de responsáveis pelo equilíbrio dos recursos disponíveis no mundo que há muito estão sendo esgotados. Diminuir o quanto de resíduos geramos é um primeiro passo para sermos sustentáveis e respeitáveis enquanto seres humanos.

Sirva-se o suficiente, compre o necessário e repense seus hábitos.

Cascas, sobras, aparas e alimentos ditos “feios”pode ser transformados em caldos e fundos que podem receber nova vida e dar novos sabores para novos pratos.

Informação, educação e conscientização são parte do processo de erradicação da fome, da miséria e do desperdício.

Comer é um ato de político, de resistência e de atitude. Tem a ver com todo o mundo, inclusive você.

Lincoln Molinari
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